quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

6 Comentários de Virginia Woolf sobre a leitura de livros

No ensaio Como Se Deve Ler Um Livro?, presente no segundo volume do livro O Leitor Comum (1925 e 1932), a escritora britânica Virginia Woolf compartilhou um texto lido em uma escola no qual ela teceu alguns comentários sobre a leitura e o valor imposto sobre como as pessoas devem ler.


Em seu texto, Virginia Woolf questiona a importância que damos aos livros e que absorvemos dos outros, defendendo que cada um deve encontrar suas próprias respostas. A autora distingue dois momentos da leitura, um no qual o leitor precisa estar aberto para acompanhar as ideias do escritor e outro, no qual o leitor aprende a refinar o seu gosto de maneira reflexiva.

Ela dizia que não devíamos ler livros somente para jogar uma luz na literatura ou nos tornamos familiar com as pessoas famosas, mas para refrescar e exercitar nossos próprios poderes criativos.

Virginia Woolf encerra o ensaio defendendo a leitura como uma fonte de alegria, não só para um fim intelectual –  para a escritora, no Dia do Julgamento, enquanto alguns profissionais iriam ao céu em busca de recompensas, o leitor não precisaria de uma, já que eles amavam ler e estariam com um livro embaixo dos braços.

Confira 6 Comentários de Virginia Woolf sobre a leitura de livros:


“O único conselho… que uma pessoa pode dar a outra sobre leitura é não tomar nenhum conselho, seguir seus próprios instintos, usar sua própria razão, chegar a suas próprias conclusões”.

“Afinal, quais leis podem ser estabelecidas sobre livros? […] Ninguém pode dizer. Cada um deve decidir essa questão por si mesmo. Admitir as autoridades [...] em nossas bibliotecas e deixar que nos digam como ler, o que ler, qual é o valor devemos colocar no que lemos, é destruir o espírito da liberdade, que é o sopro desses santuários. Em qualquer outro lugar, podemos estar vinculados por leis e convenções – aqui não temos nenhum”

“Poucas pessoas pedem dos livros o que eles podem nos dar. Na maioria das vezes, chegamos aos livros com as mentes desfocadas e divididas, pedindo que a ficção seja verdade, que a poesia seja falsa, que a biografia seja bajulante, que a história reforce nossos próprios preconceitos. Se pudéssemos banir todos esses preconceitos quando lemos, isso seria um começo admirável”.

“Talvez a maneira mais rápida de entender os elementos do que um romancista está fazendo não seja lendo, mas escrevendo; tendo sua própria experiência com os perigos e dificuldades das palavras”.

“Ler um romance é uma arte difícil e complexa. Você deve ser capaz não só de grande finura de percepção, mas de grande ousadia de imaginação se você for fazer uso de tudo o que o romancista – o grande artista – lhe dá”.

“O quanto, devemos nos perguntar, um livro é influenciado pela vida de seu escritor – até que ponto é seguro deixar o homem interpretar o escritor? Até onde devemos resistir ou dar lugar às simpatias e antipatias que o próprio homem desperta em nós – tão sensíveis são as palavras, tão receptivas ao caráter do autor? Estas são perguntas que nos pressionam quando lemos vidas e cartas, e devemos respondê-las por nós mesmos, pois nada pode ser mais fatal do que ser guiado pelas preferências dos outros em uma questão tão pessoal”

Sobre a escritora 


Virginia Woolf nasceu em 1882 em Londres. Foi um dos maiores nomes do romance modernista e uma de suas vozes femininas pioneiras, influenciou escritores em diversos países graças a livros como Ao farol, As ondas e Orlando. Esteve à frente, com o marido Leonard, do círculo intelectual que viria a ser conhecido como Grupo de Bloomsbury, do qual fizeram parte, entre outros, o economista Keynes e o filósofo e matemático Bertrand Russell.

Estreou na literatura em 1915 com um romance (The Voyage Out) e posteriormente teria realizado uma série de obras notáveis, as quais lhe valeriam o título de "a Proust inglesa". 

Virginia Woolf era filha do editor Leslie Stephen, o qual deu-lhe uma educação esmerada, de forma que a jovem teria frequentado desde cedo o mundo literário.

Em 1912, casou-se com Leonard Woolf, com quem funda, em 1917, a Hogarth Press, editora que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia Woolf apresentava crises depressivas. Em 1941, deixou um bilhete para seu marido, Leonard Woolf, e para a irmã, Vanessa. Neste bilhete, ela se despede das pessoas que mais amara na vida, e se mata.

Na página da Livraria de eBooks da Universidade de Adelaide, da Austrália, é possível conferir o livro em inglês na íntegra: https://ebooks.adelaide.edu.au/w/woolf/virginia/w91c2/index.html


Veja também: 5 Comentários de Anne Rice sobre a Escrita 

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*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.

5 comentários:

  1. Amei tudo, menos o "se mata de forma triunfante".

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    1. Oi, Fabio! Essa parte estava na mini biografia oficial, publicado por alguma das editoras dela. Tirei a parte do triunfante :)
      Abraços

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    2. Salve querido! Imaginei que fosse algo assim. Acho perigoso glamourizar o suicídio, por isso me manifestei. Gratidão pelo carinho de sempre e parabéns pelo belo trabalho de incentivo à literatura e à reflexão! Abração!

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  2. Olá
    Achei incríveis as frases dessa lenda. A leitura é algo tão pessoal que é complicado e errante tentar ditar como as pessoas devem fazer isso.

    Vidas em Preto e Branco

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    Respostas
    1. Oi, Lary! Bom te ver por aqui. Estou te devendo visitas também. Aquela correria de sempre.
      Fico feliz que tenha gostado das palavras da Virginia Woolf. Dá para perceber que ela tinha a mente mais aberta do que muita gente da nossa época. Literatura é liberdade.
      Abraços

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