sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

7 Comentários de Natalie Goldberg sobre a arte da Escrita Zen

Você já parou para pensar na relação entre a escrita e a tradição/filosofia Zen? Publicado originalmente em 1986, o livro Escrevendo com a Alma (Writing Down The Bones) fez e ainda faz sucesso ao abordar como a escrita pode ser uma forma de se aproximar de si mesmo, traçando um paralelo entre a prática da meditação e a prática da criação literária. A autora da obra é a escritora, pintora e professora de escrita zen Natalie Goldberg.


Escrevendo com a Alma é uma dessas leituras sobre a arte de escrever que trazem conforto, especialmente quando questionamos a própria escrita, nos tempos de bloqueio criativo ou nos dias em que precisamos nos reconectar com nossas essências – para quem busca alguma atividade criativa para relaxar e entrar em estado de flow, quando você consegue se desconectar dos problemas e se focar no momento presente, no aqui e no agora.



Durante dois anos, ela estudou com o professor hinduísta Baba Hari Dass e durante 12 anos, estudou com Dainin Katagiri Roshi, o professor Zen, autor dos livros Retornando ao Silêncio (Returning to Silence) e You Have to Say Something. Há mais de 30 anos, a artista tem se dedicado zen-budismo. Ela descreve o sucesso do seu livro nos Estados Unidos por ter chegado a um momento em que as pessoas começaram a sentir mais necessidade de se expressarem, além de ser uma atividade democrática.

Natalie defende que a escrita deve ser praticada com frequência. Em seu livro e suas entrevistas, ela explica como se encontrou como escritora, transformando em uma prática meditativa e lembra que seus conselhos podem ser usados para qualquer outra atividade que as pessoas amem e tenham escolhido para sua vida, como corrida ou pintura. Para atingir o estado de flow, Natalie ressalta a importância de deixar a caneta se mover pelo papel, já que os pensamentos são mais rápidos do que a mão e de como o instrumento escolhido acaba influenciando o processo de criação.

Seja com a caneta, na máquina de escrever ou no computador, com a disciplina e a prática, Goldberg acredita que a escrita zen acontece no estado em que as ideias fluem, quando a caneta, o papel e a escrita se tornam uma só coisa, o corpo, a mente e a respiração estão alinhados e nos tornamos presentes na prática.

Para os ansiosos, se focar na escrita pode ser um desafio e tanto, principalmente com tantas distrações e preocupações diárias, porém a autora diz que uma forma fácil de quebrar o bloqueio de escrita é escrevendo – conforme a filosofia zen: “Ao escrever, escreva” –, o que também nos traz à tona a importância de fazer uma coisa de cada vez, prática mais rara em um mundo que nos empurra à multitarefa.

Para quem busca inspiração e/ou gosta de conhecer as diferentes perspectivas de escritores sobre o universo da literatura, reuni aqui alguns dos comentários da escritora Natalie Goldberg.

Confira 7 comentários de Natalie Goldberg sobre a arte da escrita Zen:


“O Zen e a escrita trabalham lindamente juntos, por que, de verdade, de onde vem um material escrito? Da mente. Quanto melhor entendemos a mente, melhor podemos trabalhar com ela. O Zen me aproximou de mim mesma, me deixou mais próxima do que significa ser humana, da minha própria mente, do fato de que não estou apenas vivendo, mas vou morrer; de que estou morrendo o tempo todo. Isso me deu uma intimidade comigo mesma” – Natalie Golberg em entrevista à revista The Sun 

“O problema é pensar que existimos. Achamos que nossas palavras são permanentes, sólidas, capazes de nos representar para todo o sempre. Isso não é verdade. Escrevemos no momento [...] Observe-se. Mudamos a cada minuto. E isso é uma dádiva. A qualquer momento podemos abandonar nossos sentimentos e ideias cristalizadas e começar tudo de novo. A arte de escrever é assim. Em vez de limitar, liberta” – Natalie Golberg, Escrevendo com a Alma

“O verdadeiro segredo é a prática, mas também o que você obtém da prática: não prestar tanta atenção a todos os seus pensamentos. Além disso, vendo a fonte de seus pensamentos, os diferentes tipos de pensamentos, tendo um relacionamento com eles, para que eles não tenham controle sobre sua vida” – Natalie Goldberg em entrevista ao Elephant Journal

“Eu nunca ganhei o controle da minha mente – como você domina um oceano? – mas comecei a formar um relacionamento real com ela. Através da escrita e da meditação, identifiquei a mente-macaco, essa constante crítica, comentarista, editora [...] a voz que diz: “Não posso fazer isso, estou entediada, eu me odeio, eu não sou boa, não posso ficar quieta, quem penso que eu sou?”. Vi que a maior parte da minha vida tinha sido passada seguindo essa voz como se fosse Deus, me contando o verdadeiro significado da vida – “Natalie, você não pode escrever merda nenhuma”, quando, na verdade, era uma engenhoca mecânica que toda mente humana contém”Natalie Goldberg, Thunder and Lightning: Cracking Open the Writer's Craft  

“A prática da escrita nos traz de volta à singularidade de nossas próprias mentes e a uma aceitação dela. Todos nós temos sonhos selvagens, fantasias e pensamentos comuns. Deixe-nos sentir a textura deles e não ter medos deles. Escrever ainda é a coisa mais selvagem que eu conheço” – Natalie Goldberg, Mente Selvagem: como se tornar um escritor (Wild Mind: Living the Writer's Life)

“Quando você desenha e presta atenção ao que é, é uma forma de estar presente. Isso inspira a mente, a faz feliz e o coração quer expressar mais” – Natalie Goldberg, Living Color: Painting, Writing, and the Bones of Seeing

“Quando pratico meditação sentada, o objetivo é me desapegar dos pensamentos e ancorar a minha mente na respiração, naquele presente momento. Mas, claro, não é tão fácil assim. Quando você medita com frequência, percebe que aqueles pensamentos são pegajosos e insistem em reaparecer. Na prática de escrever, você pega esses pensamentos e os põe no papel e, pondo-os no papel, você pula para o próximo e vai passando por eles. Você amarra a mente na caneta. Os pensamentos passam a ser como um riacho que corre ligeiro, enquanto você permanece ali sentado. Os pensamentos, portanto, não são tão pegajosos assim. De certa maneira, a prática de escrever é um caminho mais curto para alcançar a quietude interior. [...] Escrever é, para mim, a prática zen mais profunda de todas” – Natalie Goldberg no posfácio de Escrevendo com a Alma


Sobre a autora 


Natalie Goldberg é a autora de Escrevendo com a Alma: Liberte o escritor que há em você (Writing Down The Bones: Freeing The Writer Within, 1986), que abriu o mundo da criatividade e iniciou uma revolução na forma como a escrita é praticada nos Estados unidos. O livro vendeu mais de um milhão de cópias e foi traduzido para 14 idiomas. Desde então, ela escreveu nove outros livros, incluindo o romance Banana Rose.

Natalie também é uma pintora prolífica. Seu livro Living Color: A Writer Paints Her Wold, descreve a pintura como sua segunda forma de arte. Suas aquarelas vivas são exibidas na Galeria Ernesto Mayans em Santa Fé, no Novo México e você pode ver suas pinturas no seu site. Top Of My Lungs (Overlook Press), contém 40 poemas, vinte de suas pinturas coloridas e um ensaio, "Como a poesia salvou minha vida".

Natalie tem ensinado seminários de escrita como prática nos últimos 30 anos. Pessoas de todo o mundo atendem suas oficinas de mudança de vida e ela ganhou uma reputação como uma excelente professora. O Oprah Winfrey Show enviou uma equipe de filmagem para passar o dia com Natalie para um segmento sobre Espiritualidade que cobriu sua escrita, ensino, pintura e meditação em movimento. Atualmente, ela vive no norte do Novo México. Para mais informações sobre a autora e os seus livros publicados, visite o seu site: http://nataliegoldberg.com/
***
Para quem gosta do assunto, também vale a pena conhecer os livros O Zen e a Arte da Escrita, do escritor Ray Bradbury e Grande Magia, da escritora Elizabeth Gilbert. Ainda neste universo da escrita criativa e espiritualidade, também recomendo os livros Despertar: Uma vida de Buda, do escritor Jack Kerouac e Palavra por Palavra, da escritora Anne Lamott.

Veja também: 

6 Comentários de Virginia Woolf sobre a leitura de livros 

5 Comentários de Anne Rice sobre a Escrita 

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*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.

2 comentários:

  1. Adorei as declarações da autora sobre escrita. Pra mim, o ato de escrever é a única coisa que acalma minha mente e os nervos. Sou uma pessoa ansiosa e quando escrevo tenho que focar n oque está acontecendo e isso é ótimo. Já tentei meditar diversas vezes, mas sempre fico pensando em mil coisas e nunca consigo relaxar realmente.

    Vidas em Preto e Branco

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    Respostas
    1. Oi, Lary! Acho fantástico como a escrita nos permite relaxar. Como você disse, é uma estratégia boa para quem tem dificuldade de se sentar para meditar. Outras pessoas sentem essa mesma sensação durante a corrida ou a pintura.
      Gratidão pela visita ♥

      Excluir

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