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Destaques

Resenha: Jurassic Park – Michael Crichton

Jurassic Park (O Parque dos Dinossauros) foi uma leitura nostálgica para mim. À medida que me aventurava pelas páginas do romance, foi como se eu desenrolasse várias memórias relacionadas ao universo ficcional dos dinossauros, popularizado pela adaptação cinematográfica dirigida por Steven Spielberg, em 1993. O livro de ficção científica escrito por Michael Crichton foi republicado em 2015, pela Editora Aleph, com tradução de Marcia Men.


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Mais do que entretenimento para os amantes de dinossauros, Jurassic Park é um conto caucionário sobre ciência, genética, ética e ambição humana. Hammond é um homem rico que idealiza um parque de diversão com dinossauros reais, sem se dar conta dos potenciais perigos de dar vida às criaturas.

Antes da abertura do parque, uma equipe de profissionais é convidada a visitar a Ilha Nublar, na Costa Rica, entre eles um matemático que alerta sobre as chances do projeto se tornar caótico e…

7 Comentários de Natalie Goldberg sobre a arte da Escrita Zen

Você já parou para pensar na relação entre a escrita e a tradição/filosofia Zen? Publicado originalmente em 1986, o livro Escrevendo com a Alma (Writing Down The Bones) fez e ainda faz sucesso ao abordar como a escrita pode ser uma forma de se aproximar de si mesmo, traçando um paralelo entre a prática da meditação e a prática da criação literária. A autora da obra é a escritora, pintora e professora de escrita zen Natalie Goldberg.


Escrevendo com a Alma é uma dessas leituras sobre a arte de escrever que trazem conforto, especialmente quando questionamos a própria escrita, nos tempos de bloqueio criativo ou nos dias em que precisamos nos reconectar com nossas essências – para quem busca alguma atividade criativa para relaxar e entrar em estado de flow, quando você consegue se desconectar dos problemas e se focar no momento presente, no aqui e no agora.



Durante dois anos, ela estudou com o professor hinduísta Baba Hari Dass e durante 12 anos, estudou com Dainin Katagiri Roshi, o professor Zen, autor dos livros Retornando ao Silêncio (Returning to Silence) e You Have to Say Something. Há mais de 30 anos, a artista tem se dedicado zen-budismo. Ela descreve o sucesso do seu livro nos Estados Unidos por ter chegado a um momento em que as pessoas começaram a sentir mais necessidade de se expressarem, além de ser uma atividade democrática.

Natalie defende que a escrita deve ser praticada com frequência. Em seu livro e suas entrevistas, ela explica como se encontrou como escritora, transformando em uma prática meditativa e lembra que seus conselhos podem ser usados para qualquer outra atividade que as pessoas amem e tenham escolhido para sua vida, como corrida ou pintura. Para atingir o estado de flow, Natalie ressalta a importância de deixar a caneta se mover pelo papel, já que os pensamentos são mais rápidos do que a mão e de como o instrumento escolhido acaba influenciando o processo de criação.

Seja com a caneta, na máquina de escrever ou no computador, com a disciplina e a prática, Goldberg acredita que a escrita zen acontece no estado em que as ideias fluem, quando a caneta, o papel e a escrita se tornam uma só coisa, o corpo, a mente e a respiração estão alinhados e nos tornamos presentes na prática.

Para os ansiosos, se focar na escrita pode ser um desafio e tanto, principalmente com tantas distrações e preocupações diárias, porém a autora diz que uma forma fácil de quebrar o bloqueio de escrita é escrevendo – conforme a filosofia zen: “Ao escrever, escreva” –, o que também nos traz à tona a importância de fazer uma coisa de cada vez, prática mais rara em um mundo que nos empurra à multitarefa.

Para quem busca inspiração e/ou gosta de conhecer as diferentes perspectivas de escritores sobre o universo da literatura, reuni aqui alguns dos comentários da escritora Natalie Goldberg.

Confira 7 comentários de Natalie Goldberg sobre a arte da escrita Zen:


“O Zen e a escrita trabalham lindamente juntos, por que, de verdade, de onde vem um material escrito? Da mente. Quanto melhor entendemos a mente, melhor podemos trabalhar com ela. O Zen me aproximou de mim mesma, me deixou mais próxima do que significa ser humana, da minha própria mente, do fato de que não estou apenas vivendo, mas vou morrer; de que estou morrendo o tempo todo. Isso me deu uma intimidade comigo mesma” – Natalie Golberg em entrevista à revista The Sun 

“O problema é pensar que existimos. Achamos que nossas palavras são permanentes, sólidas, capazes de nos representar para todo o sempre. Isso não é verdade. Escrevemos no momento [...] Observe-se. Mudamos a cada minuto. E isso é uma dádiva. A qualquer momento podemos abandonar nossos sentimentos e ideias cristalizadas e começar tudo de novo. A arte de escrever é assim. Em vez de limitar, liberta” – Natalie Golberg, Escrevendo com a Alma

“O verdadeiro segredo é a prática, mas também o que você obtém da prática: não prestar tanta atenção a todos os seus pensamentos. Além disso, vendo a fonte de seus pensamentos, os diferentes tipos de pensamentos, tendo um relacionamento com eles, para que eles não tenham controle sobre sua vida” – Natalie Goldberg em entrevista ao Elephant Journal

“Eu nunca ganhei o controle da minha mente – como você domina um oceano? – mas comecei a formar um relacionamento real com ela. Através da escrita e da meditação, identifiquei a mente-macaco, essa constante crítica, comentarista, editora [...] a voz que diz: “Não posso fazer isso, estou entediada, eu me odeio, eu não sou boa, não posso ficar quieta, quem penso que eu sou?”. Vi que a maior parte da minha vida tinha sido passada seguindo essa voz como se fosse Deus, me contando o verdadeiro significado da vida – “Natalie, você não pode escrever merda nenhuma”, quando, na verdade, era uma engenhoca mecânica que toda mente humana contém”Natalie Goldberg, Thunder and Lightning: Cracking Open the Writer's Craft  

“A prática da escrita nos traz de volta à singularidade de nossas próprias mentes e a uma aceitação dela. Todos nós temos sonhos selvagens, fantasias e pensamentos comuns. Deixe-nos sentir a textura deles e não ter medos deles. Escrever ainda é a coisa mais selvagem que eu conheço” – Natalie Goldberg, Mente Selvagem: como se tornar um escritor (Wild Mind: Living the Writer's Life)

“Quando você desenha e presta atenção ao que é, é uma forma de estar presente. Isso inspira a mente, a faz feliz e o coração quer expressar mais” – Natalie Goldberg, Living Color: Painting, Writing, and the Bones of Seeing

“Quando pratico meditação sentada, o objetivo é me desapegar dos pensamentos e ancorar a minha mente na respiração, naquele presente momento. Mas, claro, não é tão fácil assim. Quando você medita com frequência, percebe que aqueles pensamentos são pegajosos e insistem em reaparecer. Na prática de escrever, você pega esses pensamentos e os põe no papel e, pondo-os no papel, você pula para o próximo e vai passando por eles. Você amarra a mente na caneta. Os pensamentos passam a ser como um riacho que corre ligeiro, enquanto você permanece ali sentado. Os pensamentos, portanto, não são tão pegajosos assim. De certa maneira, a prática de escrever é um caminho mais curto para alcançar a quietude interior. [...] Escrever é, para mim, a prática zen mais profunda de todas” – Natalie Goldberg no posfácio de Escrevendo com a Alma


Sobre a autora 


Natalie Goldberg é a autora de Escrevendo com a Alma: Liberte o escritor que há em você (Writing Down The Bones: Freeing The Writer Within, 1986), que abriu o mundo da criatividade e iniciou uma revolução na forma como a escrita é praticada nos Estados unidos. O livro vendeu mais de um milhão de cópias e foi traduzido para 14 idiomas. Desde então, ela escreveu nove outros livros, incluindo o romance Banana Rose.

Natalie também é uma pintora prolífica. Seu livro Living Color: A Writer Paints Her Wold, descreve a pintura como sua segunda forma de arte. Suas aquarelas vivas são exibidas na Galeria Ernesto Mayans em Santa Fé, no Novo México e você pode ver suas pinturas no seu site. Top Of My Lungs (Overlook Press), contém 40 poemas, vinte de suas pinturas coloridas e um ensaio, "Como a poesia salvou minha vida".

Natalie tem ensinado seminários de escrita como prática nos últimos 30 anos. Pessoas de todo o mundo atendem suas oficinas de mudança de vida e ela ganhou uma reputação como uma excelente professora. O Oprah Winfrey Show enviou uma equipe de filmagem para passar o dia com Natalie para um segmento sobre Espiritualidade que cobriu sua escrita, ensino, pintura e meditação em movimento. Atualmente, ela vive no norte do Novo México. Para mais informações sobre a autora e os seus livros publicados, visite o seu site: http://nataliegoldberg.com/
***
Para quem gosta do assunto, também vale a pena conhecer os livros O Zen e a Arte da Escrita, do escritor Ray Bradbury e Grande Magia, da escritora Elizabeth Gilbert. Ainda neste universo da escrita criativa e espiritualidade, também recomendo os livros Despertar: Uma vida de Buda, do escritor Jack Kerouac e Palavra por Palavra, da escritora Anne Lamott.



Veja também: 

6 Comentários de Virginia Woolf sobre a leitura de livros 

5 Comentários de Anne Rice sobre a Escrita 

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*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.

Comentários

  1. Adorei as declarações da autora sobre escrita. Pra mim, o ato de escrever é a única coisa que acalma minha mente e os nervos. Sou uma pessoa ansiosa e quando escrevo tenho que focar n oque está acontecendo e isso é ótimo. Já tentei meditar diversas vezes, mas sempre fico pensando em mil coisas e nunca consigo relaxar realmente.

    Vidas em Preto e Branco

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    Respostas
    1. Oi, Lary! Acho fantástico como a escrita nos permite relaxar. Como você disse, é uma estratégia boa para quem tem dificuldade de se sentar para meditar. Outras pessoas sentem essa mesma sensação durante a corrida ou a pintura.
      Gratidão pela visita ♥

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