Os dias de sono voltaram. Dias em que parecia que não importava o quanto dormisse, sentia mais vontade de dormir. Uma fome sem fim. Seria desejo de sonhar? Vontade de esquecer um pouco a realidade? Ou quem sabe algo ligado à mudança de tempo? Não sabia definir completamente. Sabia que os dias estavam passando. Sabia que faltavam poucos dias para completar um ano sem cigarro, aquilo que costumava usar para manter acordado ao se levantar junto com o cafezinho. Em um ano muita coisa poderia mudar. E era inevitável não encarar as mudanças. Tinha dias de nostalgia, mas também dias em que queria se manter firme no momento presente. Escrevia para manter viva a chama da criatividade. Escrevia para se entender melhor e também para que o leitor se compreendesse. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Liv...
A Morte do Artista é o título de um mini conto publicado aqui no blog e no Wattpad (Fragmentário). Gosto de histórias nas quais os personagens questionam suas escolhas. Acredito que faz parte da natureza humana. Ao longo da vida nos afastamos de nós mesmos. A escrita e a arte podem incomodar ao nos fazer refletir e apertar as feridas. Todos nós fazemos sacrifícios. Não dá para ter tudo.
A figura do artista ainda é tão incompreendida e mesmo quando se dedica profissionalmente ao ofício, muitas vezes, recebe olhares de estranhamento e é questionado o tempo todo sobre procurar algo mais 'normal'. Mas o trabalho do artista não é duvidado somente por aqueles que 'só querem o seu melhor'. Dentro do próprio meio artístico, existem diferentes visões sobre quem tem uma profissão e se dedica à arte e quem ganha a vida profissionalmente só como artista.
Nesse jogo de expectativas, o prazer criativo dá espaço à amargura e à destruição. Me lembro de ter lido um ensaio do Elias Canetti no livro A Consciência das Palavras, que dizia que Hitler era um artista frustrado e sua inteligência e processo criativo obstruído o levaram a se tornar um ditador. Não é algo tão difícil de perceber no dia a dia. Os romances e o mundo real estão repletos de professores de literatura, por exemplo, que abandonaram a escrita e se tornam autoritários em sala de aula. Não é à toa que muitos estudantes se desencantam dos livros: o que deveria ser algo prazeroso, em alguns casos, é tratado como mera obrigação.
E você, o que tem feito pelos seus sonhos?
Assista ao vídeo A Morte do Artista (Ben Oliveira):
Este não é o meu primeiro texto sobre o assunto, tampouco acredito que será o último. No livro Remetente N.15, escrevi um conto sobre uma personagem que era romancista e abandona sua escrita para se casar, incentivada pela própria mãe. Há quem veja a protagonista como alguém prestes a enlouquecer, há quem entenda sobre tudo o que ela precisou abrir mão ao longo da vida. Cuidar de si mesmo não é um ato de egoísmo. Entre o presente e o passado, o leitor descobre um pouco do desespero da personagem e o que a levou a chegar até aquele ponto. Amélia nos leva para o seu beco das ilusões.
Em Escrita Maldita, o protagonista do livro é um escritor de terror. Daniel Luckman é um cara de sorte. Quantos autores conseguem se dedicar exclusivamente à escrita porque o seu primeiro romance se tornou um best seller internacional? Todavia, todo mundo sabe que só um livro na lista de mais vendidos não é capaz de garantir sossego para um autor. A sorte sorri mais uma vez para ele quando um editor o convida a escrever um livro junto com Laurence Loud, um dos autores mais populares dos últimos tempos. A escrita é a salvação de Daniel, mas também é o que o condena.
*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon (entre os ebooks mais vendidos de horror na loja Kindle) e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.