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Destaques

Subdiagnóstico de autismo, números e incoerências

O brasileiro é muito individualista. Ao mesmo tempo que vejo pessoas reclamando que os números do Censo vão dar abaixo por causa dos subdiagnósticos de autismo, já vi muita gente acusando pessoas com laudo fingirem que eram autistas.


Como explicar a volatilidade? Nem tento entender o que se passa na mente do brasileiro.

Os discursos são sempre contraditórios. Por causa de polarização, todo mundo sai perdendo.

Já vi até gente dizendo que o laudo é só um papel. Se é só um papel, a pessoa, então, não precisa de um diagnóstico? Logo, por que ser contabilizada? Sejam mais coerentes nos discursos.

Incoerências dos brasileiros sobre subdiagnósticos:

– Já vi gente acusando autista de fingir, mesmo a pessoa tendo laudo;

– Já vi gente se posicionando contra diagnóstico precoce, achando que seria ruim, desconhecendo a questão da plasticidade cerebral;

– Já vi gente dizendo que autismo nem deveria ter CID;

– Já vi gente dizendo que o outro não é autista, só porque sabe argumentar e é diferente do …

Bibliotecas e o amor do escritor Neil Gaiman pelos livros

Bibliotecas são mágicas. Como muitos escritores, a história de amor pela leitura de Neil Gaiman foi fundamentada nesses espaços repletos de livros, nos quais profissionais apreciavam vê-lo mergulhando no mundo dos livros infantis e, posteriormente, dos livros para adultos.


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O destino de alguns amantes da leitura envolve contar suas próprias histórias. Com Neil Gaiman não foi diferente. Sua carreira de escrita começou como jornalista, na qual ele escreveu algumas biografias e depois se aventurou pela escrita de graphic novels, livros infantis e adultos de ficção científica e fantasia.

“Eu não seria quem sou sem bibliotecas. Eu era o tipo de criança que devorava livros, e meus momentos mais felizes quando garoto eram quando convenci meus pais a me deixar na biblioteca local a caminho do trabalho, e eu passei o dia lá. Eu descobri que os bibliotecários realmente querem ajudá-lo: eles me ensinaram sobre empréstimo entre bibliotecas” – Neil Gaiman

Em tempos em que muitas bibliotecas de alguns países sofreram com cortes de orçamento e no Brasil, pior ainda, muitas cidades e escolas não têm bibliotecas e espaços para leitura, a palestra de Neil Gaiman na organização The Reading Agency, do Reino Unido, em 2013, nos lembra da importância de um espaço para desenvolvimento da imaginação e despertar o interesse prazeroso pelos livros.

Em sua palestra, Gaiman assume que sua opinião é suspeita, seja como escritor que ganha sua vida com a venda de livros ou como um leitor que passou anos em bibliotecas. Ele diz que quando visitou Nova Iorque certa vez, escutou alguém falando sobre a construção de presídios e que uma das formas de prever quantos prisioneiros estariam lá era por uma porcentagem de quantos adolescentes não podiam ler.

Embora a relação entre criminalidade e alfabetização não seja direta, pesquisas mostram que grande parte dos presos não terminou os estudos e/ou é formada por analfabetos, em sua defesa da importância das bibliotecas, Neil Gaiman lembra que a escolarização pode ajudar com a leitura de livros e o que pode levar ao prazer de ler obras de ficção.

“A ficção tem dois usos. Em primeiro lugar, é uma droga de entrada para a leitura. O impulso de saber o que acontece a seguir, de querer virar a página, a necessidade de continuar, mesmo que seja difícil, porque alguém está em apuros e você tem que saber como tudo vai acabar... isso é uma iniciativa muito real. E isso força você a aprender novas palavras, a pensar em novos pensamentos, a continuar. Descobrir que a leitura por si só é prazerosa. Depois de aprender isso, você está no caminho para ler tudo. E a leitura é fundamental. Houve barulhos feitos brevemente, alguns anos atrás, sobre a ideia de que estávamos vivendo em um mundo pós-letrado, no qual a capacidade de dar sentido às palavras escritas era de alguma forma redundante, mas esses dias se foram: as palavras são mais importantes do que já foram: nós navegamos o mundo com palavras, e como o mundo desliza para a web, precisamos seguir, comunicar e compreender o que estamos lendo. Pessoas que não podem se entender não podem trocar idéias, não podem se comunicar, e os programas de tradução não vão tão longe” – Neil Gaiman

Para Gaiman, é preciso que as crianças sejam incentivadas ao prazer da leitura e para isso, elas precisam ter acesso aos livros. O autor relembra que de tempos em tempos, muitas obras são criticadas e as crianças são desencorajadas a ler, o que ele considera errado de se fazer, já que além das pessoas terem gostos diferentes de leitura, um livro pode levar a outros. A leitura não precisa ser algo chato.

“E a segunda coisa que a ficção faz é desenvolver empatia. Quando você assiste TV ou vê um filme, está vendo coisas acontecendo com outras pessoas. Ficção em prosa é algo que você constrói de 26 letras e um punhado de sinais de pontuação, e você, e você sozinho, usando sua imaginação, cria um mundo e as pessoas e olha através de outros olhos. Você pode sentir coisas, visitar lugares e mundos que você nunca conheceria. Você aprende que todo mundo lá fora é eu também. Você está sendo outra pessoa e, quando voltar ao seu próprio mundo, será um pouco diferente” – Neil Gaiman

Neil Gaiman fala sobre a importância da empatia para a vida em sociedade e que a possibilidade de viver em outros mundos pela ficção pode não só desenvolver nossas habilidades imaginativas, como também nos deixar descontentes com nosso próprio mundo e querer melhorá-lo.

Segundo o escritor, não fornecer livros ou espaços para leitura para crianças é uma forma de destruir o amor pela leitura. Ele conta que teve sorte de poder ler livros de fantasmas, magia, naves, vampiros, detetives, bruxas, em sua infância, o que despertou o seu interesse por outras obras literárias.

“As bibliotecas são sobre liberdade. Liberdade de leitura, liberdade de ideias, liberdade de comunicação. Elas são sobre educação (que não é um processo que termina o dia em que deixamos a escola ou universidade), sobre entretenimento, sobre como fazer espaços seguros e sobre o acesso à informação” – Neil Gaiman

Um espaço para ter acesso à informação e saúde e a ajudar a navegar melhor o mundo. Gaiman finaliza sua palestra torcendo para que as pessoas pensem em seus filhos, de forma que os mesmos possam não só ler, mas também imaginar e entender o que está acontecendo.

No dia 20 de novembro de 2018, a editora William Morrow vai publicar o livro Art Matters: Because Your Imagination Can Change the World, com textos do escritor Neil Gaiman e ilustrações do artista Chris Riddell.

A obra deve reunir quatro textos do Gaiman sobre criatividade e arte, entre eles, essa palestra sobre a importância das bibliotecas; Faça Boa Arte; Making a Chair, um poema sobre a alegria de criar algo e Credo, seu manifesto sobre a liberdade de expressão.

O livro Art Matters já está em pré-venda: https://amzn.to/2SYC1BS 

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