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Destaques

Revolutionary Love: Série coreana de drama explora o abismo que divide as classes sociais

Embora muitos dramas coreanos pequem na representatividade de diversidade racial e deem pouquíssimo espaço para estrangeiros e imigrantes, a série Revolutionary Love (2017) da tvN e no Brasil disponível temporariamente pela Netflix , acaba indo além dos elementos de comédia e romance, mostrando o drama das diferenças de classes sociais , os preconceitos e a possibilidade de imersão nesse mundo desconhecido pelo filho do dono de um dos maiores conglomerados de empresas da Coreia do Sul . A ingenuidade e a ignorância da realidade das classes trabalhadoras tornam o protagonista um tanto embaraçoso, lembrando de forma vaga a jornada de Buda quando conheceu a realidade fora do palácio e foi confrontado com a fome, a doença, a pobreza e a morte. Longe de ser uma série com alguma alegoria espiritual, mas do ponto de vista do comportamento é interessante acompanhar como Byun Hyuk (Choi Si-won) se torna mais empático e humanizado quando seu caminho cruza com o de Baek Joon (Kang So-ra) . E

Livros: A leitura em tempos de inclusão e diversidade

Foi com os livros que pude aprender muito sobre comportamento humano. Há quem menospreze livros de ficção, sem levar em conta o quanto podemos aprender sobre os outros com eles. Se a leitura pode contribuir com a compreensão das diferenças, me perguntou por qual razão ainda há pouco interesse no Brasil.


Apesar de ser uma experiência prazerosa para muitos e desconfortável para outros, os benefícios da leitura deveriam ser suficientes para que a prática fosse incentivada desde a infância e em vários ambientes, levando em conta a importância da inclusão e da diversidade.

Enquanto lia Os Fabulosos X-MEN: A Saga da Fênix Negra, não pude deixar de pensar em como a narrativa dos mutantes sempre me encantou, seja nos diferentes desenhos, nos filmes e jogos, ou nos quadrinhos. Mais do que histórias de ação de super-heróis com poderes, X-MEN nos faz refletir sobre a diversidade e o preconceito, sobre pessoas com variações genéticas tentando sobreviver em uma sociedade nada acolhedora.

Como alguém no espectro autista (Síndrome de Asperger), diagnosticado só aos 29 anos, posso afirmar o quanto os livros fizeram parte da minha vida e me ajudaram a me manter são em tempos ainda tão repletos de preconceitos contra pessoas diferentes. Percebendo ou não, muitos autistas acabam se isolando e ao mesmo tempo sendo isolados pelos outros que não compreendem seus comportamentos e limitações.

Então, esse olhar de estranhamento dificilmente é desconstruído e, muitas vezes, precisa ser desconstruído de dentro para fora, quando a pessoa aceita suas próprias diferenças. Os livros foram um refúgio e uma escola sobre o ser humano, me ensinando muito do que eu não poderia ter aprendido por conta própria sem eles.

Se havia muito preconceito contra histórias em quadrinhos, vejo que nos dias atuais, esses formatos de narrativas têm sido utilizados para tratar de assuntos que nem sempre tem tanto destaque na mídia e que são de importância. Ou seja, independente se ficcional ou se histórias baseadas em experiências reais, o gênero também contribui para a reflexão, fazendo o leitor se colocar no lugar dos personagens e entrando em contato com outras realidades, outras visões de mundo, personalidades e contextos.

A novela gráfica A Diferença Invisível, por exemplo, narra a vida de uma mulher francesa que se descobre no espectro autista na vida adulta (Síndrome de Asperger). O livro que poderia parecer banal em alguns países que já têm tantas informações sobre o assunto, permanece valioso para inúmeros lugares, especialmente o Brasil e a própria França, onde a forte influência da psicanálise e a falta de capacitação sobre a variedade do espectro autista fez com que várias pessoas passassem a vida sem o diagnóstico. Julie Dachez se tornou uma inspiração para centenas de pessoas no espectro autista de diferentes países, afirmando a importância da aceitação de si mesmo e do outro ter um olhar mais.

Leia também: Infográfico: Cronologia da Síndrome de Asperger ao Espectro Autista 

Já o livro Não Era Você Que Eu Esperava, nos leva a uma jornada de um pai que descobre que a filha tem Síndrome de Down. Fabien Toulmé se inspirou em sua própria história de vida em uma obra que mostra os diferentes estágios, desde o luto do filho idealizado até a aceitação. Uma leitura ainda tão importante seja por causa do preconceito ainda tão forte ou de como muitos pais ficam perdidos diante do novo e nem sempre podem contar com o apoio dos outros; isto quando a própria mãe não acaba criando o filho sozinho.

Dizem que leitores de Harry Potter são mais empáticos com as diferenças. Assim como o personagem vai se desenvolvendo ao longo da série de livros e entrando em contato com outras pessoas, o leitor percebe que mesmo em uma escola de magia há tantas personalidades e criaturas.

Um livro que me marcou foi o Todo Dia, no qual um personagem acorda todo dia em um corpo diferente. Dá para imaginar quanta coisa uma pessoa pode aprender ao se colocar na pele do outro? Somos mais do que nossas aparências. Assim como a leitura foi especial para mim, tenho certeza de que mesmo sendo um romance de ficção young-adult, o livro de David Levithan pode ser adotado como uma ótima ferramenta para o desenvolvimento do olhar de empatia.

A fantasia pode ser um conforto em épocas nas quais a realidade é muito pesada. Mas mais do que mero escapismo, os livros nos dão a oportunidade de nos tornarmos melhores seres humanos. Se é verdade que as máquinas irão substituir muitos trabalhadores e serem cada vez mais inteligentes; talvez ainda haja algo que seja um diferencial para a nossa existência: a empatia e a aceitação da diversidade humana.

Como alguém que ama ler e escrever, só posso ser grato por todo tempo na companhia dos livros. A cada página virada, a cada história lida, pude descobrir e me redescobrir e me tornar mais flexível em um mundo ainda tão segregador. A cada dia, livros e mais livros com personagens diversos são publicados em vários idiomas, mas para que a magia funcione, é preciso que mais pessoas ousem ler e entrar em contato com o diferente.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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