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Destaques

12 Graphic Novels que você precisa ler

Começou como uma forma de experimentação na leitura. Apesar de gostar de tirinhas, nunca tinha me aventurado pelo universo das graphic novels, como aconteceu há alguns anos – pelo menos, não de forma que me interessasse.

Percebo que cada vez mais pessoas estão se interessando pelos diferentes formatos de narrativas. Acho válida toda forma de contação de histórias e acredito que elas podem criar experiências complementares. Há espaço para todos gostos.


Com doze indicações de leitura, dá para ler um livro por mês ou ler todos em um só mês, dependendo do ritmo de leitura e da fome por histórias de cada um. Entre temáticas mais sociais e outras mais fantasiosas, as graphic novels podem ser uma porta de entrada para outros livros, como podem ocupar um espaço central no coração de quem é aficionado por histórias ilustradas.

Histórias que podem ir muito além de um passa-tempo, como se acreditava antigamente, mas também proporcionar reflexões sobre a vida, juntando o melhor dos dois mundos: d…

Palestra com a autista Julie Dachez, autora do livro A Diferença Invisível e Doutora em Psicologia Social

Perdi a conta de quantas vezes já indiquei o livro da Julie Dachez aqui no meu blog e nas redes sociais. A Diferença Invisível é uma graphic novel que aborda um assunto importante e muito negligenciado em vários países do mundo, como na França, no Brasil e nos Estados Unidos: a vida de pessoas com Síndrome de Asperger (espectro autista) que só descobriram o diagnóstico depois de adultos, a dificuldade de encontrar profissionais que entendam do assunto e os preconceitos de quem não sabe lidar com a informação.


Quem já leu o livro da Julie Dachez, percebe que ela tem uma visão bem crítica sobre a pressão que a sociedade impõe às pessoas que são diferentes. Em sua palestra, ela mantém firme esse pensamento e leva o espectador a refletir sobre os comportamentos de neurotípicos (não-autistas), de maneira similar a que fazem com pessoas no espectro autista.

O que para alguém por fora das confusões que existem no mundo do universo do autismo pode parecer uma revolta sem motivos, na verdade, representa uma mudança do paradigma. Pessoas no espectro autista de diferentes países têm levantado questões sobre a neurodiversidade – a importância da aceitação de diferenças neurológicas.

Alguns países têm histórico de abusos físicos, psicológicos, internações involuntárias, dificuldade de acesso aos tratamentos de saúde e diagnósticos, efeitos colaterais por excesso de medicamentos (nos casos em que não há necessidade), tratamentos controversos sem comprovação científica e teorias ultrapassadas alimentadas pela psicanálise, como a da mãe-geladeira. O que para algumas pessoas poderia parecer algo do passado, além de ser alvo de investigações em alguns lugares, em outros, ainda é naturalizado.

Julie Dachez pergunta a audiência como eles se sentiriam se fossem estigmatizados por serem do jeito que são: por gostarem de jogar conversa fora e terem tanta necessidade de socialização.  Ela comenta que passou a vida inteira com a sensação de inadequação (não se sentir boa o suficiente) e explica que se as pesquisas se focassem na inclusão, muitos autistas teriam uma vida digna e seus direitos respeitados.

“Você pode imaginar viver em um mundo onde você é a minoria? [...] Onde as pessoas vão te dizer coisas como, "você não parece neurotípico"; ou, eu sei tudo sobre pessoas neurotípicas, porque eu assisti uma temporada inteira de Friends” – Julie Dachez

Por causa da falta de investimento em conscientização e inclusão, ela relembra que muitas pessoas no espectro autista estão fora do mercado de trabalho e muitos autistas estão condenados a uma vida de solidão, pobreza e exclusão. Julie Dachez também comenta sobre como os critérios de diagnósticos de autismo estão orientados no gênero masculino e como muitas meninas e mulheres podem passar a vida toda sem diagnóstico por causa disso.

Julie diz que sabe que nem todo mundo no espectro autista tem as mesmas características, mas que isso não significa que as pessoas não deveriam questionar os critérios éticos de pesquisas. Ela afirma que não teria conquistado várias coisas, como áreas de conhecimento, se não fosse pelas características de quem está no espectro autista, como o hiperfoco, sensibilidade e criatividade.

“Eu gostaria de viver em um mundo no qual eu possa ser eu mesma. Onde minha voz importa. Onde eu possa ter o suporte que eu preciso [...] Onde eu não tenha que lutar contra estereótipos e discriminação todo santo dia, este é o mundo que nós temos que construir [...] “Você não é uma doença que precisa ser curada. Você é o suficiente” – Julie Dachez

Assista a palestra Can you imagine a world where you are the minority? (Você pode imaginar um mundo onde você é a minoria?), Julie Dachez:




Assista ao meu vídeo sobre o livro A Diferença Invisível:




Alguns textos sobre autismo publicados aqui no blog:



Passarinha: Livro sobre garota autista e seu pai lidando com o luto

4 Curiosidades do livro O Cérebro Autista

Diversidade Invisível: Assista a palestra com autista diagnosticada aos 35 anos

Autismo: Livro de memórias escrito por mulher com diagnóstico tardio de Asperger

5 Vídeos de Conscientização sobre Autismo e crises

13 Livros sobre Autismo que poderiam ser traduzidos para o Brasil

A Diferença Invisível: Tirinha sobre Síndrome de Asperger e o preconceito

5 Motivos para Ler O Que Me Faz Pular (Naoki Higashida)

Síndrome de Asperger: Adam, adulto com autismo e os relacionamentos

Síndrome de Asperger: Guia do especialista mundial em autismo, Tony Attwood

Autismo: Curta de animação para crianças explora a neurodiversidade

The Good Doctor: Personagem autista médico e o preconceito

Autismo no cinema: Filme Tudo Que Quero faz estreia tímida no Brasil

Asperger na adolescência e amizade são temas do livro Em Algum Lugar nas Estrelas

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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