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Destaques

Resenha: Candyman – Clive Barker

Um presente para os leitores de Clive Barker, assim é a edição para colecionadores de Candyman, publicada pela editora DarkSide Books, em janeiro de 2019, com tradução de Eduardo Alves e posfácio de Carlos Primati.


Encontre o livro Candyman (Clive Barker): https://amzn.to/2ZdA32y

Candyman (The Forbidden) é um conto, portanto a leitura é enxuta, mas envolvente, e transporta o leitor para o clima de lendas urbanas. Embora já não sejam mais comuns na tradição oral e tenham ganhado o ambiente virtual, histórias sobre acontecimentos assustadores e questionáveis fazem parte da existência humana.

Com uma atmosfera sombria e mais urbana, Clive Barker leva o leitor ao gueto, onde a violência e a criminalidade por si só já contrastam com a realidade de outros bairros da cidade e acabam tão banalizadas que a história faz a personagem principal, Helen, se interessar pelo caso contado por uma das moradoras.

“E as histórias que contaram para ela – seriam confissões de crimes não cometidos, relatos do …

Palestra com a autista Julie Dachez, autora do livro A Diferença Invisível e Doutora em Psicologia Social

Perdi a conta de quantas vezes já indiquei o livro da Julie Dachez aqui no meu blog e nas redes sociais. A Diferença Invisível é uma graphic novel que aborda um assunto importante e muito negligenciado em vários países do mundo, como na França, no Brasil e nos Estados Unidos: a vida de pessoas com Síndrome de Asperger (espectro autista) que só descobriram o diagnóstico depois de adultos, a dificuldade de encontrar profissionais que entendam do assunto e os preconceitos de quem não sabe lidar com a informação.


Quem já leu o livro da Julie Dachez, percebe que ela tem uma visão bem crítica sobre a pressão que a sociedade impõe às pessoas que são diferentes. Em sua palestra, ela mantém firme esse pensamento e leva o espectador a refletir sobre os comportamentos de neurotípicos (não-autistas), de maneira similar a que fazem com pessoas no espectro autista.

O que para alguém por fora das confusões que existem no mundo do universo do autismo pode parecer uma revolta sem motivos, na verdade, representa uma mudança do paradigma. Pessoas no espectro autista de diferentes países têm levantado questões sobre a neurodiversidade – a importância da aceitação de diferenças neurológicas.

Alguns países têm histórico de abusos físicos, psicológicos, internações involuntárias, dificuldade de acesso aos tratamentos de saúde e diagnósticos, efeitos colaterais por excesso de medicamentos (nos casos em que não há necessidade), tratamentos controversos sem comprovação científica e teorias ultrapassadas alimentadas pela psicanálise, como a da mãe-geladeira. O que para algumas pessoas poderia parecer algo do passado, além de ser alvo de investigações em alguns lugares, em outros, ainda é naturalizado.

Julie Dachez pergunta a audiência como eles se sentiriam se fossem estigmatizados por serem do jeito que são: por gostarem de jogar conversa fora e terem tanta necessidade de socialização.  Ela comenta que passou a vida inteira com a sensação de inadequação (não se sentir boa o suficiente) e explica que se as pesquisas se focassem na inclusão, muitos autistas teriam uma vida digna e seus direitos respeitados.

“Você pode imaginar viver em um mundo onde você é a minoria? [...] Onde as pessoas vão te dizer coisas como, "você não parece neurotípico"; ou, eu sei tudo sobre pessoas neurotípicas, porque eu assisti uma temporada inteira de Friends” – Julie Dachez

Por causa da falta de investimento em conscientização e inclusão, ela relembra que muitas pessoas no espectro autista estão fora do mercado de trabalho e muitos autistas estão condenados a uma vida de solidão, pobreza e exclusão. Julie Dachez também comenta sobre como os critérios de diagnósticos de autismo estão orientados no gênero masculino e como muitas meninas e mulheres podem passar a vida toda sem diagnóstico por causa disso.

Julie diz que sabe que nem todo mundo no espectro autista tem as mesmas características, mas que isso não significa que as pessoas não deveriam questionar os critérios éticos de pesquisas. Ela afirma que não teria conquistado várias coisas, como áreas de conhecimento, se não fosse pelas características de quem está no espectro autista, como o hiperfoco, sensibilidade e criatividade.

“Eu gostaria de viver em um mundo no qual eu possa ser eu mesma. Onde minha voz importa. Onde eu possa ter o suporte que eu preciso [...] Onde eu não tenha que lutar contra estereótipos e discriminação todo santo dia, este é o mundo que nós temos que construir [...] “Você não é uma doença que precisa ser curada. Você é o suficiente” – Julie Dachez

Assista a palestra Can you imagine a world where you are the minority? (Você pode imaginar um mundo onde você é a minoria?), Julie Dachez:




Assista ao meu vídeo sobre o livro A Diferença Invisível:




Alguns textos sobre autismo publicados aqui no blog:



Passarinha: Livro sobre garota autista e seu pai lidando com o luto

4 Curiosidades do livro O Cérebro Autista

Diversidade Invisível: Assista a palestra com autista diagnosticada aos 35 anos

Autismo: Livro de memórias escrito por mulher com diagnóstico tardio de Asperger

5 Vídeos de Conscientização sobre Autismo e crises

13 Livros sobre Autismo que poderiam ser traduzidos para o Brasil

A Diferença Invisível: Tirinha sobre Síndrome de Asperger e o preconceito

5 Motivos para Ler O Que Me Faz Pular (Naoki Higashida)

Síndrome de Asperger: Adam, adulto com autismo e os relacionamentos

Síndrome de Asperger: Guia do especialista mundial em autismo, Tony Attwood

Autismo: Curta de animação para crianças explora a neurodiversidade

The Good Doctor: Personagem autista médico e o preconceito

Autismo no cinema: Filme Tudo Que Quero faz estreia tímida no Brasil

Asperger na adolescência e amizade são temas do livro Em Algum Lugar nas Estrelas

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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