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Destaques

Resenha: Como Parar o Tempo – Matt Haig

Já imaginou quantas experiências boas e ruins alguém é capaz de viver quando sua existência dura mais do que a dos outros? No livro Como Parar o Tempo (How to Stop Time), do autor Matt Haig, o leitor é levado a conhecer as vivências de Tom Hazard, um homem que sabe muito mais do que pode contar aos outros e passa por um constante processo de reinvenção de si mesmo. A obra foi publicada no Brasil pela Editora Harper Collins, em 2017, com tradução de Carla Bitelli e Flávia Yacubian.


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Segredos podem ser pesados. Tão difícil quanto carregar memórias dolorosas que o assombram constantemente, para Tom, a ideia de não poder contar para outras pessoas sobre sua verdadeira identidade é algo que o provoca desconforto. Da mesma lição já aprendida com histórias de vampiros e imortais, ter uma vida longa pode ser cobiçada por algumas pessoas, mas pode ser visto como uma maldição para outras.

Quanto tempo é muito? Se em uma vida, …

Resenha: O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas – Aaron Mahnke

O livro O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas é uma boa leitura para quem gosta de lendas urbanas, superstições, folclores e acontecimentos estranhos. A obra foi escrita por Aaron Mahnke, criador de um podcast/série chamado Lore e foi publicada pela editora DarkSide Books, em 2019, com tradução de Débora Isidoro.


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O medo e as lendas fazem parte da história da humanidade. Talvez nos dias atuais, inundados pela tecnologia, um pouco tenha se perdido dessa tradição de contar histórias e as narrativas orais tenham sido substituídas por livros, filmes, séries, documentários, audiobooks e demais histórias publicadas em plataformas midiáticas, mas creio que em algumas regiões mais isoladas e com menos acesso à tecnologia, a prática ainda seja comum.

Se atualmente temos muito mais acesso aos conhecimentos científicos, às informações sobre os funcionamentos da mente e de como somos afetados pela influência coletiva, em séculos passados as pessoas viviam surpresas e aterrorizadas com acontecimentos que não sabiam explicar.

“Poucas coisas podem unir uma cidade como o medo. A histeria se espalha, da mesma forma que a praga por toda a Europa, no século VXII. Mas essa não é a parte incomum. O que é realmente estranho é a profundidade que as pessoas descem para acreditar nesses medos. Com que facilidade concordam com o clamor público e acreditam em tudo que ouvem [...]  O medo, mesmo quando é  construído sobre mentiras, pode se espalhar como fogo” – Aaron Mahnke, O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas

Objetos estranhos, barulhos sem explicação, presenças e criaturas, o livro traz um pouco de cada história que deixou sua marca nas vidas de pessoas de diversas regiões e acabou servindo de inspiração para variações de histórias mais modernas sobre fantasmas, criaturas lendárias e acontecimentos que foram se espalhando e moldando as percepções das pessoas que moravam nesses lugares.

Confesso que achei que a leitura seria mais prazerosa do que foi. Talvez tenha sido o timing, talvez eu tenha colocado muitas expectativas por antes ter assistido ao seriado e o podcast de Lore. A leitura é prazerosa, mas entre histórias envolventes e outras não tão envolventes, somos levados para histórias que nos dias atuais parecem absurdas, enquanto outras ressoam às experiências vistas em filmes de terror, livros e até mesmo nas tradições orais brasileiras, levando em conta nosso contexto.

“Os fantasmas são um conceito tão antigo quanto o tempo. As pessoas que amamos passam um tempo aqui, e depois se vão, e os seres humanos sempre tiveram dificuldade para entender o que acontece com elas depois da morte. Talvez as histórias de fantasmas sejam uma maneira de lidarmos com nossa solidão e com a perda. Talvez sejam nossa maneira de nos preparar para nossa morte iminente. Devemos ir a algum lugar, certo? Estamos prontos? Seremos perdoados?” – Aaron Mahnke, O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas

O Mundo de Lore me fez pensar em como essas experiências além de serem muito subjetivas, também podem divergir em questões como plausabilidade, entretenimento e horror – algo que o próprio autor do livro admite ao contar que poucas coisas o fazem sentir medo. Para os curiosos, creio que a obra serve como uma ótima forma de consultar casos supostamente paranormais e aos contadores de histórias, quem sabe Lore não sirva de inspiração para explorar mais esses mistérios ou entender melhor sobre como as pessoas e suas mentes funcionam quando estão com medo.

O medo nos faz humanos. Ao longo da vida, dificilmente alguém não passou ou não conhece alguém que passou por algo que não soube explicar de forma lógica. Para alguns, esses acontecimentos logo são varridos para o canto da mente; para outros, permanecem marcados de tal forma que quando outra pessoa conta um caso, essa troca de experiências se torna possível. Lore é como conversar com um velho conhecido: algumas histórias te deixam querendo saber mais, enquanto outras, você torce para que ele pare de contar pela décima vez a mesma história de sempre.

“Durante milhares de anos, as pessoas desconfiaram de que seus infortúnios podiam ser culpa de criaturas pequenas e intrometidas. Tinham medo delas, contavam histórias sobre elas e faziam de tudo para proteger seus lares dessas criaturas. Mas, durante todo esse tempo, essas histórias não pareciam ser mais que isso” – Aaron Mahnke, O Mundo de Lore: Criaturas Estranhas

Seja com um olhar cético ou paranormal, como alguém que adora escutar essas histórias ou alguém que adora contar suas próprias, creio que do mesmo modo que nos envolvemos de forma diferente com essas lendas, a experiência de leitura também será diferente e faz parte não só do que é intencional do autor, mas da bagagem que todos nós carregamos e do que nos desperta interesse ou leva à apatia.


A nível de curiosidade, Aaron Mahnke cumpre bem o seu papel de garimpeiro. Dentro das narrativas, cabe ao leitor se permitir. Seja pela razão ou pela emoção, Lore fisga ao mostrar como algumas histórias podem afetar várias pessoas: o medo pode provocar pavor, paralisar e deixar as pessoas na defensiva, como também pode levar ao ataque do desconhecido, às acusações e à paranoia. Para quem quer se aprofundar mais, o autor deixou as referências. E aos que assim, como eu, ficaram curiosos por mais histórias, vale lembrar que este é o primeiro de outros livros escritos por Aaron Mahnke do universo de Lore.

Ao lembrar o passado, Aaronn Mahnke nos ajuda a entender como alguns resquícios permanecem vivos no presente e como a fabulação tem sua função para ajudar as pessoas a lidarem com traumas, acontecimentos estranhos e com o inesperado, quer as pessoas estejam conscientes disso ou não.

Sobre o autor – Aaron Mahnke é o escritor, apresentador e produtor de Lore, bem como o autor de uma série de suspense sobrenatural. Tem amor profundo pelo misterioso e pelo assustador, que começou com Unsolved Mysteries e Arquivo x — amor que se mantém até hoje. Basicamente, é um nerd para qualquer coisa inexplicável ou sobrenatural. Mahnke vive com a família na região histórica de North Shore, em Boston, o coração do território de H.P. Lovecraft e o epicentro dos julgamentos das bruxas de Salem.

Sobre o ilustrador – M. S. Corley é ilustrador e capista de livros, fascinado por folclore, pelo sobrenatural e por todas as coisas estranhas. Já ilustrou dezenas de obras, entre elas Darkness There: Selected Tales by Edgar Allan Poe e Never Bet The Devil& Other Warnings, de Orrin Grey. Ele assombra a região central do estado de Oregon (EUA) com a esposa, a filha, o filho e uma gata chamada Dinah.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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