Pular para o conteúdo principal

Destaques

Autismo: Entre fofocas e intrigas

Aviso aos bonitos e bonitas que sempre jogam meu nome e dos colegas nos grupos de Facebook e WhatsApp: alguém de vocês sempre solta algo e de um jeito ou de outro, chega até mim.


Minha dica é: quer falar mal? Fala à vontade. Se quiser, eu falo junto. Não tenho vergonha de fazer autocrítica, aliás, recomendo a todos.

Agora, se me difamar e/ou queimar minha reputação, o bicho pega.

Nesta página, não trabalho com indiretas. Só com diretas mesmo.

Já disse que nem todo autista é bonzinho, né? 😈

Dica para os anjinhos e neurotípicos: Arranjem hobbies e outros hiperfocos, ocupem a cabeça com outras coisas que não sejam só esse mundinho de intrigas do autismo.

Um grande filósofo pós-moderno, Benstein Oliveira disse que a fofoca viaja à velocidade da luz e que ela vem de todos cantos e cores do autismo. Nem WhatsApp eu uso, mas as conversas de lá sempre chegam aqui. Por que será, gente?

Formado em Harvard na arte das fofocas chegarem até mim. Parece que sou ímã para embuste.


Para os trolls que…

Resenha: Ed e Lorraine Warren: Lugar Sombrio – Ray Garton

Relatos de casas mal-assombradas despertaram há séculos e ainda despertam o interesse das pessoas de diferentes lugares do mundo. Escrito por Ray Garton com base nos relatos de Carmen Reed e Al Snedeker, o livro Lugar Sombrio (In a Dark Place), conta a história de um dos casos investigados por Ed e Lorraine Warren, que ficou conhecido como a Assombração de Connecticut e serviu de inspiração para o filme de terror, Evocando Espíritos. Essa edição foi publicada pela Darkside Books no Brasil.


Como sempre acontece com leituras sobre essas temáticas, o que influencia bastante se você vai gostar ou não do livro, é se você acredita ou não em fenômenos paranormais. Eu quis ler esse livro, porque eu tenho curiosidade sobre o assunto e também porque eu sou escritor de terror e acaba servindo como material de pesquisa para o próximo livro que estou escrevendo. Se você é cético e/ou não gosta de histórias de terror, talvez Lugar Sombrio não seja o livro mais adequado para você.

Minha curiosidade sobre os Warrens já me levou a pesquisar sobre a vida do casal para outras postagens aqui no blog. Esse livro coloca em dúvida o que realmente teria acontecido lá. Não dá para afirmar que tudo foi inventado, mas parte das histórias foram ficcionalizadas, o que já deixaria de lado a classificação de não ficção. Mas, se você também é curioso, como eu e gosta de filmes de terror sobre casas mal-assombradas, vale a pena ler mesmo assim. Em vez de ler acreditando em tudo o que está escrito, você pode pensar como um livro de terror light: light, por que? Porque o autor não teve liberdade completa. Não é 100% ficcional, mas também podemos dizer que não é uma história confiável.

Em algumas entrevistas, o escritor de terror, Ray Garton contou que fechou um contrato para escrever essa história. Eu vou resumir a questão, mas quem quiser pode procurar na internet. Quem assistiu ao meu vídeo com curiosidades sobre Ed e Lorraine Warren já me ouviu falar nisso. Ray Garton disse que a história contada pela família não batia e quando ele procurou o Ed, o demonologista disse que as pessoas que os procuravam eram loucos e que ele deveria usar o que ele tinha e inventar o resto, pois ele tinha sido contratado para escrever um livro assustador. Para quem é cético, isso acaba sendo uma prova de que o charlatanismo estava presente na carreira dos Warrens. Para quem acredita, uma possível explicação seria como o evento traumatizou a família e como experiências são únicas – toda memória acaba sendo uma forma de ficção, já que ela nem sempre é fiel e diferentes pessoas se lembram dos mesmos acontecimentos de acordo com suas percepções na época.

Tendo essas informações iniciais em mente, lugar sombrio é um livro que conta a história de uma família que se mudou para uma casa que antes era uma funerária. O primeiro a experimentar os acontecimentos estranhos na casa é o Stephen, um garoto que eles descobrem que tinha câncer. Grande parte do livro se foca nos problemas que eles tiveram com o adolescente, porque ninguém acreditava nas coisas que ela dizia ver até acontecer o mesmo com eles.

“Independentemente de onde Stephen fosse dentro de casa, ele não conseguia afastar a vaga sensação de que havia outra coisa ali, uma presença que não era a da família, algo que os observava... talvez esperando por algo. Porém, ele não compartilhou essas sensações com quem quer que fosse, em grande parte porque estava muito óbvio que ninguém acreditaria nele” – Lugar Sombrio, Ray Garton

Ao longo da leitura dá para perceber que a família tinha lá seus problemas, especialmente envolvendo o álcool, entre outras questões mais delicadas que são exploradas. E a dinâmica entre eles mostra um pouco também alguns dos preconceitos da época, que explicam a mudança de comportamento do garoto, como em relação ao Metal – roupas e músicas. Talvez para os leitores mais novos não seja tão familiar esse preconceito, mas na época em que o livro foi escrito, as igrejas, escolas e religiosos associavam alguns gêneros musicais a coisas negativas.

Não tem como falar muito sem tirar toda a graça da leitura, mas o livro começa a ficar mais emocionante quando as coisas fogem de controle e diferentes membros da família presenciam os fenômenos estranhos, a ponto de eles procurarem Ed e Lorraine Warren em busca de ajuda. Mesmo nos estágios iniciais, Stephen é descreditado, seja por sua doença ou pelos seus comportamentos da adolescência.

“Às vezes, o cheiro de carne podre ou de fezes humanas os atacava em uma ou outra parte da casa, um odor tão denso e lacrimejante que eles tinham certeza de que, se olhassem para baixo, se encontrariam em pé em uma pilha de imundices apodrecidas e em decomposição. Contudo, nunca havia algo no chão em volta deles, e o odor durava apenas alguns instantes, um fedor revoltante soprado por uma brisa, ali em um momento, passado no seguinte, quase uma provocação” – Lugar Sombrio, Ray Garton

Quando você se conecta com a história, é difícil não ficar curioso para saber o que vai acontecer Se você gosta de histórias com temática sobrenatural, há alguns elementos em comum, como as manifestações que poderiam ser causadas por poltergeists, mas que, segundo os investigadores e a família, eram espíritos malignos. Cheiros estranhos, sombras, barulhos, vozes, toques... Dá para imaginar?

As partes mais interessantes são as mais curtas. Gostaria que o autor tivesse explorado mais as reações da Lorraine Warren. Acredito que a clarividência dela seria um diferencial bem grande para o livro. O livro se foca mais na percepção da família, mas não deixa de ser envolvente, apesar de ser bem difícil simpatizar com os personagens, especialmente por uma possível relação com o que está acontecendo – pessoas reais têm falhas e mesmo nem sempre ficando explícitas, nas entrelinhas, dá para perceber o papel de Carmen e Al nos conflitos internos.

“Atravessando a rampa de concreto – as sensações ruins ficando mais sombrias –, entrou no cômodo seguinte, onde a talha elétrica esperava cadáveres encaixotados que nunca seriam erguidos outra vez, e onde o poço de sangue esperava fluidos corporais que nunca mais seriam derramados pelas laterais inclinadas; então seguiu para o cômodo contíguo, o cômodo no qual, sem que Lorraine soubesse, cadáveres costumavam ser embalsamados. Foi ali, naquela sala pequena e escura com piso de concreto, que ela por fim foi atingida, onde a coisa pela qual estivera esperando a abraçou com braços enregelados e a prendeu, rígida e imóvel, em uma visão embaçada e de gelar os ossos” – Lugar Sombrio, Ray Garton

Ray Garton conseguiu tornar a história envolvente. Não dá para saber exatamente quais partes foram influenciadas por sua imaginação ou não, já que como ele mesmo contou, precisou preencher os vazios e foi contratado para deixá-la assustadora. Uma coisa é certa: como escritor, ele não parece ter se orgulhado de ter participado de um projeto que não fosse transparente. Acredito que se no projeto original tivessem categorizado o livro como ficção, sua reação seria outra, até porque mesmo após a publicação do livro, ele continuou se aventurando na escrita de terror. Entre as habituais suspeitas, o que nos intriga é que somente quem realmente passou por algo assim poderia dizer a verdade, mas nem todos narradores são confiáveis.

*Este exemplar foi enviado pela editora DarkSide Books, para que eu pudesse ler e resenhar para vocês

Sobre os autores – Ed e Lorraine Warren tiveram experiências sobrenaturais enquanto cresciam em Connecticut. Começaram a namorar no ensino médio, e em seu décimo sétimo aniversário Ed se alistou na Marinha norte-americana para servir na Segunda Guerra Mundial. Poucos meses depois seu navio afundou no Atlântico Norte, e ele foi um dos poucos sobreviventes. Logo depois, Ed e Lorraine se casaram e tiveram uma filha. Em 1952, fundaram a New England Society for Psychic Research, o mais antigo grupo de caça-fantasmas na Nova Inglaterra. De Amityville a Tóquio, eles estiveram envolvidos em milhares de investigações e exorcismos sancionados pela Igreja em todo o mundo. Eles dedicaram suas vidas e seus talentos extraordinários para ajudar a instruir outros e lutar contra forças demoníacas sempre que chamados. Ed e Lorraine Warren também escreveram Graveyard, Ghost Hunters, The Haunted, Werewolf e Satan's Harvest. Deles, a DarkSide Books publicou Ed e Lorraine Warren: Demonologistas.

Carmen Reed e Al Snedeker – moraram com os quatro filhos em Connecticut. Eles por fim se mudaram de casa e não vivenciaram qualquer atividade paranormal desde então.

Ray Garton – vem escrevendo romances, novelas, contos e ensaios há mais de trinta anos. Seu trabalho se estende pelos gêneros de terror, policial, suspense e até mesmo comédia. Seus títulos incluem Live Girls, Ravenous, The Loveliest Dead, Sex and Violence in Hollywood, Meds e, o mais recente, Frankenstorm. Seus contos apareceram em revistas e antologistas, e foram reunidos em livros como Methods of Madness, Pieces of Hate e Slivers of Bone. Ele foi nomeado para o Bram Stoker Award, e em 2006 recebeu o Grand Master of Horror Award. Vive no norte da Califórnia com a esposa, onde atualmente trabalha em diversos projetos, incluindo um novo romance.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e do livro de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1), disponível no Wattpad.

Comentários

Mais lidas da semana