Quando foi a última vez que você fez algo por si mesmo? Às vezes, achamos que precisamos de um apoio externo, que sozinhos não damos conta, mas nem sempre é a realidade. Olhando alguns anos para trás, eu só imaginaria que teria força de vontade para parar de fumar cigarro por causa de alguém, mas há um ano e um mês eu descobri que poderia simplesmente parar, por vontade própria, mesmo que os outros não soubessem disso. Parece algo tão bobo, mas foi algo muito importante. Continuar firme, seguindo sem parar de fumar cigarro, mesmo quando em um dia, ou outro, parecia mais difícil. A verdade era que em um ato de acolher a si mesmo, decidira que tivera o suficiente de cigarro em sua vida. No início, não fazia ideia se ia conseguir parar de fumar cigarro. Agora, sabia que não tinha prever as situações, mas que existiam modos e modos de lidar com as coisas. A verdade era que o cigarro contava uma ótima mentira. Mentia que ajudava com a ansiedade, quando no fundo ele também era responsável po...
Livros são companheiros para todos momentos, para a vida toda
Fiz essa foto em 2011, durante uma viagem em Viena. Fui com um ex-namorado também jornalista (na época eu só era estudante de jornalismo) que organizou essa jornada louca. Foi uma experiência marcante para mim.
Hoje é Dia Mundial do Livro e essa foto ainda me assombra depois de todos esses anos. Eu me lembro de pensar: Quero viver nessa tranquilidade, lendo sob o sol (lá a sensação térmica é menor, parecia que o sol 'queimava menos'), sem se importar com os olhares dos outros.
Uma cena assim, é quase impossível no Brasil, sem despertar os olhares de estranhamento. A foto foi tirada em uma praça pública, perto de uma via principal. De todo jeito, pensei: “You go, girl. Meu espírito animal”.
Na data de hoje, poderia falar só das minhas obras, mas prefiro falar de maneira geral: os livros me salvaram, me salvam e me salvarão.
Leio quando estou triste, feliz, apaixonado, irritado, solitário, doente, saudável, equilibrado, ansioso, deprimido, em paz e por aí vai.
Não consigo imaginar minha vida sem os livros. Tornar-se escritor foi uma escolha que me trouxe consequências nem sempre positivas, especialmente financeiramente, mas posso dizer que emocionalmente, a experiência de proporcionar um prazer semelhante ao que outros autores me proporcionaram, é incrível.
Adoro ver os leitores se envolvendo com minhas histórias, se emocionando, perdendo o sono, virando a madruga lendo, rindo, xingando os personagens, dizendo que eu devo ter espiado eles na hora de escrever o personagem e por aí vai.
Então, nesse tempo de pandemia, vale a pena refletir sobre como a vida de escritores nem sempre é fácil, mas no Brasil, é mais complicada ainda.
Valorizem escritores, mas não só autores, todos que se dedicam à arte. Muitos desistem da jornada por falta de retorno e exige muita saúde mental lidar com a produção criativa.
Em tempos caóticos, a arte pode nos salvar ou pode exigir uma energia que não temos para criar.
Fica a reflexão para hoje: já parou para pensar em como os livros, ao mesmo tempo em que são datados, podem permanecer vivos em várias gerações?
Estou com vergonha de falar isso, mas ainda não consegui terminar de ler O Café da Manhã dos Campeões, do Kurt Vonnegut. Minha mente tá hiperfocada em música e desfocou do livro :( Mas logo logo termino e quero reler uns trechos de O Oceano no Fim do Caminho, do Neil Gaiman.
E você, o que está lendo neste Dia Mundial do Livro? O que pretende ler em breve?
Hoje acordei nostálgico. TBT com os colegas das Letras da UFMS. Me proporcionaram momentos de bastante diversão, trocas de conhecimentos e parceria para tomar cafezinhos. Foto tirada há cinco anos na universidade.
Memórias aleatórias: talvez, só talvez, se eu soubesse que era autista com altas habilidades (a gente tem como características tretar com professores), eu não teria parado Letras e minha vida teria sido completamente diferente nos últimos anos. Meditando sobre isso.
O professor deu uma avaliação de Literatura com matéria para decorar, pedindo títulos dos contos e eu questionei o método de avaliação. Ele ficou bravo e disse para eu dar aula no lugar dele haha Pessoas no espectro podem ser 'literais' e eu respondi de volta que daria com prazer.
Alguns de nós, não suportamos injustiças. Esse professor fazia os alunos chorarem. Minhas notas com ele, sempre eram boas, mas mais de 80% da sala estava reprovada e eu ficava indignado com o silêncio das pessoas. Ninguém queria reclamar, pois tinham medo.
Mais um lembrete de que o diagnóstico pode fazer muita diferença seja para autoconhecimento ou compreensão dos nossos comportamentos.
Sobre o autor – Ben Oliveira foi diagnosticado autista (Síndrome de Asperger) aos 29 anos, é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.