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Destaques

Seis meses sem cigarro

Seis meses sem cigarro. Há um tempo parecia algo impossível de alcançar e aqui estava ele: estaria mentindo se dissesse que ainda não tinha fissura, mas havia conseguido controlar bem mais como nunca imaginara antes. Seis meses davam uma sensação boa. Seis meses sem fumar um cigarro, mesmo passando por inúmeras situações de estresse e de ansiedade. Seis meses aprendendo a regular as emoções de forma a não descontar no vício. Os meses iam passando. Datas que antes pareciam impossíveis se tornam reais. Já imaginara quando seria quando completasse um ano sem cigarro. Ia escrevendo para comemorar e lembrar que os pequenos dias também importavam. Escrevia para lembrar que o difícil não era impossível e qualquer um poderia conseguir se livrar do cigarro, por mais difícil que parecesse no início. Escrevia para agradecer a si mesmo por ter se libertado de algo que fazia tão mal e muita gente ainda acreditava que fazia bem. Escrevia para deixar claro que não queria voltar atrás e mesmo nos dias...

Criminoso mentiroso patológico, falso serial killer é tema de minissérie documental da Netflix

The Confession Killer (O Assassino Confesso) é o título de uma minissérie documental sobre o caso de um criminoso que foi visto com bons olhos pela polícia por ajudá-los a encerrar centenas de casos criminais que estavam em aberto, mas o que parecia ser bom demais para ser verdade, era pior do que imaginavam. Dirigida por Robert Kenner e Taki Oldham, a série de 2019 foi distribuída pela Netflix.

Ao longo de cinco episódios, a minissérie documental narra a história incomum de um homem que supostamente teria matado centenas de pessoas. Assassinos em série costumam atrair a atenção da mídia, já que seus crimes chocam a população e geram audiência; mas, diferente de quando adoram culpar jornalistas pelo foco que dão para serial killers, o mais chocante do caso foi saber que a polícia do Texas estava envolvida na criação do maior assassino da história dos Estados Unidos.

Como é possível dizer que o caso foi um circo midiático se quem passava as informações era a polícia norte-americana? Essa minissérie serve como um ótimo alerta sobre a importância da ética, como alguns órgãos se protegem, como a justiça pode ser falha e como as necessidades de atenção e reconhecimento podem ser desastrosas para investigações da polícia. 

Embora o caso tenha acontecido há mais de 20 anos, por volta de 1983, e era bem menor a quantidade de recursos tecnológicos disponíveis para auxiliar as investigações criminais, é impossível não se colocar no lugar da família das vítimas e não se revoltar com as condutas que deveriam ser investigadas, mas foram ignoradas. 

Um caso como o do Henry Lee Lucas nos dias atuais dificilmente passaria despercebido pela velocidade com a qual as informações viajam pela internet, facilidade de conferir se os dados batiam, ajuda da população com possíveis testemunhas, cobrança por injustiça e impunidade.

As gravações da época e as entrevistas – tanto da década de 80, quanto dos anos recentes – ajudam na identificação de como desde o início a investigação foi duvidosa. Alguns entrevistados alegaram que não houve falta de responsabilidade da polícia e que se foram enganados pelo criminoso, foi porque queriam acreditar, mas as descobertas e declarações do próprio Henry Lee Lucas contradizem.

Se Henry Lee Lucas tivesse realmente matado tantas pessoas quanto alegou e se envolvido nas centenas de crimes, sua história seria chocante não só para os Estados Unidos, mas para o resto do mundo. Porém, graças aos profissionais que duvidaram, descobriram não só que ele era mentiroso patológico, como que ele tinha uma série de privilégios na prisão e conseguia inventar histórias sobre os crimes porque tinha acesso às fichas dos crimes.

Criminoso? Sim. Serial killer? Não. Henry Lee Lucas foi condenado à pena de morte, mas sua pena mudou para prisão perpétua graças ao governador da época, George W. Bush. Seria mais escandaloso ainda se ele tivesse sido executado e só depois descobrissem as mentiras.

Longe de romantizar ou glamorizar o criminoso, além de ter esse lado curioso para quem gosta de histórias de crimes reais, a minissérie The Confession Killer (O Assassino Confesso) revela como algumas famílias ficaram revoltadas e tristes com a verdade, pois ao incriminar Henry Lee Lucas, grande parte dos reais assassinos não foi descoberta. Com o DNA, no entanto, foi possível revelar alguns casos, mesmo após vários anos. 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.


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