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Destaques

Antraz: Documentário da Netflix revela investigações feitas pelo FBI durante anos

Um pouco após os atentados terroristas contra as torres gêmeas, em Nova Iorque, Estados Unidos, no 11 de setembro de 2001, uma ameaça de antraz colocou as autoridades, como o FBI em alerta, e espalhou pânico nos norte-americanos devido à facilidade de se espalhar sem as pessoas saberem.  Dirigido e roteirizado por Dan Krauss e produzido pela Netflix e pela BBC, 21 anos após o ataque e o primeiro caso de circulação do antraz, o documentário Antraz: EUA Sob Ataque (The Anthrax Attacks) leva o telespectador para as investigações do FBI que duraram anos. O que a princípio foi alvo de muita pressão para a solução do caso, principalmente pelo medo dos norte-americanos do esporo da bactéria continuar se espalhando pelas cartas e fazendo mais pessoas adoecerem e/ou morrerem, logo foi caindo no esquecimento conforme as investigações desenrolavam fora dos holofotes.  Com a proximidade do caso do ataque às torres gêmeas, à primeira vista, o pânico generalizado fez com quem os norte-americanos

Resenha: O Colecionador – John Fowles

Thriller de estreia do escritor John Fowles, O Colecionador (The Collector) abordou um assunto que tem se tornado cada vez mais comum, mas que para a época poderia ser chocante. A edição da DarkSide Books publicada em 2018, com tradução de Antônio Tibau, conta com uma introdução instigante escrita pelo Stephen King

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Narrado em primeira pessoa por Clegg, um entomologista que coleciona borboletas e fica obcecado por Miranda, uma jovem estudante de arte, O Colecionador impressiona pela data original de publicação, 1963. Dá para perceber a clara influência que o livro teve em outras obras de suspense e thriller em diferentes formatos midiáticos. O que nos dias atuais pode parecer até trivial devido às notícias e popularização de narrativas ficcionais e reais sobre stalkers, só consigo imaginar a força que o romance thriller teve quando foi lançado.

Clegg oscila entre a ingenuidade de um amor platônico e a possessividade que ecoa até os dias atuais de quem vê um relacionamento amoroso como uma prisão, seja no sentido literal ou metafórico. Devido à narração em primeira pessoa e o contato direto com seus pensamentos, o romance acaba servindo como uma experiência de entrar na mente de um psicótico que, ao mesmo tempo em que age como um sequestrador, ele tenta ignorar o lado sombrio das coisas que fez e demonstra uma visão distorcida de que sente empatia, a ponto de achar que há possibilidade da vítima gostar dele.

Longe de ser alguém experiente na captura e cárcere privado, Clegg é um adulto que parece um adolescente desajeitado em conflito com suas emoções e mesmo quando tenta passar a sensação de que as têm sob controle, Miranda consegue pressioná-lo para testar quais são os limites e as intenções do homem, a ponto de jogar com suas fantasias românticas e possivelmente sexuais, enquanto busca alternativas para tentar fugir do cárcere. 

Enquanto a primeira parte do livro é narrada em primeira pessoa por Clegg, a segunda traz trechos dos diários escritos por Miranda, nos quais ela revela suas artimanhas para provocar seu sequestrador, suas tentativas de fuga e ao passar dos dias é possível acompanhar a estranha dinâmica que se desenvolve entre os dois, bem como isso a faz refletir sobre seus relacionamentos e conflitos familiares.

“Sou uma entre uma fileira de espécimes. É quando tento bater as asas que ele me odeia. Meu papel é estar morta, presa por um alfinete, sempre a mesma, sempre linda. Ele sabe que parte da minha beleza reside em estar viva, mas é morta que ele me quer. Ele me quer viva-porém-morta” – John Fowles, O Colecionador

Para quem gosta de criminologia, O Colecionador serve como uma espécie de estudo de caso, tanto para entender melhor o comportamento de criminosos perseguidores e obcecados, bem como da vitimologia e dos erros que as vítimas podem cometer para tentar sobreviver, colocando suas vidas em perigo ao instigar – ainda que seja algo, muitas vezes, resultante dos instintos ou por subestimar a possível reação do raptor, por meio de uma falsa sensação de familiaridade e compaixão e o desenvolvimento da questionável Síndrome de Estocolmo. 

A sensação angustiante de que o tempo não passa e o desconforto crescente de Miranda são transmitidos ao longo da leitura. Como um experimento social, é curioso acompanhar como ela reage, mas como ser humano, é impossível não se sentir incomodado e pensar em quantas situações similares acontecem diariamente pelo mundo e, muitas vezes, são sequer descobertas. 

Os relatos de Miranda chegam a drenar a energia, seja pelo excesso de lamentações sobre o que poderia ter feito e não fez, pelas memórias de sua paixão por um artista mais velho do que ela ou pelo tédio fulminante de quem está encarcerado e de tanto se encarar, acaba enfraquecendo seu espírito e deteriorando sua saúde mental.

Miranda é como uma borboleta tentando seduzir o captor que a prende nas mãos; embora tente usar sua beleza para seduzi-lo, como se isso fosse despertar qualquer sentimento capaz de fazê-lo libertá-la, quanto mais ela se debate interna e externamente, mais suas asas vão se despedaçando e esfarelando.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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