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Destaques

Nostalgia da nostalgia

Dias de nostalgia da nostalgia, em que parecia sentir falta de algo ou alguém. Dias em que sabia que era delicioso se perder na sensação de que o passado proporcionava, mas que sabia a importância de voltar a atenção para o presente. Então, os dias continuavam seguindo, mesmo quando uma parte nossa insistia na nostalgia. Nostalgia boa era coisa temporária, mais do que isso poderia se tornar tóxica. A verdade era que escrevia para dar sentido às coisas. A verdade era que tinha uma relação dupla com a nostalgia; em alguns instantes, adorava, em outros, achava que era o pior que poderia acontecer. Escrevia, então, na esperança de continuar mantendo a nostalgia sob controle, aceitando que o passado não voltaria e estava tudo bem ressignificar as coisas. Ao dar um novo sentido, a nostalgia também se transformava. E, então, quem sabe poderia se manter em um nível mais saudável e menos tóxico. Se apegar à nostalgia, mas sentir os pés firmes no presente.  *Ben Oliveira é escritor, formado ...

Regimes democráticos e imprensa

A liberdade de imprensa está bastante relacionada ao regime democrático do país. Segundo Hallim e Mancini, citados por Fernando Antônio Azevedo, em seu artigo “Mídia e democracia no Brasil: relações entre o sistema de mídia e o sistema político”, publicado em 2006, existem quatro dimensões para analisar os sistemas de mídia: mercado de mídia (desenvolvimento da mídia de massa no mercado de informação), paralelismo político (natureza da relação entre imprensa, governos, ideologias e partidos), desenvolvimento do jornalismo profissional (grau de profissionalismo do jornalismo) e o grau e a natureza da intervenção estatal no campo da comunicação (capacidade de intervenção e regulamentação do Estado no setor das comunicações). Cruzando estas informações com as dos sistemas políticos, que envolvem a história política, modelo democrático adotado, valores políticos, funções do Estado e regras de regulação, os autores formularam alguns modelos. Esses modelos são dinâmicos, pois as dimensões analisadas podem variar com o tempo.


Os modelos são: pluralista polarizado (exemplo: Brasil, Portugal, França, Espanha – ‘períodos de autoritarismo e democratização recente’; ‘A liberdade de imprensa e o desenvolvimento da mídia comercial são relativamente tardios e recentes’), corporativista-democrático (Dinamarca, Suécia, Alemanha – ‘desenvolvimento precoce da indústria jornalística e da liberdade de imprensa’; ‘história política pluralista moderada e democrática’) e liberal (Estados Unidos, Canadá, Inglaterra – ‘desenvolvimento precoce de uma imprensa comercial e de massa num ambiente marcado desde cedo pela liberdade de imprensa e pelo individualismo’; ‘ampla predominância das leis do mercado e pela limitação da capacidade de intervenção e regulação por parte do Estado’).

Mas não é só o Brasil que sofreu e ainda sofre com ações de repressão à liberdade de imprensa. Na Argentina, por exemplo, Cristina Kirchner além de comprar canais de TV, jornais e rádios, a presidente pressiona os outros veículos, censura e corta a publicidade oficial nos meios de comunicação não alinhados ao governo. Na Venezuela, jornalistas são presos e são proibidas publicações críticas ao governo de Hugo Chavez.

Um exemplo bastante comentado sobre censura e democracia aconteceu na China durante a época dos Jogos Olímpicos, em 2008, em que muitas pessoas eram proibidas de sair às ruas e os jornalistas eram proibidos de noticiar. Além da imprensa chinesa sofrer censura, jornalistas de diversos países encontraram algumas dificuldades para cobrir o evento e retratar a realidade da China de forma livre. Uma das ferramentas que pode contribuir com a democracia e com a disseminação de informações, tanto produzidas pelos cidadãos, quanto pelos jornalistas, a internet é censurada no país, sendo muitos conteúdos bloqueados, por serem considerados ‘subversivos’ ou ameaça à segurança nacional. Algumas mídias sociais são bloqueadas no país, como Facebook, Youtube e Twitter, entre muitos outros sites e ferramentas.

Conclui-se então que o atual sistema midiático brasileiro e sistema político podem ser enquadrados no modelo pluralista polarizado e refletem na forma de atuação dos jornalistas. Tudo isto, de acordo com Fernando Antônio Azevedo, se deve a alguns fatores como ao passado autoritário e a democratização relativamente recente. A dependência da mídia ao regime democrático é evidente. Todavia, é importante ressaltar que nem sempre a democracia garante que o bom jornalismo seja feito, e nem um bom jornalismo garante a democracia.
 
Leia também:

Imprensa Brasileira: Autoritarismo e ausência de liberdade de imprensa

Imprensa Brasileira: Censura desde os primórdios

Imprensa Brasileira: Repressão e tortura aos jornalistas

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