quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Edgar Allan Poe: A Filosofia da Composição

Em seu ensaio A Filosofia da Composição (The Philosophy of Composition), de 1846, o escritor Edgar Allan Poe compartilha um pouco da maneira que ele constrói suas próprias narrativas, pensando nos efeitos que o texto pode provocar no leitor. Poe seleciona um dos seus mais conhecidos poemas, O Corvo (The Raven), a partir do qual ele explana passo a passo como o compôs.
Imagem: Édouard Manet (1874) / Domínio Público.

A influência do ensaio sobre a criação literária afasta um pouco da visão de que o escritor escrevia somente quando estava inspirado, mas era um planejador – afastando a perspectiva de que a produção literária era fruto das musas e o artista era um instrumento para dar voz a essas ideias.

“É meu desígnio o de manifestar que nenhum ponto da composição se relaciona ao acaso ou intuição – que o trabalho procede passo a passo, para sua completude, com precisão e sequência rígida de um problema matemático” Edgar Allan Poe (Trad. Oscar Mendes e Milton Amado)

O primeiro ponto levantado por Poe é o da intencionalidade. Ele defende que se tendo em vista o epílogo ou como a história termina, é possível ao autor construir o enredo, de forma que os eventos estejam relacionados, dando um aspecto de causalidade. Edgar Allan Poe criticou os escritores que construam suas ficções sem levar em conta o efeito que as narrativas poderiam causar ao coração, inteligência e alma dos leitores.
Imagem: John Tenniel (1858) / Domínio Público.

Sobre a extensão da obra literária, o escritor fala sobre a unidade de impressão, efeito presente em textos que podem ser lidos em uma só sentada, diferente dos mais longos que acabam dispersando o leitor. Para Poe, a extensão do poema deveria ser calculada em relação ao efeito poético que produziria e afirma que O Corvo tem 108 versos.

“A beleza de qualquer espécie, em seu desenvolvimento supremo, invariavelmente provoca na alma sensitiva as lágrimas. A melancolia é, assim, o mais legitimo de todos os tons poéticos” – Edgar Allan Poe (Trad. Oscar Mendes e Milton Amado)

Com seu poema, Edgar Allan Poe tentou satisfazer a Verdade (excitação do intelecto), Paixão (excitação do coração) e Beleza (excitação da alma). Por meio deste planejamento, ele deu um tom de tristeza ao texto.
Imagem: Gustave Doré (1883) / Domínio Público

Em relação ao efeito artístico, Poe fala sobre o refrão poético e de como utilizou o recurso para criar uma monotonia de som (o termo Never More além de ser melancólico, é repetido ao longo do poema e escolhido para ser repetido pelo corvo), mas com variação de ideia. O escritor considerava a morte de uma bela mulher o tema mais poético do mundo. Ainda sobre a versificação, Poe afirmou que sua originalidade tinha pouca relação com impulso ou intuição e sim com uma procura trabalhosa.

“A ideia de fazer o amante supor, em primeiro lugar, que o tatalar das asas da ave contra o postigo é um "batido" à porta, originou-se de um desejo de aumentar, pela prolongação, a curiosidade do leitor, e de um desejo de admitir o efeito casual surgindo do fato de o amante abrir a porta, achar tudo escuro e depois aceitar a semifantasia de que fora o espírito de sua amada que batera”. – Edgar Allan Poe (Trad. Oscar Mendes e Milton Amado)

Outro elemento destacado pelo autor é o local. A princípio ele considerou uma floresta, depois chegou a conclusão que um espaço fechado criaria um efeito melhor, como um enquadramento. Poe também descreve como introduziu a ave ao personagem e como a ambientação e contrastes ajudam a dar um ar fantástico, que posteriormente é quebrado pelo próprio amante e leitor, com um tom simbólico do Corvo, como uma “recordação dolorosa e infindável”.

Ficou com vontade de ler o ensaio? A Filosofia da Composição está disponível nos links a seguir:

Em Inglês: http://www.lem.seed.pr.gov.br/arquivos/File/livrosliteraturaingles/filosofiadacomposicao.pdf

Em Português: www.ufrgs.br/proin/versao_2/textos/filosofia.doc 

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