sábado, 29 de abril de 2017

Escrita Maldita: Comentário da leitora sobre o livro e vida de autor independente

Uma sensações mais gratificantes na jornada do escritor é encontrar leitores maravilhosos pelo caminho. Desde que comecei a publicar meu livro de fantasia, O Círculo, no Wattpad e meu livro de terror, Escrita Maldita, no Kindle Direct Publishing da Amazon, minhas palavras e histórias têm cruzado com mais pessoas e têm sido muito bom poder trocar uma ideia com quem leu minhas obras de ficção e acompanhar seus feedbacks. Sou grato por cada um dos leitores que tem me acompanhado desde o início com a publicação dos meus contos e crônicas, mas confesso que estou animado com a chegada de novas pessoas lendo meus romances.


"Uma história maravilhosa. Que te prende do início ao fim. A cada página um suspense e descobertas alucinantes. Quando você pensa que tudo está resolvido, Ben solta uma bomba em seus leitores. Amei demais esse livro" – comentário deixado na Amazon pela leitora Gisele dos Santos

A leitora e blogueira literária Gisele dos Santos (Gih, do Crazy For Books) publicou no Instagram (@gicrazyforbooks) uma foto e uma resenha de Escrita Maldita. Com a permissão da Gisele, reproduzi abaixo o comentário dela sobre o livro. Confira:

"Nossa, não sei bem por onde começar a falar sobre esse livro de tão maravilhoso que é. Esse livro é do blogueiro/escritor Ben Oliveira. O personagem principal é Daniel Luckman, um escritor que está começando sua carreira e consegue alavancar com um livro de terror daqueles que você não consegue dormir. 

Daniel é casado com Marissa e está muito feliz por ter encontrado alguém que o apoia nessa caminhada nada fácil de escritor. Mas Daniel é um homem misterioso e que guarda muitos segredos. Suas noites são perturbadoras e ele vive com um medo muito grande de perder tudo o que conquistou inclusive Marissa. 

Todo esse medo que Daniel vem tendo durante anos acaba aflorando quando recebe uma proposta de trabalho de seu editor. Daniel vai trabalhar em conjunto com seu ídolo Laurence Loud, um best seller em histórias de terror. 

Muita coisa estranha começa a acontecer quando esses dois escrevem a história. Uma mistura de ficção e realidade. Mas é nesse meio todo que Daniel vai descobrir e enfrentar seu maior medo. Uma história de tirar o fôlego, de momentos de angústia e aflição. 

Ben Oliveira escreve muitíssimo bem, não tem como você ficar entediado com essa história. Enquanto está lendo, você acaba querendo ler mais para saber o que vai acontecer. E quando você acha que está tudo bem e que tudo se resolveu Ben traz uma bomba para o leitor. Tenho certeza que você vai tremer com essa história".



O eBook de Escrita Maldita foi lançado na Amazon Brasil em setembro de 2016. Terminei de escrever Escrita Maldita em 2014. O primeiro título do romance foi Lágrimas Negras, em menção ao primeiro livro de terror lançado pelo protagonista que acabou se tornando um sucesso. A história tem uma dose bem gostosa de metalinguagem e possibilitou brincar com os títulos dos livros escritos por Daniel Luckman e Laurence Loud.

Apesar de estar contente com os resultados que o livro digital tem alcançando e com os comentários positivos dos leitores (até o momento deste texto, Escrita Maldita conta com seis votos de 5 estrelas e reviews orgânicos), estou ansioso para o lançamento da versão física do livro. As últimas semanas tem sido bem corridas. Ando experimentando como é ser, literalmente, um autor independente no Brasil; se possibilita a liberdade de criação literária e mais controle sobre o projeto gráfico, também é bem exaustivo. Ser escritor brasileiro é apostar nos seus sonhos, mesmo quando tudo parece tão longe da realidade, especialmente diante dos preconceitos literários com autores nacionais e independentes.


Com uma ajudinha do escritor Hugh Howey, autor da série de livros Silo, que compartilhou alguns templates de diagramação de manuscritos para Paperback em seu site, consegui me aventurar no projeto gráfico do livro. Uma vez que você pega o jeito e se é autor independente, vale a pena aprender a se virar, podendo produzir algo de tanta qualidade quanto produzido por editoras pequenas e prestadoras de serviço gráficos. Além de lançar Escrita Maldita em livro impresso através do novo serviço da Amazon, KDP Print, estou considerando publicar também uma versão física de O Círculo, livro de fantasia com mais de 50 mil leituras no Wattpad. A obra literária será impressa nos Estados Unidos e poderá ser comprada através do site da Amazon. A conversão de dólar para reais e a questão da distribuição ainda são desafios para escritores nacionais, mas é provável que em breve o serviço que ainda está em fase Beta seja aperfeiçoado e a Amazon feche parceria com alguma gráfica no Brasil, ou pelo menos é o que muitos autores independentes que usam os serviços, como KDP e CreateSpace, estão torcendo.

Tenho percorrido um longo e demorado caminho na jornada do escritor. A paciência me livrou de muitas furadas que alguns colegas autores acabaram entrando, mas acredito que mesmo nas experiências ruins tudo é aprendizado. Quem sabe como funciona o mercado editorial no Brasil, sabe que é preciso coragem para continuar tentando, mesmo que através de plataformas de publicação independente. Apesar de ser fã de editoras tradicionais, não sou contra quem paga para publicar, mas algumas questões são preocupantes no país, como o excesso de Vanity Publishing (publicação por vaidade), quando o autor acaba fechando um pacote de serviços para ser publicado e não recebe tudo o que é definido em acordo, bem como os problemas com pagamento de royalties – escritores que não recebem pagamento pelas vendas de livros e falta de transparência. Algumas práticas naturalizadas por aqui não são recomendadas por escritores internacionais e chegam a chocar alguns colegas; as associações de escritores costumam divulgar quais serviços devem ser evitados.

No terreno dos sonhos, é preciso ousadia para não desistir, mas pela falta de informações de como funciona o mercado dos livros, muitos autores nacionais acabam entrando em ciladas. Quem é escritor profissional e quem conhece mais sobre mercado editorial, muitas vezes, tenta ajudar quem está começando, no entanto pela pressa, orgulho e/ou ansiedade, alguns escritores acabam até se endividando ou reagindo como se os colegas tivessem inveja de suas publicações, só para verem seus sonhos virando pesadelos. A maioria dos problemas seria facilmente resolvido com a orientação de agentes literários como acontece fora do país, mas por aqui ainda são poucos profissionais que se dedicam à atividade – dá para contar com os dedos, literalmente. Ainda há muito espaço para o mercado livreiro brasileiro se profissionalizar, começando pela valorização do ofício do escritor, que como qualquer outro artista, também precisa ganhar dinheiro para sobreviver e continuar investindo em sua carreira.

A vantagem de plataformas de publicação por demanda como o KDP da Amazon é que o autor não precisa pagar para usar. Ou seja, caso o escritor não consiga vender livros por lá, não corre o risco de ter prejuízos financeiros. O ego atrapalha o desenvolvimento de muitos escritores, seja pela disseminação de informações dúbias: muita gente que acredita que o único modo de ser publicado é pagando (enquanto fora do país e nas editos tradicionais, a realidade é o escritor receber para ser publicado) ou pelos venenos e rixas em grupos literários. É preciso deixar claro que não existe somente um caminho na jornada da publicação e que existem várias possibilidades, embora todas exijam bastante dedicação. O principal desafio no Brasil não é só a falta de leitores, mas também a recusa de reconhecer que existem bons escritores nacionais contemporâneos de inúmeras temáticas e gêneros, bem como a distribuição de livros e aproveitamento de outros formatos. Quem lê um livro, pode ler muitos outros.

A escrita por si só é algo que demanda muita energia e tempo. Nesta luta por construir uma carreira de escritor profissional, além de escrever e ler muito, tenho aprendido bastante. Escrever, revisar, editar, criar capa, diagramar, elaborar estratégias de marketing, manter um blog, enfim, são tantas atividades complementares para quem deseja se tornar autor independente e para os autores de editoras tradicionais também. Em um país com baixo índice de leitura, o escritor misantropo está fadado ao esquecimento. Foi-se o tempo em que para ser escritor profissional era necessário somente escrever histórias. Assim como as ferramentas evoluem e se transformam, o autor também precisa ficar por dentro das novidades, interagir com os leitores e se planejar para conquistar seus objetivos.

Escrever para si mesmo é uma experiência maravilhosa e catártica, mas quando percebemos que o leitor conseguiu captar a atmosfera de suas histórias, se envolver com os personagens e se transportar para dentro de outros universos, é preciso comemorar as pequenas vitórias e agradecer. Depois de tantos sacrifícios dias, tarde, noites e madrugadas se dedicando à escrita, leitura e demais atividades que fazem parte do pacote autor, também é fundamental tirar um tempo para relaxar e ser grato. Afinal, amanhã é outro dia e tudo começa novamente!

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e do livro de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1), disponível no Wattpad.

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