Quente e frio, quente e frio, assim era a dança do ansioso e do Evitativo. Era somente quando se tornava consciente que poderia tentar mudar as coisas, mas não era algo que dependia só de uma pessoa. A imprevisibilidade do outro era algo que poderia ser gatilho para quem era ansioso e esperava um porto seguro. Talvez fosse esperar demais do outro. Talvez antes precisava encontrar segurança dentro de si mesmo. Quando as coisas estavam quentes tudo fluia com tal facilidade, que era como uma química queimando os dois. Mas era quando tudo se tornava frio que tudo parecia incerto e melhor deixar pra lá. A dança continuava. A dança continua. Quantos de nós estamos dançando e não nos damos conta? Quantos ficam torcendo para a coreografia mudar? Quantos acham que não conseguirão seguir uma última dança? Quente e frio. Te quero e tanto faz. Nenhuma certeza. Nenhuma esperança. Chega o dia em que o quente acaba se tornando frio é tudo acaba. Frio e frio. *Ben Oliveira é escritor, formado em jorna...
Histórias de bruxas nos fazem pensar na relação que construímos com a natureza, nos rituais, nas fases da lua e na magia. A bruxaria não é homogênea, como alguns podem imaginar, e a religião e suas práticas serviram e ainda servem de inspiração para inúmeras narrativas.
“Eu chamei pela Deusa e a encontrei em mim mesma”– Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon
Sejam em livros de não ficção, ficção ou de fantasia, bruxas nos lembram da importância dos desejos e de como nossas energias podem influenciar e são influenciadas pelas coisas, pessoas e ambientes. Há algo nessas histórias que nos possibilita viajar para dentro de nós mesmos, desenvolvendo mais consciência sobre nossas intenções e propósitos.
“… é que não existe história totalmente verdadeira. A verdade tem muitas faces e assemelha-se à velha estrada que conduz a Avalon: o lugar para onde o caminho nos levará depende da nossa própria vontade de nossos pensamentos”– Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon
Quando penso em As Brumas de Avalon, não há como negar o peso que as mulheres têm no romance. A figura do Arthur e dos homens acabam sendo ofuscadas pela imagem de Morgana das Fadas, pela história das sacerdotisas que viviam na ilha ou pelas tradições do paganismo. A narrativa nos lembra o quanto algumas religiões são mais antigas do que o cristianismo e como diante da dominação, muitas práticas foram demonizadas e de como as mulheres foram perdendo seus poderes, literalmente, para se tornarem submissas aos homens.
“Os encantamentos não funcionam como os homens e as mulheres querem, mas segundo suas próprias leis, que são tão estranhas quanto o tempo no país das fadas”– Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon
Seja diante das bruxas do presente ou do passado, acredito que as histórias podem ser complementadas por outra forma de arte: a música. Para quem gosta de ler e escutar música ao mesmo tempo – ou até mesmo para quem gosta escrever suas próprias histórias –, separei algumas indicações para vocês.
Nada como aquela sensação de quando nossa imaginação ganha vida, nos perdemos em um bom livro e as músicas nos levam para longe. Fica aqui o convite para entrar nas florestas mágicas e dançar sob a luz da lua.
Confira 10 Músicas para quem gosta de histórias de bruxas: