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Destaques

Dias de sono

Os dias de sono voltaram. Dias em que parecia que não importava o quanto dormisse, sentia mais vontade de dormir. Uma fome sem fim. Seria desejo de sonhar? Vontade de esquecer um pouco a realidade? Ou quem sabe algo ligado à mudança de tempo? Não sabia definir completamente. Sabia que os dias estavam passando. Sabia que faltavam poucos dias para completar um ano sem cigarro, aquilo que costumava usar para manter acordado ao se levantar junto com o cafezinho. Em um ano muita coisa poderia mudar. E era inevitável não encarar as mudanças. Tinha dias de nostalgia, mas também dias em que queria se manter firme no momento presente. Escrevia para manter viva a chama da criatividade. Escrevia para se entender melhor e também para que o leitor se compreendesse. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Liv...

Autismo no Profissão Repórter: Faltam representatividade feminina e autocrítica da saúde

Não ia falar, mas vou falar... Sobre o Profissão Repórter sobre Autismo (19/06):



Quando falamos de autismo, reportagens NUNCA vão ser completas, mas, muitas vezes, a mídia acaba servindo como instrumento político, quer ela esteja consciente disso ou não.

Cadê as meninas e mulheres no espectro autista? Os autistas com altas habilidades? A reportagem tem um tom bem cinzento. O espectro autista é muito complexo. Alguns autistas são mais invisíveis do que outros e não me refiro somente aos de graus severos, como reclamam tantas pessoas, mas à toda variedade do espectro autista, todas cores e sexualidades.

Muitas vezes, não mostram nem 1/3 da realidade do espectro, é o que acontece quando priorizam só um dos lados: familiares, profissionais e/ou autistas (estes últimos, geralmente ignorados na hora da produção da pauta). E eu entendo que dificilmente será possível acontecer uma representatividade que agrade a todos, afinal, dois autistas do mesmo grau podem ser completamente diferentes: o que é óbvio para mim, não é tão óbvio para o telespectador leigo.

Sobre o mito do autismo azul que ainda persiste, por exemplo... Existem mais meninos diagnosticados, pois muitos médicos são incapazes de diagnosticar meninas e mulheres que aprendem a camuflar/imitar outras pessoas. Não só médicos, como existem muitos psicólogos desatualizados no país que não sabem a diferença entre uma condição neurológica e um transtorno mental. Quem vai admitir na TV aberta essa falha de diagnósticos de autismo em meninas e mulheres, em vez de reforçar a negativa do autismo azul?

Os números/estatísticas do autismo só serão corrigidos quando investirem em melhor capacitação profissional em várias áreas profissionais. Poderiam fazer triagem e acompanhamento nos colégios, como existe nos Estados Unidos.

Focaram tanto em algumas dificuldades, que deixaram outras de lado. Falta autocrítica na área de saúde, falta reconhecimento de que há muita gente com conhecimento raso atuando com autistas, por isso há tanto conflito na hora de dar um diagnóstico ou de recomendar tratamentos, por exemplo.

Vejo comentários de pessoas desesperadas por diagnósticos semanalmente. Muita gente desamparada que foi atendida por profissionais que sabem o básico sobre autismo e tiveram vários diagnósticos antes de chegar ao correto.

Sobre os tratamentos, a matéria ficou bem superficial. Eu não sou contra o Canabidiol, mas acredito que são necessárias mais pesquisas e mais cautela. Acho perigoso tudo que vende esperança no mundo do autismo.

A história do autismo está repleta de tratamentos que não deram certos, mas se tornaram populares, inclusive, muitos tratamentos falsos (pseudotratamentos) se popularizaram assim, graças à mídia, ignorando as evidências científicas e explorando as emoções dos pais. Para ilustrar: Dietas sem glúten/restritivas (quando não há alergia/intolerância), homeopatia, oxigenioterapia, terapias com células-tronco, todos sem comprovação científica para autistas e com interesses financeiros.

A inclusão precisa melhorar? Com certeza. Mas vale lembrar:


As questões de inclusão vão muito além das escolas e salas de aulas despreparadas e, muitas vezes, começam nos consultórios com profissionais que não sabem orientar nem diagnosticar; começam nos cursos das áreas de saúde e respinga nos profissionais, muitos dos quais aprendem conhecimentos genéricos e desatualizados sobre autismo na graduação e repetem informações desatualizadas.

Se eu acho que a escola está preparada para receber autistas de todos graus? Não. Não do jeito que está. Se algum dia estará? Vai depender do investimento em profissionais, mas não acho que os problemas de inclusão são exclusivos da escola, é um problema complexo e multidisciplinar, em um país que ainda está bem atrasado na capacitação de profissionais.

O Brasil está um salve-se quem puder, mas o problema de inclusão não é só culpa das escolas ou da falta de acompanhantes. Disciplinas ATUALIZADAS sobre o espectro autista e cursos de atualização/reciclagem deveriam ser obrigatórios para os estudantes e profissionais de cursos de saúde e educação. Os diagnósticos de autismo no Brasil ainda não são acessíveis. Muitas pessoas ficam em uma demorada fila de espera, perdendo um tempo valioso.

Vale lembrar que também é necessário investir na educação/contexto social da família. Dependendo do grau, um autista que cresce em um lar com mais oportunidades para investir em tratamentos, escolarização e demais acompanhamentos pode ter muito mais chances de desenvolvimento do que um autista que cresce em um lar no qual os pais desconhecem a condição, não têm tantos conhecimentos científicos sobre o autismo e não têm acesso aos mesmos profissionais, terapias e recursos disponíveis.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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