Pular para o conteúdo principal

Destaques

Mindhunter Profile 2: Especialista em serial killers compartilha experiências após aposentadoria do FBI

Após se aposentar do FBI , o ex-agente especialista em assassinos continuou sendo convidado para colaborar em alguns casos que exigiam entender melhor o perfil psicológico dos criminosos. No livro Mindhunter Profile 2 , dos autores Robert K. Ressler e Tom Snachtman , é possível conhecer um pouco mais da história de vida desta figura que deixou uma boa contribuição para a criminologia e compreensão sobre as mentes de serial killers. A obra foi publicada pela editora DarkSide Books , em 2021, com tradução de Alexandre Boide. Compre o livro Mindhunter Profile 2:  https://amzn.to/39qJjId Entre os casos explorados no livro há um que desperta o interesse por envolver algo não tão desconhecido, como o uso de transtornos mentais para diminuir as penas. Ressler percebeu um fenômeno de ex-soldados que usavam o Transtorno do Estresse Pós-Traumático como uma justificativa quando cometiam crimes e notou que muitas vezes, os históricos dos assassinos não eram checados e muitos inventavam histórias

Surviving R. Kelly: Série documental aborda vítimas e alegações de crimes sexuais cometidos pelo cantor norte-americano

Até que ponto fãs estão dispostos a enxergar a pessoa por trás da persona artística e aceitar que nenhum ídolo é perfeito? Quantos horrores alguém pode cometer ao usar a sua fama para se aproveitar das vulnerabilidades de seus admiradores? A série documental Surviving R. Kelly levanta essa e outras tantas questões, tornando difícil não reconhecer o histórico problemático e criminal do cantor e produtor norte-americano Robert Sylvester Kelly

Casos de famosos, seja no mundo da música ou do cinema, muitas vezes, levantam desconfiança do público. Nos últimos anos, o movimento Me Too ajudou a dar protagonismo para sobreviventes de abusos sexuais, dando abertura para compartilharem suas histórias nas mídias sociais – com destaque para o caso do milionário e produtor de cinema Harvey Weinstein condenado a 23 anos de prisão, cujas denúncias e alegações foram feitas ao longo dos anos, mas por causa do status, ele se achava intocável.

Outro caso que dá para relacionar ao de R. Kelly é o de Jeffrey Epstein, o bilionário que era um predador sexual e atraía vítimas com menos de 18 anos. Com a demora no julgamento, cuja data mais recente foi alterada por causa da pandemia, nos últimos tempos mais informações foram surgindo na internet, aumentando as controvérsias, mas deixando evidente que desde que conheceram R. Kelly, as vidas das ex-namoradas dele e suas famílias foram afetadas profundamente.

Creio que além das declarações das vítimas e familiares de todos lados, embora muitas das histórias sejam chocantes, fazendo o telespectador questionar como essas adolescentes e mulheres continuaram por perto de R. Kelly durante anos, um dos pontos fundamentais da série documental foi a participação de jornalistas do universo da música, psicólogos e até mesmo de uma criminologista. Não digo isso desmerecendo as declarações, mas as falas dos profissionais de saúde mental e comportamento criminal ajudam o público a entender melhor sobre a dinâmica dos relacionamentos abusivos e seus impactos.

Alguns fãs dizem que R. Kelly é inocente até que se prove o contrário, mas é impossível negar que há algo muito estranho por trás desses acontecimentos e mesmo que a série tenha entrevistado várias pessoas, a impressão que dá é que há muito mais podres que precisam ser desenterrados.

Então, desde acusações de filmagens de sexo com adolescentes e adultas, até outras formas de violência, como comportamento manipulador e dominador, fazendo suas vítimas terem que pedir para comer, usar o banheiro, falar, sair, chamá-lo de Daddy, entre outras coisas estranhas como morarem juntas na mesma casa e não se encontrarem e suas proibições de serem vistas por outras pessoas e fazê-las passar fome por dias como punição, é inegável que R. Kelly tenha cometido crimes de violência contra mulher.

A impressão que fica é que depois do controverso caso do Michael Jackson, que até hoje levanta questionamentos e declarações de supostas vítimas, muitas pessoas têm medo de julgar R. Kelly e depois descobrir que ele era inocente; enquanto outras, por fascinação pelas suas músicas, são incapazes de enxergar esse lado sombrio e/ou se importarem com as vítimas.

Há quem acredite que as famílias das vítimas estão atrás de dinheiro, porém vale lembrar que se fosse realmente inocente, a equipe do R. Kelly não estaria tão desesperada para silenciar as pessoas envolvidas. Na data de estreia de Surviving R. Kelly, houve uma ameaça de tiroteio, o que levou ao seu cancelamento, bem como alguns casos de intimidação. 

A série documental foi ao ar no início de 2019 pelo canal de televisão Lifetime. No Brasil, a primeira parte de Surviving R. Kelly está disponível na Netflix. Dois anos após seu lançamento, o caso continua chocando telespectadores e gerando várias reviravoltas. Para quem acha que as pessoas estão só aguardando o julgamento e tudo está tranquilo, basta pesquisar as notícias no Google para encontrar mais sobre esse ninho de vespas, como a pressão dos fãs em cima das vítimas e alegações de que estão tentando ganhar dinheiro. 

O que é comentado na série documental e muita gente ignora é que algumas das vítimas já haviam recebido dinheiro para se calarem e se o interesse fosse simplesmente financeiro, seria muito mais cômodo aceitarem, especialmente porque se expor na internet (e no mundo todo) não é nada fácil nem indolor quando se trata de violência psicológica, física e sexual. 

Então, só para complementar, já que o documentário parou em 2018, em abril de 2021, um dos associados do R. Kelly foi preso por ameaçar, tentar silenciar e botar fogo no carro de uma das testemunhas. Não parece algo que alguém inocente faria por mais desesperado que estivesse.

Também aconteceram algumas controversas de algumas das vítimas alegarem que suas famílias estão interessadas no dinheiro, porém, as histórias sobre como elas foram tratadas pelo cantor são similares e é comum que vítimas de violência sexual reajam de maneiras diferentes – sem as explicações dos psicólogos pode ficar difícil para alguns entenderem esses comportamentos. Mesmo depois da prisão, algumas das mulheres dele continuaram morando juntas, aumentando a desconfiança de alguns fãs do R. Kelly sobre consentimento.

Com acusações desde 1996, por abuso emocional, passando por outras de abusos sexuais e até mesmo de pornografia infantil, o histórico de R. Kelly revela o lado tóxico da idolatria de artistas: para alguns, é mais fácil acreditar que querem lucrar em cima do seu ídolo a aceitar que ele pode ter cometido crimes. Também levanta outras discussões, uma delas é até levantada na série documental: como muitas das vítimas são negras, será que se as vítimas dele fossem garotas brancas, ele teria permanecido livre durante todos esses anos para alimentar seu comportamento predatório, atacando outras jovens?

Ainda não assisti Surviving R. Kelly Part II: The Reckoning, mas confesso que fiquei curioso depois de perceber que mesmo com tantos comentários vindos à tona e até mesmo posicionamento de alguns artistas apoiando as vítimas, como é possível que a empatia de alguns seja maior pelo artista do que pelas adolescentes e mulheres que participaram de suas dinâmicas abusivas? 

Além do julgamento do R. Kelly, neste ano a parceira do Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell deve ser julgada pelo seu envolvimento nas atividades do predador sexual.

Leia também: 

El Inocente: Thriller explosivo de vingança é adaptação espanhola de livro do Harlan Coben 

Resenha: Adeus, Promessas – Kristin Halbrook 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

Mais lidas da semana