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10 Meses Sem Fumar Cigarro

10 Meses Sem Fumar Cigarro e tudo o que eu conseguia pensar em como ainda havia uma tentação que eu ignorava, um desejo aleatório de fumar cigarro, mas que logo passava. Ilusão seria acreditar que o desejo de fumar sumiria completamente, mas era verdade que a cada mês ficava um pouco mais fácil. Seja em momentos de ansiedade ou estresse, era difícil não lembrar daquele que estava presente sempre. Mas não se arrependia de ter parado de fumar cigarro. Foi uma das melhores decisões que havia tomado em sua vida. Tudo havia começado quando estava em crise emocional e assim foi se tornando algo automático. Algo que eu poderia jurar que pararia quando quisesse, havia se tornado algo permanente. As primeiras horas podem ser incômodas. Os primeiros dias parecem que nunca vão passar. E assim vêm as primeiras semanas e os meses. Dez meses... Faltavam dois meses para completar um ano sem fumar cigarro. No início achou que não iria contar os dias, ia só deixar pra lá, mas a verdade era que cada dia...

Resenha: Corpos Ocultos – Caroline Kepnes

Segundo livro da série Você (YOU), adaptada para a NetflixCorpos Ocultos (Hidden Bodies) narra a mudança do psicopata Joe Goldberg de Nova Iorque para Los Angeles e tem uma pegada mais ácida e mais fluida do que o primeiro livro. No Brasil, o livro da Caroline Kepnes foi traduzido por Ryta Vinagre e publicado pela Editora Rocco, em 2019.

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Embora a ficção não seja parâmetro para acompanhar o desenvolvimento de serial killers, Corpos Ocultos revela tanto os padrões de comportamento de Joe e as similaridades e diferenças entre as mulheres por quem ele fica obcecado, como o perigoso fascínio que assassinos desenvolvem quando cometem seus crimes, escapam impunes e seja por necessidade ou prazer, se sentem no controle a ponto de repetirem seus atos.

Perseguidor e possessivo, entre os gatilhos para o modo de agir violento de Joe está a rejeição por figuras femininas pelas quais ele desenvolve uma paixão obsessiva. Enquanto leitores mais ingênuos podem ter dificuldade de distinguir a diferença entre relacionamentos amorosos saudáveis e doentios, a autora desenha bem a personalidade sombria e manipuladora de um homem capaz de se mudar para outra cidade só para se vingar de um namoro fracassado e se meter em uma confusão atrás da outra saindo e entrando de relacionamentos disfuncionais.

Do ponto de vista psicológico, é interessante acompanhar como o narrador-protagonista vai da extrema idealização, sempre criando fantasias sobre as mulheres por quem se apaixona, seguindo até uma espécie de ritual de desfiguração – diferente de serial killers que usam objetos cortantes para desumanizar suas vítimas, Joe faz isso com suas imagens: aquelas que a algum momento eram suas deusas salvadoras se transformam em criaturas monstruosas que precisam ser punidas pelos seus comportamentos.

Ao mesmo tempo em que não sente qualquer remorso pelas mortes que causa, Joe se comporta como um narcisista em um grau patológico, sempre julgando todos ao seu redor e querendo machucar quem age de maneira que não corresponde às suas expectativas e alfineta seu ego. Para Joe, há sempre alguém que vá o decepcionar, e ele alimenta tantos pensamentos distorcidos que é capaz de gostar e odiar alguém em questão de minutos. O mais engraçado nisso é que ele se enxerga com uma pseudomoralidade, sempre tentando caçar o podre dos outros e analisar suas personalidades de acordo com seus comportamentos e histórias de vida, mas é incapaz de aceitar que é tão problemático quanto os outros.

Da corrida Nova Iorque para o lugar onde as pessoas se mudam em busca dos seus sonhos e até se deixam intoxicar pela fome da fama, Joe é como um estrangeiro de si mesmo se guiando pelos seus instintos, mas sempre percebendo que de um modo ou de outro, se sentirá deslocado perto dos outros, ainda que precise fingir que consegue se encaixar para concretizar seus desejos obsessivos e colocar em prática seus planos macabros.

“Você sabe quando alguém está abrindo uma caixa privativa que nem mesmo tem uma chave” – Caroline Kepnes, Corpos Ocultos

A falsa idealização de Joe em cima das mulheres não esconde seus atos misóginos. Ainda que outras vítimas que não fazem parte do seu perfil surjam pelo caminho, é possível diferenciar quando ele está matando para limpar seus rastros, como muitos serial killers fazem na vida real, e quando faz parte de sua fantasia.

A escrita de Caroline Kepnes consegue tornar um tema tão repulsivo em algo prazeroso de ler, pela maneira que ela disseca a mente doentia de Joe. Embora seja ficção e a mesma não tenha qualquer compromisso com a realidade, a série de livros acaba servindo de alerta dos perigos de stalkers, especialmente daqueles que são serial killers em potencial.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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