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Destaques

Nevertheless: Série coreana de romance sobre estudantes de arte em relacionamentos amorosos

Não é a primeira e longe de ser a última vez que uma série coreana brinca com elementos artísticos e relacionamentos. Para quem gosta desta combinação, Nevertheless (Apesar de Tudo, Amor) é uma boa indicação do que assistir na Netflix . Inspirada numa webtoon de Jung Seo , a série teve roteiro de Jung Won e foi dirigida pela Ga-Ram Kim , em 2021.  O olhar feminino na criação da série dá um toque que explora bem a combinação entre fotografia, trilha sonora, atuações e o roteiro repleto de nuances sobre os diferentes relacionamentos, desde os mais intensos, nos quais os envolvidos lutam contra o apego por causa da sensação de incompletude, passando pelos platônicos e paixões secretas e indo até aqueles que se ancoram em algo mais concreto. O roteiro e a fotografia captam a beleza dos pequenos atos de afeto. Os contrastes e as similaridades entre o amor e a paixão dão vida à série, bem como as diferentes reações e expectativas que acontecem quando duas pessoas se envolvem. Um dos person

Resenha: Mindhunter – John Douglas e Mark Olshaker

Publicado originalmente em 1996, o livro Mindhunter escrito pelo ex-agente do FBI, John Douglas, junto com Mark Olshaker, foi traduzido por Lucas Peterson e publicado no Brasil pela editora Intrínseca, em 2017, mesmo ano em que a série estreou na Netflix, sobre a unidade do FBI que traçava o perfis de assassinos em série e os entrevistava para obter mais informações sobre seus comportamentos, modus operandi e vítimas.

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John Douglas também escreveu De Frente Com o Serial Killer, publicado pela editora Harper Collins Brasil e seu colega ex-agente do FBI, Robert Ressler também tem dois livros traduzidos para o Brasil, ambos publicados pela editora DarkSide Books – que conta com um acervo repleto de livros de não ficção sobre serial killers e psicopatas, além de obras ficcionais.

É importante mencionar algo que é informado na nota antes do conteúdo do livro, a editora não alterou o texto da obra: de 25 anos pra cá, as percepções dos autores podem ter mudado, bem como o conhecimento que se tem sobre o assunto.

Uma informação interessante revelada por John Douglas e muito confundida geralmente em produções ficcionais – passando a impressão de que o profissional faz tudo – é a de que a unidade do Quântico em que trabalhou no FBI não era responsável por capturar criminosos, mas fornecer informações, identificar comportamentos e oferecer assistência às investigações.

Os primeiros capítulos do livro narram a história de vida de John Douglas, desde sua infância e aptidão para contar histórias, o interesse pela veterinária, os anos na Força Aérea e da transição do adulto que queria trabalhar com psicologia empresarial para um dos selecionados para fazer parte do FBI. Logo, que o leitor não se engane que ele já chegou trabalhando com a pesquisa de criminosos; até lá, ele passou por vários processos na agência de segurança e inteligência norte-americana.

A menos que você seja curioso por elementos biográficos, esta primeira parte do livro pode ser bem maçante e desinteressar o leitor que está mais focado no trabalho de criminologia com assassinos em série realizado por John Douglas durante anos. Porém, é uma oportunidade de conferir o processo de desenvolvimento profissional e direcionamento gradual ao seu interesse final, longe de algo glamorizado e instantâneo.

“O fato é que a análise de perfis e de cenas de crimes é muito mais do que simplesmente registrar dados e processá-los. Para ser um bom analista de perfis, é preciso ser capaz de avaliar uma vasta gama de evidências e dados. Mas também é preciso seguir as pegadas, isto é, colocar-se tanto no lugar do criminoso quanto no da vítima” Mindhunter, John Douglas e Mark Olshaker

Para quem já assistiu a série Mindhunter, leu os livros de Robert Ressler e até de outros autores sobre assassinos em série, muitos dos casos já estão mais do que batidos – no entanto, vale lembrar que na data de publicação original da obra, há mais de 25 anos, tudo ainda era tratado com novidade para o público geral e até mesmo para muitos agentes da justiça e profissionais de saúde mental

Entre os assassinos – nem todos necessariamente serial killers – que foram entrevistados por John Douglas e Robert Ressler estão: o violento Ed Kemper, o manipulador Charles Manson, o brutal Richard Speck, o fetichista Jerry Brudos, o controlador Monte Ralph Rissell, o atirador David Berkowitz e o descontrolado Thomas Vanda.

Além das entrevistas, o livro também traz algumas análises de casos feitas por John Douglas, as quais foram fundamentais para contribuir com o trabalho da polícia. O livro também explora alguns casos em que dois criminosos se juntaram, geralmente um organizado e um desorganizado, seja com fins de matar, divisão de ações criminosas ou como cúmplice. 

“Uma das coisas que espero que tenhamos alcançado com nosso estudo de personalidade criminal e nosso trabalho desde então é a capacidade de alertar os profissionais de saúde mental das limitações do relato de autoavaliação em casos que envolvem comportamento criminoso. Um assassino ou estuprador em série é, por natureza, manipulador, narcisista e completamente egocêntrico. Ele relatará a um oficial de condicional ou a um psiquiatra profissional qualquer coisa que ele queira ouvir e o que for necessário para que seja solto e possa continuar nas ruas” – Mindhunter, John Douglas e Mark Olshaker

Tanto para análise quanto para interrogatórios, John Douglas achava fundamental que os agentes prestassem atenção na linguagem corporal e em casos em que o assassino é capaz de passar com tranquilidade no teste da mentira, ele sugeria que os interrogadores passassem a impressão de que entendem como o criminoso se sentia na hora do crime e até que jogassem iscas para que ele confessasse o crime ao projetar a culpa e responsabilidade na vítima.

Em um dos julgamentos de caso, um episódio um tanto curioso foi relatado: enquanto John Douglas fazia parte da equipe que ajudava a traçar o perfil do assassino, o ex-agente do FBI, Robert Ressler fazia parte da equipe de defesa. Dá para imaginar o climão entre dois ex-colegas de trabalho que se especializaram na mesma área, mas desta vez suas diferenças de análises poderiam contribuir para condenar ou salvar um suspeito de potencial perigo à sociedade? Vale lembrar, no entanto, que não foi só Ressler que se opôs a alguns perfis de criminosos e após sair do FBI, John Douglas também prestou consultoria para alguns casos.

As informações levantadas sobre criminosos não servem só para agentes de justiça e profissionais de saúde mental, mas também para uma breve compreensão sobre as vítimas, bem como aos comportamentos que podem servir como um estressor. John Douglas cita desde casos em que a morte fazia parte da assinatura do assassino até aqueles em que o criminoso usa como uma forma de se safar de uma possível condenação, caso a vítima sobrevivesse e o denunciasse. 

Embora não seja o foco principal do livro, alguns dos casos abordados são de pessoas que tinha proximidade com as vítimas, entre eles estão indivíduos que tentaram maquiar a situação, encenando a cena do crime e tornando ainda mais complicado comprovar a autoria diante da justiça quando faltavam provas.

“O problema que crimes encenados representam para qualquer agente da lei é que podemos com facilidade nos tornar emocionalmente envolvidos com as vítimas e os sobreviventes. Se alguém está sofrendo, é claro que queremos acreditar na pessoa. Se o sujeito for um ator minimamente bom, tendemos a não investigar mais a fundo” – Mindhunter, John Douglas e Mark Olshaker

Ao final da leitura de Mindhunter, é impossível não refletir sobre como grande parte do problema do mundo criminal também tem dedos do sistema. John Douglas cita o caso de psiquiatras que nem mesmo veem o histórico criminal do paciente e o consideram curados e/ou recuperados, só um entre tantos exemplos de pessoas com tendências criminais que entram e saem tantas vezes destes ambientes, que acabam aprendendo a manipular com maestria os profissionais envolvidos e cujos crimes subsequentes poderiam ser evitados, caso tivessem sido avaliados com maior seriedade.

Aos interessados em mulheres assassinas em série, vale a pena ler: 8 Curiosidades do livro Lady Killers: Assassinas em Série (Tori Telfer) 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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