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Destaques

Resenha: Candyman – Clive Barker

Um presente para os leitores de Clive Barker, assim é a edição para colecionadores de Candyman, publicada pela editora DarkSide Books, em janeiro de 2019, com tradução de Eduardo Alves e posfácio de Carlos Primati.


Encontre o livro Candyman (Clive Barker): https://amzn.to/2ZdA32y

Candyman (The Forbidden) é um conto, portanto a leitura é enxuta, mas envolvente, e transporta o leitor para o clima de lendas urbanas. Embora já não sejam mais comuns na tradição oral e tenham ganhado o ambiente virtual, histórias sobre acontecimentos assustadores e questionáveis fazem parte da existência humana.

Com uma atmosfera sombria e mais urbana, Clive Barker leva o leitor ao gueto, onde a violência e a criminalidade por si só já contrastam com a realidade de outros bairros da cidade e acabam tão banalizadas que a história faz a personagem principal, Helen, se interessar pelo caso contado por uma das moradoras.

“E as histórias que contaram para ela – seriam confissões de crimes não cometidos, relatos do …

8 Curiosidades do livro Lady Killers: Assassinas em Série (Tori Telfer)

Mais uma leitura finalizada. A obra da escritora e editora Tori Telfer, Lady Killers: Assassinas em Série é um dos melhores livros publicados pela DarkSide Books. Uma viagem pelas histórias e mentes de assassinas em série e sobre como os estereótipos, a ingenuidade e questões sociais servem como proteção/máscaras para psicopatas.


*Ganhei este livro da editora DarkSide Books, junto com os marcadores e o brinde (fita Crime Scene versão rosa). O livro é vendido de forma separada nas livrarias e lojas online. O brinde faz parte da Experiência Dark (no site da editora é possível conferir quais itens são enviados junto com os livros). Para tirar dúvidas, entre em contato com a editora no site e/ou redes sociais. Este conteúdo não é um publieditorial, tampouco de parceria. Escrevi o texto por vontade própria.

Encontre o livro Lady Killers: Assassinas em Série (Não vem brinde junto): https://amzn.to/2TyiiIy

14 assassinas em série cujas histórias foram pesquisadas e analisadas por Tori Telfer, além de bônus com mais 14 assassinas em série compiladas pelo Aprendiz Verde e indicações de filmes, séries e clipes musicais com a temática. Psicopatas despertam o interesse na mídia e produções culturais, mas suas histórias reais são assombrosas, lembretes da maldade humana sem remorso e de como eles facilmente conseguem manipular não só suas vítimas, mas também despertar a comoção dos outros com suas mentiras e habilidades de interpretação.

Para quem gosta de livros com curiosidades e biografias, Lady Killers: Assassinas em Série traz várias informações que despertam o interesse em se aprofundar nas histórias de vida dessas mulheres e entender como as próximas gerações podem ficar conscientes dessa realidade. Não é uma leitura para quem tem estômago fraco, mas assim como a autora, eu concordo que ficar em negação sobre a existência de assassinos em série não é algo positivo para ninguém, especialmente porque à primeira vista, nenhum psicopata com tendências criminais se apresenta como tal – pelo contrário, muitas das mulheres apresentadas no livro gostavam de passar uma imagem bondosa.

Um dos relatos que mais me chocou no livro foi o de uma sororidade entre assassinas/envenenadoras que ficaram impunes, até que as cartas denunciando a omissão das autoridades e a falta de investigação, deixando a cidade em desespero. Dezenas de corpos foram desenterrados e mais de 30 pessoas foram julgadas pelos crimes.


Não dá para falar muito sobre Lady Killers: Assassinas em Série sem revelar muitas informações, então, tentei adicionar neste texto algumas curiosidades encontradas no livro. Como a editora tem outros livros sobre o universo da criminologia e serial killers, as leituras se complementam, como o livro Serial Killers: Louco ou Cruel, da Ilana Casoy.

Confira 8 Curiosidades do livro Lady Killers: Assassinas em Série (Tori Telfer):


1) Aparências e máscaras sociais enganam


Os valores sociais variam e muito de acordo com a época, região e cultura, porém, quando se tratam de mulheres assassinas em série e/ou psicopatas, muitas vezes, elas foram e ainda são protegidas pelas questões dos estereótipos femininos e das máscaras sociais.

“Vejam bem, eu entendo que é mais fácil engolir matanças em série quando os crimes são amenizados por um apelido, adoçados pelo sexo ou categorizados por algum arquétipo. As pessoas têm infinitos truques nas mangas para minimizar a violência feminina: desumanizam assassinas em série, comparando-as com monstros, vampiros, feiticeiras e animais; erotizam-nas até que pareçam mais inofensivas [...] O assassinato é assustador; quem quer reivindicá-lo? Quem quer entendê-lo? Porém, no fim do dia, creio que haja algum ganho no reconhecimento da agressão feminina, mesmo quando é algo doentio e distorcido. Caso contrário, estaríamos vivendo em negação. E, apenas para deixar registrado, essa negação é exatamente o motivo de muitas avós simpáticas terem conseguido matar durante décadas sem levantar a mínima suspeita” – Tori Telfer, Lady Killers: Assassinas em Série

Como não ficar surpreso com a mulher que enterrou várias pessoas no jardim e saiu para comprar café para os policiais visitantes na maior tranquilidade? Alguns psicopatas são mestres da manipulação, outros, são mais desorganizados, mas todos os psicopatas assassinos em série têm em comum a ausência de remorso.

2) Métodos mais discretos


Segundo a compilação de Tori Telfer, o envenenamento está entre os métodos mais usados. Junto com a associação da mulher à culinária, muitas das psicopatas listadas no livro utilizaram isso ao favor próprio, adicionando veneno em suas receitas.

“O veneno é sorrateiro, lento, e você pode envenenar alguém sem derramar uma gota de sangue nem fazer contato visual com a pessoa desafortunada. Assim também não é um método considerado muito assustador. Envenenadores não causam tanto medo nas pessoas quanto, digamos, estripadores [...] O veneno é a arma dos insensíveis, dos sociopatas, dos realmente cruéis” – Tori Telfer, Lady Killers: Assassinas em Série

3) A tentativa de encontrar razões sobrenaturais para a existência de psicopatas


Mitos, lendas urbanas, crenças, superstições. Alguém fica surpreso em descobrir que várias das assassinas em série do livro foram descritas como bruxas? Desde que o cristianismo popularizou, pessoas diferentes foram julgadas como bruxas – fruto da histeria religiosa. Não basta terem queimado na fogueira, perseguido, enforcado e assassinado vários inocentes, o preconceito religioso respinga até os dias atuais.

Com as serial killers não foi diferente, porém, não significa que elas tenham praticado bruxaria. Fazer essa associação, é só uma maneira das pessoas ingênuas e sem conhecimento de justificarem o inexplicável – que parece sem razão aos nossos olhos, mas não é tão aleatório assim para assassinos em série e, muitas vezes, segue até um padrão.

“Séculos depois de Alice ter sido acusada de ser a ‘mãe e mestra’ de uma sociedade de bruxas (...) Ela foi acusada falsamente porque tinha dinheiro demais, porque a sociedade achava que mulheres poderosas eram irritantes e/ou perigosas, ou porque as pessoas queriam roubar suas terras” – Tori Telfer, Lady Killers: Assassinas em Série 

4) Gosto pelo poder


Psicopatas assassinos em série gostam de mostrar que tem poder sobre os outros. O livro traz desde histórias de mulheres protegidas por sua posição social, como Elizabeth Báthory, conhecida como A Condessa Sangrenta, até de mulheres que usaram homens para subir na vida, por dinheiro e/ou sobrevivência e depois se livraram deles, as viúvas-negras.


5) Beleza fatal


Hollywood adora uma história com psicopatas atraentes. Mas não é só nas produções culturais que os psicopatas são representados assim. Nos casos das mulheres assassinas em série, é quase como se o imaginário popular fizesse essa associação entre serial killers e femme fatale. Como toda generalização, nem preciso dizer que esta também está errada, né?


6) Serial killers influenciados pelas produções culturais violentas?


Ano vem e ano vai, e as especulações sobre assassinos sempre são divulgadas na mídia. O pensamento de que jogos, filmes e séries possam ser influenciadores de comportamentos assassinos só mostra a ingenuidade de quem desconhece as origens do teatro e da literatura. Toda geração atual tenta culpar a geração anterior por problemas e com o mundo dos serial killers não é tão diferente.

Desde as 14 assassinas nascidas a partir de 1263 (Alice Kyteler) até os casos mais recentes catalogados pelo Aprendiz Verde, incluindo o da brasileira viúva-negra Heloísa Borba Gonçalves, foragida da justiça, dá para ter noção de que embora o termo não existia até inventarem, assassinos em série estão na Terra há muitos séculos.


“Os Benders poderiam ter continuado sua matança por anos se não tivessem assassinado a pessoa errada. Foi um equívoco clássico, na verdade: eles queriam descobrir por quanto tempo conseguiram permanecer impunes e cometeram um erro de cálculo” – Tori Telfer, Lady Killers: Assassinas em Série 

7) Nem todo mundo é bom


Diferente do que se acredita, nem toda pessoa é boa. Seja por fatores genéticos, biológicos e/ou sociais, ficar em negação sobre a maldade humana não traz benefícios a ninguém. Assim como acontece com várias condições dificilmente identificadas e diagnosticadas, pesquisas mostram diferenças no cérebro de psicopatas assassinos em série, descartando a insanidade em muitos casos.

Muitos dos assassinos em série matam conscientes do que estão fazendo e não sentem remorso, mas conhecendo a fraqueza dos outros, podem manipular o público e até mesmo diminuírem suas penas alegando problemas psiquiátricos que nunca tiveram. O livro traz recorte de mulheres assassinas em série que foram defendidas por advogados que realmente acreditavam na sua humanidade. A ingenuidade não só mata, como também leva à impunidade.

8) Anjos da morte


Associamos profissionais de saúde e hospitaleiros à ética e colocamos nossas vidas em suas mãos sem medo. Embora não seja o foco principal do livro, a autora conta a história de alguns dos anjos da morte, pessoas que aproveitavam sua posição de controle sobre as pessoas para envenená-las e/ou matá-las.

Sobre a autora 


Tori Telfer é escritora e editora, e seu trabalho já apareceu na Salon, Vice, Jezebel, The Awl, The Hairpin, Good Magazine, entre outros. Ela trabalhou como editora de revistas infantis, revisora acadêmica, ghostwriter corporativa, professora de redação e redatora publicitária voluntária; também rodou salões de muitos eventos deslumbrantes servindo tira-gostos. Escreveu, dirigiu e produziu peças independentes em Chicago e Los Angeles. Formou-se em Redação Criativa na Northwestern University. Lady Killers: Assassinas em Série é o seu primeiro livro.

Sobre a ilustradora  


Jennifer Dahbura é ilustradora salvadorenha nascida na cidade de Santa Ana. Ela desenha desde pequena, quando fazia retratos das tias e amigas de sua mãe, e se inspira no corpo feminino para criar artes poderosas que valorizam as particularidades das mulheres. Dahbura usa seu trabalho como homenagem a tudo que a influencia – músicas, livros, sentimentos, fotografias, histórias – e mergulha fundo nos detalhes visuais que permeiam o século XVI e os anos 1920, suas épocas favoritas. Saiba mais em instagram.com/jennidahbura

E aí, ficou curioso(a) para ler Lady Killers: Assassinas em Série? Gostou da indicação? Compartilhe! 

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Confira outras indicações de leitura sobre o universo dos serial killers e/ou criminologia:

Eu Vejo Kate (Cláudia Lemes) 

Livro sobre psicopatas traz relatos de especialista em diagnósticos 

Mindhunter: Livro sobre caçador de serial killers será lançado pela editora Intrínseca 

Livro da Ilana Casoy explora casos de serial killers brasileiros 

Livro de escritora brasileira reúne histórias de serial killers que chocaram o mundo 

Legião (William Peter Blatty) 

Livro sobre assassinos, serial killers e psicopatas que caçaram vítimas na internet 

Presságio: O Assassinato da Freira Nua (Leonardo Barros) 

Livro explora julgamentos de crimes em família que chocaram os brasileiros

Livros sobre serial killers ganham edição de volume único pela editora DarkSide Books 

Resenha: American Crime Story: O Povo Contra O. J. Simpson – Jeffrey Toobin 

Resenha: Escuridão Total Sem Estrelas – Stephen King 

O Massacre da Serra Elétrica: Livro traz entrevistas sobre os filmes de terror 

Resenha: A Hora do Pesadelo – Thommy Hutson 

Resenha: Menina Má – William March 

Resenha: Sexta-Feira 13: Arquivos de Crystal Lake – David Grove 

Assassinas em série, psicopatas, negação e máscaras sociais 

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