Pular para o conteúdo principal

Destaques

Dias de sono

Os dias de sono voltaram. Dias em que parecia que não importava o quanto dormisse, sentia mais vontade de dormir. Uma fome sem fim. Seria desejo de sonhar? Vontade de esquecer um pouco a realidade? Ou quem sabe algo ligado à mudança de tempo? Não sabia definir completamente. Sabia que os dias estavam passando. Sabia que faltavam poucos dias para completar um ano sem cigarro, aquilo que costumava usar para manter acordado ao se levantar junto com o cafezinho. Em um ano muita coisa poderia mudar. E era inevitável não encarar as mudanças. Tinha dias de nostalgia, mas também dias em que queria se manter firme no momento presente. Escrevia para manter viva a chama da criatividade. Escrevia para se entender melhor e também para que o leitor se compreendesse. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Liv...

Sobre celulares e amores líquidos


Em tempos pós-modernos o amor pelos objetos é tão real quanto o sentido entre os próprios humanos. Incertezas e medos infiltram-se nos nossos cotidianos, desde a dúvida mais banal até as mais complexas, isto é, para aqueles que ainda pensam e preferem seguir a sua própria voz. Caso contrário, concordar com tudo, sorrir e acenar ainda é a melhor opção.

Vive-se o hoje como um dia de sol, e o amanhã como um dia nublado. A neblina do desconhecido toma conta dos pensamentos. Não conseguia deixar de pensar em como era difícil para as pessoas se comprometerem com algo nos dias de hoje. Contratos de longo prazo são assustadores, a não ser que possibilitem a aquisição de novos produtos (leia-se: relacionamentos).

Chega a ser meio idiota comparar um relacionamento a um celular, mas é como observo que esse laço tem sido tratado na atualidade. Começa no momento em que aquele aparelho atraente é visto na vitrine. Você ainda não sabe quais são as funcionalidades dele, mas sabe de cara que ele é moderno e bonito. Se ele for "conhecido", pode ser que isto pese bastante na escolha.

Depois de tentar se convencer porque você merece comprar aquele aparelho, chega a hora de escolher qual será a forma do pagamento e o principal, qual será o plano escolhido. Quando se trata de relacionamentos, este mesmo pagamento é feito em forma de afeto. Há os que preferem pagar à vista o valor total e os que parcelam de acordo com a quantidade que sentem mais confortáveis.

Os planos que duravam um ano, hoje são impensáveis. Os indivíduos sentem-se presos no contrato, assim como nos relacionamentos. A sensação de que algo novo, melhor e mais bonito chegará em breve é constante. Por que então se prender?

"Amor líquido" é o termo utilizado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman relacionando as relações humanas à liquidez. Segundo o sociólogo, essas transformações do consumo de produtos e informações foram incorporadas nos relacionamentos. No ensaio escrito por Gioconda Bordon à respeito da obra de Bauman, a autora comenta: "Nunca houve tanta liberdade na escolha de parceiros, nem tanta variedade de modelos de relacionamentos, e, no entanto, nunca os casais se sentiram tão ansiosos e prontos para rever, ou reverter o rumo da relação".

Cada vez mais confeccionados de forma a não durarem muito, o ritmo de procura e consumo de produtos satisfatórios também é visto na procura por parceiros. Relacionamentos começam e terminam num piscar de olhos. Nada como um fechar de janelas no computador para que um novo parceiro possa entrar nessa brincadeira de "esconde-esconde amoroso".

Leia também o ensaio "A fragilidade dos laços humanos", de Gioconda Bordon
Relacionamentos em tempos pós-modernos

Amores de plástico

Sobre Amores e Calças Jeans

Amor Líquido - Livro aborda a fragilidade dos laços humanos

Mais lidas da semana