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Destaques

Para Toda a Eternidade: Livro explora rituais funerários diversos

Entre a naturalidade e o espanto, o tradicional e o moderno, o ocidental e o oriental, Caitlin Doughty transmite ao leitor histórias de suas visitas a espaços e profissionais envolvidos com o universo mortuário. Uma das obras pedidas por quem já tinha lido Confissões do Crematório, o novo livro foi publicado no Brasil pela editora DarkSide Books, em junho de 2019, com tradução de Regiane Winarski e ilustrações de Landis Blair.


Compre o livro Para Toda a Eternidade (Caitlin Doughty): https://amzn.to/2R2FwqN

“Eu passei a acreditar que os méritos de um costume relacionados à morte não são baseados em matemática [...] mas em emoções, numa crença na nobreza única da própria cultura da pessoa. Isso quer dizer que consideramos os rituais de morte selvagens apenas quando eles não são como os nossos” – Caitlin Doughty, Para Toda a Eternidade
Dá para ler tranquilamente Para Toda a Eternidade sem ter lido Confissões do Crematório, mas acredito que as duas leituras são complementares. Enquanto na p…

Sobre celulares e amores líquidos


Em tempos pós-modernos o amor pelos objetos é tão real quanto o sentido entre os próprios humanos. Incertezas e medos infiltram-se nos nossos cotidianos, desde a dúvida mais banal até as mais complexas, isto é, para aqueles que ainda pensam e preferem seguir a sua própria voz. Caso contrário, concordar com tudo, sorrir e acenar ainda é a melhor opção.

Vive-se o hoje como um dia de sol, e o amanhã como um dia nublado. A neblina do desconhecido toma conta dos pensamentos. Não conseguia deixar de pensar em como era difícil para as pessoas se comprometerem com algo nos dias de hoje. Contratos de longo prazo são assustadores, a não ser que possibilitem a aquisição de novos produtos (leia-se: relacionamentos).

Chega a ser meio idiota comparar um relacionamento a um celular, mas é como observo que esse laço tem sido tratado na atualidade. Começa no momento em que aquele aparelho atraente é visto na vitrine. Você ainda não sabe quais são as funcionalidades dele, mas sabe de cara que ele é moderno e bonito. Se ele for "conhecido", pode ser que isto pese bastante na escolha.

Depois de tentar se convencer porque você merece comprar aquele aparelho, chega a hora de escolher qual será a forma do pagamento e o principal, qual será o plano escolhido. Quando se trata de relacionamentos, este mesmo pagamento é feito em forma de afeto. Há os que preferem pagar à vista o valor total e os que parcelam de acordo com a quantidade que sentem mais confortáveis.

Os planos que duravam um ano, hoje são impensáveis. Os indivíduos sentem-se presos no contrato, assim como nos relacionamentos. A sensação de que algo novo, melhor e mais bonito chegará em breve é constante. Por que então se prender?

"Amor líquido" é o termo utilizado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman relacionando as relações humanas à liquidez. Segundo o sociólogo, essas transformações do consumo de produtos e informações foram incorporadas nos relacionamentos. No ensaio escrito por Gioconda Bordon à respeito da obra de Bauman, a autora comenta: "Nunca houve tanta liberdade na escolha de parceiros, nem tanta variedade de modelos de relacionamentos, e, no entanto, nunca os casais se sentiram tão ansiosos e prontos para rever, ou reverter o rumo da relação".

Cada vez mais confeccionados de forma a não durarem muito, o ritmo de procura e consumo de produtos satisfatórios também é visto na procura por parceiros. Relacionamentos começam e terminam num piscar de olhos. Nada como um fechar de janelas no computador para que um novo parceiro possa entrar nessa brincadeira de "esconde-esconde amoroso".

Leia também o ensaio "A fragilidade dos laços humanos", de Gioconda Bordon
Relacionamentos em tempos pós-modernos

Amores de plástico

Sobre Amores e Calças Jeans

Amor Líquido - Livro aborda a fragilidade dos laços humanos

Comentários

  1. O descaso e a falta de solidariedade tem levado a sociedade a um distanciamento cruel e imaturo. Seres que não cansam de colocar e recolocar suas máscaras, de viverem a dialética do comodismo que nos cegam na busca de soluções e da omissão que se protege do comprometimento.

    Seus textos revelam destreza, criticidade e ao mesmo tempo nos convida a reflexão.
    Percebo que você tem vivência aos fatos relatados, talvez uma de suas caracteristicas seja a de observar. Jamais perca a docilidade (sensibilidade) pela vida pois isso o torna único, contudo, dizer... Parabéns.
    AbraçoOos

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  2. Texto incrível. Acho que a reflexão é bem essa mesmo. Só não sei o que é pior. Quando somos alienados e nos deixamos cair nessa "fluidez", ou quando somos "inteligentes" e vivemos a parte disso... Who Knows?

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  3. É... fica difícil saber o que é pior. É preciso tentar balancear. São tempos loucos... Talvez seja bom dizer não às vezes. Amores de plástico não me apetecem.
    O problema não é dizer não, é saber quando dizer sim. Palavras ao vento e promessas vazias chegam na velocidade da luz e vão embora tão rápido quanto chegaram.
    Obrigado pelo comentário. Fico realmente feliz!
    Abraços
    --
    Ben Oliveira

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