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Destaques

Seis meses sem cigarro

Seis meses sem cigarro. Há um tempo parecia algo impossível de alcançar e aqui estava ele: estaria mentindo se dissesse que ainda não tinha fissura, mas havia conseguido controlar bem mais como nunca imaginara antes. Seis meses davam uma sensação boa. Seis meses sem fumar um cigarro, mesmo passando por inúmeras situações de estresse e de ansiedade. Seis meses aprendendo a regular as emoções de forma a não descontar no vício. Os meses iam passando. Datas que antes pareciam impossíveis se tornam reais. Já imaginara quando seria quando completasse um ano sem cigarro. Ia escrevendo para comemorar e lembrar que os pequenos dias também importavam. Escrevia para lembrar que o difícil não era impossível e qualquer um poderia conseguir se livrar do cigarro, por mais difícil que parecesse no início. Escrevia para agradecer a si mesmo por ter se libertado de algo que fazia tão mal e muita gente ainda acreditava que fazia bem. Escrevia para deixar claro que não queria voltar atrás e mesmo nos dias...

Relacionamentos Contemporâneos

Para entender os relacionamentos contemporâneos é preciso entender um pouco sobre a adolescência e a sociedade brasileira. À procura de mais informações sobre o assunto, encontrei o seguinte artigo na internet: "O “ficar” na adolescência e paradigmas de relacionamento amoroso da contemporaneidade", escrito pelo psicólogo e Doutor em Psicologia Social, José Sterza Justo, divulgado na Revista do Departamento de Psicologia - UFF, v. 17 - nº 1, p. 61-77, Jan./Jun. 2005.

No artigo o psicólogo levanta alguns pontos sobre a adolescência, como as crises afetivas, emocionais, de identidade e valores, entre outras percorridas durante essa fase. Ainda segundo o autor, estas crises podem ser consideradas positivas pois contribuem com a melhoria e dinamização do sujeito.

Após descrever as mudanças da adolescência e sua importância na formação do sujeito, José Sterza Justo propõe reflexões sobre os relacionamentos afetivos e amorosos na adolescência, o que me fez pensar se esta fase realmente está relacionada à idade ou se algumas pessoas seriam eternos adolescentes.

Segundo o psicólogo, a cultura brasileira valoriza a adolescência e as novidades e mudanças, alguns atrativos deste período da vida, diferente de outros países onde são cultivados a memória social e os idosos. Entre as características da cultura do Brasil citadas pelo autor estão o progresso, dinamismo, sensualidade, afetividade, prazer e migração. "Uma simples ronda por uma cidade revelará a presença maciça dos jovens nos espaços públicos. A cidade é dos jovens, diferentemente do acontece em muitos outros países", comenta o autor.

As consequências desta valorização são a instabilidade e a cultura do descarte. Da mesma forma que os objetos são criados pensados em seu descarte e abandono e a conservação é uma espécie de castigo, estas atitudes são incorporadas nos relacionamentos.  "Tal disposição psicológica para o descarte estrutura-se no plano emocional afetivo orientador das relações do sujeito com as coisas do seu mundo, incluindo aí, principalmente, as outras pessoas como os principais objetos de suas relações e visadas do seu desejo", explica .

Características bastante presentes na sociedade atual, a efemeridade, o imediatismo, a cultura do descartável e o consumismo são percebidos nos relacionamentos amorosos contemporâneos. A família, relacionamentos tradicionais e vínculos amorosos são transformados e tornam-se fluídos, breves, instantâneos, instáveis perdendo as noções de solidez,  amor e casamento eternos. Para Bauman, a sexualidade ganha força. Se antes a sexualidade fazia parte de um projeto de vida e relacionamento, hoje as pessoas buscam o próprio prazer sexual, são cada vez mais hedonistas. Buscando tantos prazeres instantâneos, as pessoas acabam se tornando "colecionadores de sensações", como define o sociólogo.

De acordo com o psicólogo, os vínculos duradouros, a aproximação entre as pessoas e o projeto futuro perdem lugar para as relações abreviadas: "voltadas para a satisfação de necessidades e desejos imediatos, sem compromissos que ultrapassem o momento da relação". Além de começarem e acabarem cada vez mais rápidas, as relações se renovam e multiplicam constantemente. Segundo o psicólogo, a palavra "ficar" ganha mais destaque e está relacionada aos relacionamentos passageiros, superficiais e sem envolvimentos profundos, que duram enquanto o encontro durar. Mais do que um passatempo ou simples diversão, o "ficar" também pode ser visto como exploratório e um contato que poderia levar ao namoro, apesar de na maioria dos casos se comportar como: "um “estar junto” que se esgota em si mesmo sem produzir outros desdobramentos", explica José Sterza Justo.

"É bom “ficar” mas a falta de uma perspectiva de futuro produz uma sensação de desamparo e insegurança; é bom namorar e casar, mas a vida fica muito limitada e pesada pelos compromissos assumidos, encargos domésticos e dificuldades na convivência diária – o preço a pagar pela segurança e pela confiança", argumenta o psicólogo José Sterza Justo.

As transformações da sociedade trouxeram a ideia de liberdade, mas também a de dispersão, entre outros pontos, refletidos nos relacionamentos contemporâneos.

Leia o artigo na íntegra: http://www.scielo.br/pdf/rdpsi/v17n1/v17n1a05.pdf.

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