Pular para o conteúdo principal

Destaques

Imprevisível

Era antes de dormir que vinha a vontade de escrever. Tudo parecia estar dominado pelo sol, mas a qualquer momento tudo pode mudar em Campo Grande (MS). Tudo o que posso fazer é torcer para que não haja outros prejuízos e pessoas machucadas pela tempestade. Tudo indica que venha vento, mas por enquanto nada é 100% certo. Era na ventania que percebia o humor mudar. E se lembrava da importância da calma. Uma crise precisava ter mais do que alguns ventos para ser chamada assim. Ia deitar consciente de que não queria chuva, mas que poderia acontecer. Que o sol estava ajudando na regulação do humor, mas que era mais difícil quando tudo era imprevisível. Escrevia para se despedir do sol. Para lembrar que embora houvesse risco, não necessariamente significava que iria acontecer. E de todo modo, com os alertas feitos pelos jornais de Campo Grande (MS), que as pessoas saberiam o que fazer. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escrita Maldita , p ublicad...

O Desafio Diário de Escrever

Dizem que escritores precisam conversar com outros escritores. Tenho colegas que apesar de escreverem bem, lidam com o desafio de se tornarem escritores profissionais. Juntos conversamos sobre nossas angústias, bloqueios criativos, recomendamos leituras de livros sobre criação literária e literatura, enfim, desabafamos sobre nossas rotinas.

Esta semana ao conversar com um colega, vi que sempre lutávamos com o mesmo conflito: a dificuldade de escrever diariamente e incorporar a prática à nossa rotina.

– Como anda a escrita? – perguntei.

– Parada e a sua?

– Às vezes bem, mas no momento com bloqueio também.

O diálogo não foi exatamente assim, mas poderia ter sido. Não sei dizer quantas vezes tivemos aquela conversa e para falar a verdade, apesar de repetitiva, as respostas nunca são as mesmas e é como se no momento em que eu o aconselho, na verdade, estou me aconselhando, e vice-versa. Projetamos nossas frustrações, medos, incertezas e no fim do bate-papo me sinto mais leve e pronto para seguir em frente.

– Estou pensando em viajar. – ele disse.

– Ótimo! Tenho certeza de que vai ajudar na sua escrita.

– Eu vim para cá para escrever, mas há tantas coisas para fazer, lugares para conhecer, que estou sentindo mais a cidade do que escrevendo. Preciso escrever textos literários diariamente.

Concordei com ele. Ambos temos blogs e, às vezes, contamos nossas rotinas ou escrevemos artigos, mas não é o que propomos a fazer ao se aventura pelo caminho da escrita.

– Sabe – disse para ele – você não precisa se preocupar tanto. Você tem todo o conhecimento sobre escrita que precisa, seja dos livros ou dos cursos. O que você precisa fazer é escrever. Se não consegue em um horário fixo, pois que seja de manhã em um dia, à tarde ou à noite no outro. O importante é escrever.

– Estou precisando viajar.

– Sei que será ruim atualizar o blog na viagem, mas se puder, escreva um diário de bordo e poste quando voltar ou tiver tempo.

– Esta é a ideia!

– Ótimo! Por que aprendo com suas aventuras como se elas fossem minhas.

Nos despedimos e mesmo sem saber quando nos falaremos novamente, sei que enfrentaremos a procrastinação e os bloqueios, uma batalha diária na vida de escritores iniciantes, que mesmo tendo uma boa bagagem cultural e conhecimentos sobre escrita, se escondem atrás dos livros e cursos, deixando de lado o que deveriam estar fazendo: escrevendo.

Mais lidas da semana