terça-feira, 29 de julho de 2014

Entrevista: Escritor Fabio Shiva, autor do inovador romance policial O Sincronicídio

O Sincronicídio, romance policial com muita morte, sexo e filosofia foi o primeiro livro a ser publicado pela Caligo Editora. O livro do músico, produtor cultural e escritor, Fabio Shiva fisga violentamente o leitor, de forma que ele não consegue deixar de lado até descobrir qual será o destino do protagonista, o inspetor Alberto Teixeira e qual é a sua relação com o antagonista que se apresenta logo nos primeiros capítulos.
Músico e escritor, Fabio Shiva.
Foto: Sandra Carvalho / Divulgação.

Durante as 520 páginas do romance, Fabio Shiva faz cada uma das cenas se conectarem. Além das inúmeras referências literárias, o escritor utilizou um problema do Xadrez e elementos do oráculo chinês, I Ching, para estruturar a história. O resultado é encantador – um daqueles livros que você devora o texto, mas decifra-o aos poucos e após o final da leitura, o leitor já não é mais o mesmo. Ele não só acompanhou as transformações dos personagens, como algo dentro dele mudou, ele obteve conhecimento e alcançou a iluminação.

Nascido em Salvador, Bahia, Fabio Shiva já foi camelô, body piercer, analista de RH, corretor de imóveis, assessor de imprensa, trabalhou em jornais e publicações e ghost writer.  “Sou muito grato por essas experiências, pois me ajudaram a conhecer mais do mundo e de meus semelhantes. Costumo dizer que já vivi muitas vidas só nesta vida. Alguns de meus escritores favoritos tiveram várias profissões antes de começar a escrever”, descreve como essas experiências influenciam sua literatura. “Estou aberto para o que a vida trouxer!”, acrescenta.

Confira a entrevista com o escritor Fabio Shiva, autor de O Sincronicídio:

Ben Oliveira: De onde surgiu o conceito de o “Sincronicídio”?

Fabio Shiva: Essa palavra é um neologismo que inventei juntando o conceito de “Sincronicidade” desenvolvido pelo Jung com o sufixo “-cídio”, que tanto significa “matar, assassinar” como “cair, decair”. Então “Sincronicídio” tanto pode se referir a “assassinatos em sincronia” quanto a uma “morte ou decadência do contemporâneo”. Então o próprio título já traz essa ambiguidade, isso de trazer um significado escondido dentro de outro, que acho que é bem a cara do livro.

Ben Oliveira: Cada escritor tem seu ritual da escrita, para entrar no clima e começar a construir sua história. Qual é o seu?

Fabio Shiva: Cada livro tem o seu próprio ritual. No caso do Sincronicídio, como foi o meu primeiro, criei uma porção de rituais! O primeiro deles foi uma obsessão musical com a Sinfonia “Eroica”, do Beethoven, que eu escutava nada menos que dezesseis vezes por dia quando comecei a escrever o livro. Depois, como forma de me motivar, criei uma planilha com gráficos acompanhando dia a dia o tanto de palavras que eu havia escrito. Sempre antes de escrever eu cantava um mantra para Ganesha, que pode ser considerado o maior escritor de todos os tempos, uma vez que a tradição atribui a ele a redação do Mahabharata. E teve outras coisas também, que agora já não lembro. Mas nos livros seguintes busquei mudar totalmente o processo, para não ficar congelado em um ritual. O “Manifesto – Mensageiros do Vento” teve um ritual interessante: escrevi quase tudo na penumbra e até na escuridão total, como forma de estimular o inconsciente a aflorar. O livro seguinte foi um livro de contos, onde não me lembro de ter utilizado nenhum ritual específico. O livro de Meditação para Crianças eu determinei o dia em que iria escrever, foi quase tudo em um só dia, depois que passei sete horas meditando. E, atualmente, estou escrevendo um novo romance, onde o ritual mais evidente é sempre escrever primeiro no papel, e só depois passar para o computador!

Ben Oliveira: Não há um capítulo de O Sincronicídio que não prenda o leitor. Quanto tempo levou para planejar o romance? E como foi o processo de criação literária?

Fabio Shiva: Muito grato, meu amigo! Levei quatro anos para produzir o Sincronicídio, entre planejamento, pesquisa, redação e revisões. Meu objetivo maior era escrever um romance policial, mas de um jeito novo, que não tivesse sido experimentado ainda. A chave para isso foi a estruturação dos capítulos como um “Passeio do Cavalo”, um clássico problema de xadrez, através dos 64 hexagramas do I Ching, o milenar oráculo chinês. Cada capítulo do livro equivale a um dos hexagramas e também a uma das 64 casas do tabuleiro de xadrez que o Cavalo deve percorrer para completar o passeio. Essa é uma ideia aparentemente complexa, mas outro objetivo crucial foi apresentar isso tudo da forma mais direta e simples possível, em uma trama envolvente, capaz de capturar a atenção do leitor. Ninguém precisa saber nada sobre xadrez ou I Ching para curtir a história.

Ben Oliveira: Quem te conhece, mesmo que virtualmente, percebe a influência do Dharma, Meditação e equilíbrio em sua vida. Por outro lado, O Sincronicídio está recheado de morte, sexo e violência. Quando Buda, por exemplo, enfrentou seus demônios, eram com os desejos do subconsciente que ele lutava. O quanto tem de catártico na sua escrita? 

Fabio Shiva: Tem tudo! Nesse livro eu quis fazer exatamente isso, enfrentar o que mais me incomodava. É realmente um processo catártico, e também um processo que no fundo é de autoconhecimento, de investigar a “sombra”, no sentido junguiano. Foi muito interessante perceber que ao terminar de escrever o livro eu era uma pessoa diferente da que havia começado.

Ben Oliveira: Quando entrevistei o escritor Ricardo Bellissimo, ele abordou a importância de ser corajoso e não ter medo de se expressar, mesmo que possa chocar. Muitos leitores costumam associar as narrativas à personalidade do autor. Neste caso, há quem possa confundir personagens e conflitos com o subconsciente de quem escreve. Como você avalia este questão entre criador e criatura? Luz e sombras?

Fabio Shiva: Concordo plenamente com o Ricardo. Um escritor que tem vergonha ou receio do que o leitor vai pensar dele, em minha opinião, é alguém que ainda não está maduro para escrever. O chamado da escrita ainda não se tornou mais forte que todo o resto. Acredito muito nas palavras do Rainer Maria Rilke em seu maravilhoso livro “Cartas a um Jovem Poeta”: alguém só deve se meter a escrever se sentir que não seria capaz de viver se não escrevesse. Eu senti isso muito fortemente com o Sincronicídio: escrevi esse livro para não enlouquecer. Não foi um hobby ou uma distração nos momentos de ócio. Escrever é para mim uma questão de sobrevivência, no sentido existencial.

"Não tenha pressa em ser publicado. Leia muito, com uma leitura crítica, tentando sempre descobrir “como o mágico fez o truque”. Escreva muito, revise mais ainda".

Ben Oliveira: Muitos autores iniciantes e apressados para verem seus manuscritos publicados se esquecem da reescrita, leitura crítica e revisão. Num romance com vários personagens, cenas, espaços e tempos, as chances do romance ter várias pontas soltas podem ser grandes sem o devido zelo. O Sincronicídio, como o próprio título lembra, tem uma boa sincronia entre os acontecimentos. Como fez para garantir que não houvesse falhas na narrativa? 

Fabio Shiva: Eu fiz muitos trabalhos como revisor e até como ghost-writer antes de me aventurar a escrever meu próprio livro. Um dos trabalhos que revisei me marcou muito, era um romance repleto de falhas de lógica e de continuidade. Chegava ao ponto do nome dos personagens mudar de uma página para a outra! Ficou evidente que o autor fez apenas uma redação, que não chegou nem a ler o que escreveu. Ora, se nem a pessoa que escreveu tem vontade de ler, como pode esperar que outros queiram ler? A revisão é essencial para o trabalho do escritor. Considero fundamental a definição do Carlos Drummond de Andrade: “escrever é a arte de cortar palavras”. Lembrei agora de outro ritual que usei no Sincronicídio: criei um arquivo só para os trechos cortados, que intitulei de “Sóbrias”! O arquivo acabou com mais de 60 mil palavras. Para ajudar a manter a coesão e a coerência do texto, criei outro arquivo chamado “Pistas”, onde eu listava todas as referências cruzadas na trama. Por exemplo, o primeiro capítulo faz referências a diversos acontecimentos que vão sendo elucidados ao longo do livro, até literalmente o último capítulo! Resumindo, creio que não existe muito segredo quanto a isso. É só trabalho duro, nada mais!

Ben Oliveira: Seu livro está repleto de referências literárias, musicais e filosóficas. Qual é a importância do escritor ter uma bagagem cultural de qualidade? Como foi integrar esses conhecimentos na narrativa?

Fabio Shiva: Eu não sinto a menor vontade de escrever algo que seja um mero entretenimento. Quero que o que escrevo some de alguma forma na vida de quem lê. É claro que o texto deve ser divertido de se ler, mas ficar só na diversão não me satisfaz como autor. Respeito quem pensa diferente, mas não é a minha. Por outro lado, é preciso evitar a tentação de querer “dar aula” para o leitor, pois isso mata qualquer história. As informações, reflexões e questionamentos devem entrar da forma mais natural possível na trama. A literatura para mim se resume em duas palavras: diversão e arte!

Ben Oliveira: O Sincronicídio tem uma trilha sonora com músicas suas (Mensageiros do Vento) e de outros artistas, como Beethoven e The Beatles. Qual é o papel da música na sua criação literária?

Fabio Shiva: Nesse livro foi algo muito forte, pois a música é uma grande referência na minha vida. Quis utilizar a música como contraponto dramático para muitas das cenas, às vezes de forma mais óbvia, às vezes fugindo bastante ao esperado. Gosto de fazer essas pontes entre as artes. Da mesma forma, em nossas músicas fazemos muitas referências à literatura, à pintura, à filosofia... (Confira a trilha sonora de O Sincronicídio). Já no livro que estou escrevendo agora, “Favela Gótica”, praticamente não há referências cruzadas, pois a intenção é fazer algo bem mais cru e direto.

Ben Oliveira: Antes de O Sincronicídio ser publicado, ele teve leitores betas. Como essa leitura pode influenciar o processo de publicação do livro? 

Fabio Shiva: O leitor beta pode ser muito valioso, pois ele dá uma dimensão do olhar do outro. Ele ajuda o autor a perceber pontos obscuros na trama e mesmo erros. É importante, porém, que o autor saiba fazer a “leitura” do leitor beta, ou seja, contextualizar a opinião daquela determinada pessoa de acordo com suas vivências, gostos, opiniões, visão de mundo etc. Por isso é importante que haja várias pessoas lendo o texto, e que essas pessoas sejam o mais diversificadas possível. No meu caso particular, essa leitura beta foi diretamente responsável pela publicação do livro, pois a Bia Machado, que hoje comanda a Caligo Editora, leu o texto como leitora beta, antes ainda que a editora existisse. E quando a Caligo nasceu, para minha grande felicidade, o primeiro livro a ser publicado foi O Sincronicídio.

Ben Oliveira:Você se formou em Comunicação e cursou Ciências Sociais e Psicologia.Estes conhecimentos adquiridos podem ajudar na hora de contar histórias. É necessária alguma formação ao escritor? 

Fabio Shiva: Não acho necessário qualquer tipo de formação. Como um dos personagens do Sincronicídio diz, quando uma pessoa fala dos cursos que fez, está falando apenas do tempo que passou com a bunda sentada em uma cadeira. Não está dizendo nada sobre sua cabeça, sobre o que aprendeu. A pessoa mais estúpida que conheci na vida tinha doutorado em filosofia pela Sorbonne. Do mesmo modo, algumas das pessoas mais sábias que conheço não possuem quase nenhuma educação formal. É claro que todo aprendizado ajuda. O escritor deve ser acima de tudo um curioso, sentir muita vontade de olhar o mundo e enxergar, para, então, contar o que viu.

"Eu não sinto a menor vontade de escrever algo que seja um mero entretenimento. Quero que o que escrevo some de alguma forma na vida de quem lê"

Ben Oliveira: Existe uma previsão de publicação dos outros livros da trilogia do Sincronicídio?

Fabio Shiva: Não por enquanto. Esses livros não formam uma trilogia no sentido convencional. O Sincronicídio é uma história completa, com início, meio e fim. A trilogia vem da proposta de contar uma história de formas diferentes, utilizando estruturas pouco ortodoxas. É claro que há outros pontos de ligação entre as histórias, como alguns personagens em comum. Posso adiantar que o protagonista de “A Mais Tocada de Todos os Tempos” é Samuel Bontempo, que faz uma discreta, porém fundamental participação em “O Sincronicídio”. Na verdade, comecei a escrever esse livro antes do Sincronicídio, mas a cada vez reescrevia a história começando um pouco antes, e acabei parando em outra história! Como essa proposta demanda muito trabalho, estou me dando um tempo e fazendo histórias mais diretas e simples agora.

Ben Oliveira: Além de romance, você escreve contos e poemas. O que você mais gosta em cada um desses gêneros literários?

Fabio Shiva: O chamado da poesia é totalmente diferente do chamado do romance. Eu escrevo poesia quando a Musa canta, na verdade só faço copiar o que ouço. Já no caso do romance o processo é outro, é preciso escrever com ou sem inspiração, cumprir sua meta diária de palavras. Quanto ao conto, vejo que muitos colegas escritores consideram mais fácil escrever contos que romances. Eu não penso assim. Acho o conto muito mais difícil. Tanto que comecei pelo romance, e só depois me aventurei nos contos. Nesse livro de contos que escrevi, “Isso Tudo É Muito Raro”, fiquei muito feliz ao perceber um amadurecimento como escritor. Lamento que o gênero do conto esteja em baixa atualmente, por motivos mercadológicos. Considero o conto a fina arte literária!

Trecho do livro O Sincronicídio.

Ben Oliveira:Você é o fundador da Comunidade Resenhas Literárias. Conte o que é o projeto e como ele funciona?

Fabio Shiva: A CRL começou no Orkut, como um lugar para as pessoas trocarem ideias sobre livros. Foi uma época muito gostosa, de muita interação positiva, e tenho muitas amizades preciosas que surgiram daí. Hoje a CRL procura manter essa ideia de ser uma “comunidade”, um espaço coletivo, sem muitas regras a não ser o respeito mútuo. Tenho muito carinho também pelo PULA – Passe Um Livro Adiante, projeto que nasceu na CRL e já fez circular mais de 1.500 livros pelo Brasil.

Ben Oliveira: Os blogs literários têm se provado uma ferramenta complementar à mídia para contribuir na divulgação de obras e autores e incentivo à leitura. Qual é a importância destes blogs? 

Fabio Shiva: Os blogs literários, assim como a Internet como um todo, são ferramentas poderosas de libertação da ditadura mercadológica. Qualquer pessoa pode criar um blog e dizer o que pensa, expressar sua opinião. Na grande mídia tudo está atrelado a interesses financeiros. Um jornal ou um noticiário de tevê não veicula a verdade, mas sim a opinião do patrocinador. Os blogs são espaços muito mais sadios, nesse sentido. Eu hoje não assisto tevê para me informar, apenas para saber o que estão querendo que as pessoas pensem. Quando quero informação, vou para a Internet. E cada vez mais pessoas estão agindo assim. A ditadura do “Cidadão Kane” está com os dias contados.

Ben Oliveira: Nos dias atuais, está cada vez mais fácil ao autor interagir com leitores. Qual é a relevância desses relacionamentos e feedbacks?

Fabio Shiva: Penso que faz parte do mesmo processo libertador. Cada vez mais as pessoas estão aprendendo a buscar a informação por si mesmas, deixando de ser recipientes passivos para a opinião oficial imposta pelo sistema. O mercado literário não é menos opressivo que outros mercados. Os fatores que levam um livro a ficar em exibição numa grande livraria têm tudo a ver com dinheiro e muito pouco a ver com qualidade literária. Quantas e quantas vezes aparece um Best-seller que todo mundo sente que precisa ler, somente porque a propaganda diz que todo mundo está lendo? É uma grande sensação, e daí a alguns meses ninguém lembra mais do que leu naquele livro. Isso se chama consumismo, não é literatura. Então, a Internet hoje propicia uma abertura para novos ares, ao facilitar o contato direto entre o autor e o leitor. Permite que pequenas editoras sobrevivam à margem do esquemão, que os novos autores mostrem sua cara. Hoje só se imbeciliza quem quer. Há um universo de opções interessantes à disposição na Internet.

Ben Oliveira: Desde os 12 anos de idade você começou a participar de antologias de poemas e contos, e até hoje continua. Para alguns escritores, essas antologias são o primeiro contato com o mercado editorial. Qual é o valor de participar de coletâneas e concursos literários?

Fabio Shiva: Acho que existem muitos ganhos nisso. Não costumo pensar em termos imediatistas, em termos de quantos livros vou vender ao fazer isso ou aquilo. Gosto de participar de antologias, pois isso me dá a oportunidade de conhecer mais colegas escritores, entrar em contato com o que está sendo produzido por aí, travar contato com outras inteligências. Hoje mesmo fui convidado para uma antologia de crônicas, um estilo que nunca pratiquei. Então quero participar, para me experimentar nesse terreno novo para mim.

"A literatura para mim se resume em duas palavras: diversão e arte"

Ben Oliveira: Seu conto A Marca faz parte da coletânea RedruM: Contos de Crime e Morte que será lançada em agosto deste ano, pela Caligo Editora. O que o leitor pode esperar de sua história?

Fabio Shiva: Escrevi esse conto tendo em mente que a maioria dos leitores só conhece o que escrevi no Sincronicídio. Então quis homenagear todos que têm prestigiado o livro, seguindo uma estrutura bem semelhante, com uma história dentro da outra e muitas referências. No momento em que recebi o convite para participar do RedruM, estávamos iniciando o projeto “ANUNNAKI” com a banda Mensageiros do Vento, que será a primeira ópera-rock em animação já feita no Brasil. Então eu quis utilizar elementos desse trabalho no conto também. Deu trabalho, mas foi bem divertido escrever! Espero que o leitor se divirta também!

Ben Oliveira: Quais são os seus próximos projetos literários?

Fabio Shiva: Em agosto sai o RedruM, pela Caligo Editora. (Confira o post sobre os lançamentos da Caligo Editora em São Paulo) Em setembro participo da antologia poética “Mundo”, pela Cogito Editora, do amigo Ivan de Almeida, que me convidou também para essa antologia de crônicas. Está nos planos também lançar em breve o “Meditação para Crianças”, depende principalmente de terminar as ilustrações. No começo o ano que vem, com fé em Deus, sai o livro de contos “Isso Tudo É Muito Raro”, também pela Caligo. E tenho me dedicado para terminar o quanto antes o “Favela Gótica”. Não quero ficar muito tempo com essa história dentro da cabeça!

Ben Oliveira: Quais são os seus escritores favoritos?

Fabio Shiva: Essa é difícil de responder, pois são tantos! Vou falar os primeiros que vierem à cabeça: Anthony Burgess, Umberto Eco, Georges Simenon, Clarice Lispector, Isaac Asimov, Agatha Christie, Tolstoi, Dostoiévski, Hermann Hesse, Dennis Lehane, P. D. James, Rubem Fonseca, Saramago, José de Alencar, George Orwell, Aldous Huxley, Erico Veríssimo, John le Carré...

Ben Oliveira: Quais dicas você deixaria para escritores iniciantes?

Fabio Shiva: Não tenha pressa em ser publicado. Leia muito, com uma leitura crítica, tentando sempre descobrir “como o mágico fez o truque”. Escreva muito, revise mais ainda. Leia de tudo um pouco, não se limite apenas à sua área de preferência. Procure aprender outros idiomas, pois cada língua é uma maneira única de expressar o mundo através das palavras. Não cometa o erro de escrever por vaidade. Só escreva se sentir que não tem outro jeito. Aí sim você estará fazendo algo de produtivo com seu tempo e talento. Imite a todos, mas nunca a si mesmo. Não concorde com nada do que eu disse, mas busque por si mesmo as suas próprias verdades.

*O Sincronicídio pode ser encontrado na loja virtual da Caligo Editora!

6 comentários:

  1. Muito lúcidas as exposições de Fabio Shiva sobre o seu processo de criação literária, e que deve, antes de tudo, emanar de um chamado vocacional após escavar as camadas de trevas e sombras que, diariamente, soterram a alma de cada um. É um processo contínuo de escavação, um buraco abençoadamente sem fundo, e no qual o escritor deve saber se atirar, sem medo, todos os dias.
    Igualmente esclarecida é a concepção de Shiva sobre o atual mercado editorial, que, muitas vezes, prima pela saga mercadológica em detrimento à qualidade de uma obra. Decerto, um desserviço para qualquer aprimoramento cultural de uma sociedade. Mas, como o autor bem disse, há os blogs para desestruturar essa ordem estupidamente ditatorial. Só assim uma sociedade pode se sentir minimamente madura para optar por suas próprias escolhas.
    Concordo plenamente que o trabalho da escrita é um trabalho árduo como qualquer outro. Anotações e inspirações súbitas também são fundamentais ao processo. Na realidade, a raiz de tudo. Porém, de nada adiantam súbitas revelações, vindas da consciência ou da inconsciência, se o escritor não criar uma profunda cumplicidade com a sua rotina, a fim de estruturá-las sob o fio condutor de uma trama. E, no caso do romance, é necessário ainda um duelo profundo entre emoção e razão. Onde, talvez, tanto melhor não sobrarem mortos nem feridos.
    Parabéns ao Fabio, e minhas iguais congratulações ao Ben Oliveira por saber captar a essência de um livro e, a partir dela, criar questões pertinentes ao que possa interessar o leitor.
    Abraços aos dois,
    Ricardo


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    1. Ricardo, é uma honra receber sua visita no blog e seu comentário!
      Fico muito feliz que tenha gostado da entrevista e por suas colocações. Preciso dizer, de autores nacionais que escrevem sobre o gênero que eu gosto, vocês dois exercem (mesmo sem saberem) muita influência na minha escrita. Aprecio essa escrita que sabe unir o lado sombrio a uma boa catarse, mergulhando na alma dos personagens.
      Muito obrigado! Entrevistar você (Ricardo Bellissimo) e o Fabio Shiva têm sido um aprendizado para mim.
      Abraços

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    2. Caro Ricardo, fico muito grato e honrado por seu lindo comentário, que recebo como uma verdadeira benção!
      Viva a literatura brasileira!

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  2. Caro Ben, foi uma experiência muito intensa e enriquecedora responder suas perguntas tão instigantes e desafiadoras, que muito me fizeram refletir. Sou muito grato, querido amigo!
    Viva a literatura brasileira!

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  3. Oiii!!! Gostei muio da entrevista. Não conhecia o autor, nem o livro, mas me interessei bastante pel entrevista, o que me deu mais vontade de conhecer o livro. Não sou fã de romances policiais, mas a forma do autor se expressar durante a entrevista, deu vontade de conhecer o seu trabalho. Parabéns pela divulgação dos nacionais
    Abraços
    http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Gih! Fico muito feliz que tenha gostado da entrevista. Acho importante essa valorização de autores nacionais! Tenho certeza de que não irá se arrepender de ler O Sincronicídio, um livro muito bem escrito.
      Abraços e volte sempre!

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Obrigado pelo comentário. Volte sempre!

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