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Destaques

Resenha: Jurassic Park – Michael Crichton

Jurassic Park (O Parque dos Dinossauros) foi uma leitura nostálgica para mim. À medida que me aventurava pelas páginas do romance, foi como se eu desenrolasse várias memórias relacionadas ao universo ficcional dos dinossauros, popularizado pela adaptação cinematográfica dirigida por Steven Spielberg, em 1993. O livro de ficção científica escrito por Michael Crichton foi republicado em 2015, pela Editora Aleph, com tradução de Marcia Men.


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Mais do que entretenimento para os amantes de dinossauros, Jurassic Park é um conto caucionário sobre ciência, genética, ética e ambição humana. Hammond é um homem rico que idealiza um parque de diversão com dinossauros reais, sem se dar conta dos potenciais perigos de dar vida às criaturas.

Antes da abertura do parque, uma equipe de profissionais é convidada a visitar a Ilha Nublar, na Costa Rica, entre eles um matemático que alerta sobre as chances do projeto se tornar caótico e…

Resenha: A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário – Denis Thériault

A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário (Facteur émotif / The peculiar life of a lonely postman) é um romance canadense escrito por Denis Thériault, publicado no Brasil pela Editora Casa da Palavra, com tradução de Daniela P. B. Dias, em 2015. O livro explora a vida de Bilodo, um carteiro com uma secreta fascinação: abrir os envelopes e ler os conteúdos das cartas escritas pelos remetentes.


Bilodo é um solitário que preenche os seus dias percorrendo a cidade e entregando as encomendas. Com pouquíssimos amigos, ele se apega às cartas – como os bons leitores que são fissurados por livros e estão sempre precisando de mais uma dose. Longe de se interessar por qualquer carta; Bilodo gosta de cartas pessoais. E é no meio desta guilty pleasure, que o protagonista acaba se encantando por uma deliciosa correspondência em haicais.

“Bilodo vivia vidas alheias. Em vez da monotonia da existência real, preferia o mundo infinitamente mais colorido e emocionante do seu seriado particular. E, de todas as cartas clandestinas que compunham esse mundinho virtual fascinante, nenhuma mexia mais com ele ou o encantava mais do que as enviadas por Ségolène” – Denis Thériault,  A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário

Imerso no prazer de viver e imaginar a vida do outro – que amante de livros poderia julgá-lo? –, Bilodo se apaixona por uma professora chamada Ségolène. O interesse surgiu, é claro, da troca de cartas entre a mulher de Guadalupe e o poeta, Gaston Grandpré. Bilodo sente inveja do homem, de ter alguém que lhe escrevesse palavras que provocassem as mesmas reações que as da caribenha.

O romance se passa em Montreal, Quebec, local em que o autor do livro vive atualmente. Com uma linguagem bem direta, a história é bem enxuta, como um bonsai, mas não deixa de ser envolvente. Durante a leitura, nos sentimos como o próprio Bilodo bisbilhotando histórias. Me senti ainda mais conectado e instigado para saber o que acontecia, quando o protagonista foi se aprofundando no universo do haicai e também do tanka – uma forma mais antiga de poesia japonesa.

“A arte do haicai era a arte de captar um instantâneo fotográfico, um detalhe. Os versos podiam falar sobre um acontecimento na vida de alguém, uma lembrança, um sonho, mas o haicai era, sobretudo, um poema concreto, feito para instigar os sentidos, e não as ideias” – Denis Thériault,  A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário

Os haicais são formas poéticas tão incomuns dentro de romances, que fiquei maravilhado quando percebi que seriam peça-chave da narrativa, principalmente por sua relação com a escrita zen. Para quem é introspectivo, não é tão difícil se identificar com Bilodo. Os contatos mais próximos do homem são com um colega de trabalho, o qual ele considera melhor amigo, apesar de não terem nada em comum e com uma garçonete que sente um carinho por ele.


Quando os caminhos de Bilodo e Ségolène parecem sem confluência, a trama se movimenta com intensidade. O protagonista precisa fazer uma escolha diante de um infortúnio. A vida perde a graça sem as cartas de Ségolène. Voltar para sua velha rotina ou se aventura em sua própria jornada de criação poética?

“Ele escreveu, tentando conjurar a cooperação das palavras, lutando para agarrá-las no ar antes que se dispersassem, para capturá-las como borboletas na rede da sua página, e espetá-las no papel” – Denis Thériault,  A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário

Denis Thériault nos joga em um redemoinho. Quanto mais nos aproximamos do fim, mais ficamos angustiados para saber qual será o destino dos sentimentos que Bilodo nutre por Ségolène. Concluí a leitura com aquela vontade de reler o livro e me perder nos detalhes das poesias. Uma história redentora sobre paixões, palavras e círculos.


Sobre o autor – Nascido na costa norte do Golfo de St. Lawrence, Quebec, Denis Thériault tem licenciatura em psicologia, é um roteirista premiado e vive com sua família em Montreal. Seu primeiro romance, L’iguane, foi publicado com grande aclamação da crítica e ganhou os prêmios literários France-Québec 2001, Anne-Hebert 2002 e Odyssée 2002. A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário é o seu segundo romance.

Sobre a editora – Trabalho, criatividade, apuro e amor pelos livros. Foi com essa aposta que a Casa da Palavra se consolidou no mercado editorial, sem nunca perder de vista a vocação primeira de valorizar a história e a cultura brasileiras e, ao mesmo tempo, atender as expectativas do leitor com produtos que se diferenciam pelo rigor estético e pela qualidade de conteúdo.

Ao completar 15 anos de existência, a Casa da Palavra se associou à editora LeYa, que passou a cuidar, a partir de junho de 2011, de seus processos de distribuição, marketing e de sua estratégia de vendas para que a produção editorial pudesse ser ampliada e ganhasse mais visibilidade nos pontos de venda. Uma parceria para continuar, como sempre, mantendo o livro em primeiro lugar. A Casa da Palavra quer ver reforçado, cada vez mais, o prazer da leitura e o valor da palavra no avanço do saber.

E você, já leu A Vida Peculiar de um Carteiro Solitário? Ficou curioso?

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