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Destaques

Antraz: Documentário da Netflix revela investigações feitas pelo FBI durante anos

Um pouco após os atentados terroristas contra as torres gêmeas, em Nova Iorque, Estados Unidos, no 11 de setembro de 2001, uma ameaça de antraz colocou as autoridades, como o FBI em alerta, e espalhou pânico nos norte-americanos devido à facilidade de se espalhar sem as pessoas saberem.  Dirigido e roteirizado por Dan Krauss e produzido pela Netflix e pela BBC, 21 anos após o ataque e o primeiro caso de circulação do antraz, o documentário Antraz: EUA Sob Ataque (The Anthrax Attacks) leva o telespectador para as investigações do FBI que duraram anos. O que a princípio foi alvo de muita pressão para a solução do caso, principalmente pelo medo dos norte-americanos do esporo da bactéria continuar se espalhando pelas cartas e fazendo mais pessoas adoecerem e/ou morrerem, logo foi caindo no esquecimento conforme as investigações desenrolavam fora dos holofotes.  Com a proximidade do caso do ataque às torres gêmeas, à primeira vista, o pânico generalizado fez com quem os norte-americanos

Pandemia: Brasis divididos entre narrativas, fatos e dados paralelos

A pandemia de Covid-19 intensificou as divisões e reuniões políticas e ideológicas da sociedade brasileira. O evento fez uniões improváveis surgirem e também escancarou o sistema de pós-verdade do governo Bolsonaro, mostrando que por trás das estratégias de desinformação e fake news, há também possíveis interesses financeiros.

Quem manipula? Quem é manipulado? São perguntas nem sempre fáceis de explicar. O que acontece, no entanto, é que para desacreditar jornalistas, profissionais de saúde e pesquisadores, alguns profissionais dos diferentes grupos têm sido usados para dar uma falsa credibilidade às narrativas paralelas. O resultado a gente acompanha diariamente nas mídias sociais: pessoas do Brasil brigando por questões que já foram esclarecidas em outros países.

Com mais de um ano de pandemia e mais de 515 mil mortes por Covid-19 no Brasil, o que se observa é a tentativa de trazer à tona o tempo todo questões que nem deveríamos mais falar, como o uso de tratamentos sem comprovação científica, como a Cloroquina e Ivermectina. Como os remédios são defendidos por Jair Bolsonaro, as discussões foram recorrentes na CPI da Pandemia, causando até mal-estar em quem assiste pela insistência de defender o indefensável.

Nesta quarta-feira, 30 de junho de 2021, o empresário Carlos Wizard prestaria depoimento à CPI da Pandemia, mas como estava com habeas corpus, ele se limitou a responder múltiplas vezes que se manteria em silêncio. A situação foi atípica para os senadores, que acreditaram que ele responderia pelo menos perguntas básicas. 

No entanto, o mais chocante do dia foi um vídeo com trecho de uma entrevista de Carlos Wizard que foi reproduzido várias vezes pelos senadores. No vídeo, o empresário passa a informação falsa que ninguém que tomava o tratamento precoce (sem comprovação científica) morria de Covid-19 em Porto Feliz (SP) e sorrindo, ele diz que só morreu quem ficou em casa e não procurou atendimento médico imediato.

Um desses vídeos foi do dia em que ele foi entrevistado pela jornalista Leda Nagle. Ela que já ficou doente por Covid-19, precisou ser internada e viu que não era só uma gripezinha como muitos acreditavam na época. Vários vídeos do canal do YouTube de Leda Nagle foram removidos por conter informações erradas do ‘tratamento precoce’, o mesmo aconteceu com Alexandre Garcia e outros jornalistas.

Muitos senadores ficaram incomodados com o silêncio de Carlos Wizard, pois sua postura contrastou com a que foi observada nos vídeos. Como ele chegou lá com um versículo bíblico, vários senadores também apresentaram alguns durante suas falas – talvez em uma tentativa de comovê-lo de alguma forma a quebrar o silêncio, mas não foi eficiente. Embora o silêncio tenha sido usado para autopreservação, também serviu para aumentar a desconfiança de quem acompanhava a transmissão da CPI da Pandemia.

O versículo que Carlos Wizard trazia em mãos quando chegou: "Por isso não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; eu o segurarei com a minha mão direita vitoriosa".

Carlos Wizard esteve envolvido com o tratamento precoce, tendo dito que ajudaria a forrar o Brasil com Cloroquina, envolvimento na aquisição de vacinas por iniciativa privada e suposto aconselhamento paralelo. Ele foi convocado na condição de investigado, não só como testemunha e chegou a conhecer outras pessoas que estão sendo investigadas pela CPI da Pandemia, como a médica Nise Yamaguchi, que também defende tratamento sem comprovação científica e o ex-ministro de saúde Eduardo Pazuello.

Confira algumas dos destaques de hoje na CPI da Pandemia:

– A senadora Eliziane Gama disse que a hipocrisia é repugnante e por isso Jesus Cristo era contra. “O conselho mal dado pode levar milhares de vidas [...] Não era negacionismo, foi corrupção”; 

– O senador Renan Calheiros acrescentou: “O perverso cairá pela sua falsidade”;

– O senador Otto Alencar disse para Carlos Wizard que a definição de Charlatão é exatamente a de alguém que recomenda tratamento sem comprovação científica, que não é médico e declarou que de forma irresponsável ele indicou cloroquina aos compatriotas (brasileiros);

– O senador Humberto Costa disse que a população brasileira está atenta sobre a vergonha mundial, sofrimento da população e velhas fórmulas (corrupção); 

– O senador Rogério Carvalho disse que se não fosse pelo consórcio da imprensa não saberíamos o número de mortos pela Covid no Brasil;

– A senadora Zenaide Maia disse que Bolsonaro não tem nenhum compromisso com a dignidade ou vida humana;

– O senador Alessandro Vieira disse para Wizard: “A humildade precede a honra. Humildade é uma palavra que está faltando nessa etapa da sua jornada”

– A senadora Simone Tebet disse para Carlos Wizard: “O senhor está cometendo um grande equívoco ao ficar calado”. Ela também disse que é importante mudar o termo gabinete paralelo, para gabinetes. Tebet mencionou a existência de quatro gabinetes: Gabinete Oficial, Gabinete Paralelo, Gabinete do Ódio e Gabinete da Propina. 

– O senador Fabiano Contarato disse: “Eu não acreditei nesse governo federal desde o início”. Depois listou os crimes que já foram confirmados de forma geral pela CPI da Pandemia e acrescentou para Carlos Wizard: “O principal bem jurídico que deve ser protegido é a vida humana”.

Após o encerramento da CPI da Pandemia, a sensação que ficou é a de que o charlatanismo é tão naturalizado no Brasil, que muita gente não percebe os seus riscos, tampouco acha que irá responder pelas consequências dos seus atos. A opinião sobre tratamentos sem comprovação científica divide até mesmo a comunidade médica, mas quando se trata de alguém promovendo, a pessoa corre o risco de exercício ilegal de medicina. 

Embora o tema tenha sensibilizado os senadores de oposição e independente, passou batido por quem não vê mal algum na recomendação de tratamentos sem comprovação científica. Da mesma forma, essa tendência é observada fora da CPI: milhares de brasileiros ainda não entenderam a gravidade de dar falsas esperanças e prometer um tratamento que não funciona, e em como isso afeta o psicológico das pessoas, as colocando em situação de risco. Afinal, se o tratamento funcionasse, os órgãos de saúde não teriam tanta cautela e liberariam para todos.

E assim o Brasil vai caminhando. Nunca antes a imprensa foi tão atacada por um presidente do Brasil e tão necessária, já que a demanda de passar informações corretas e desmentir informações falsas tem sido quase que diária, especialmente nos tempos de pandemia. E como já foi mencionado por outros cientistas, não é uma questão de direita ou esquerda, mas que além de envolver crenças anticientíficas, pseudociência e negacionismo, em alguns casos também tem se esclarecido as questões financeiras por trás. 

Se de cima com uma grama artificial verde, a terra já parece podre, imagina quando a CPI da Pandemia chegar ao fundo. As centenas de milhares de mortes clamam pelo fim do silêncio.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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