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Destaques

The Good Detective: Série coreana policial sobre antigo caso e a busca pela verdade

The Good Detective é uma série coreana policial que aborda um caso antigo, cujo julgamento levou à sentença de condenação de morte do acusado. Um detetive novato no departamento e um veterano se juntam para descobrir se aconteceram falhas nas investigações policiais. A série está disponível na Netflix . Com 16 episódios em sua primeira temporada, três personagens se destacam: o detetive que participou da investigação do caso, Kang Do Chang (Son Hyeon-ju) , o jovem detetive Oh Ji Hyuk (Seung-jo Jang) e a jornalista investigativa Jin Seo Kyung (Elliya Le) . Quando um novo caso de um suposto assassino confesso da filha do homem condenado ganha a atenção da mídia, muitas dúvidas pairam no ar sobre as motivações e os possíveis envolvidos, fazendo com que os detetives discretamente se aprofundassem nas investigações, mesmo sabendo que poderiam prejudicar as próprias carreiras. Kang é movido pela consciência pesada de ter sido parte do caso do condenado possivelmente inocente sofrer pena de

O Corpo Guarda as Marcas: Livro de psiquiatra aborda o Transtorno de Estresse Pós-Traumático

Guerras, pandemia, violência, criminalidade, acidentes, desastres climáticos, terrorismo… Motivos não faltam para a população aprender mais sobre trauma e o possível desenvolvimento de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, uma condição que afeta não só a mente, mas também traz sintomas em diferentes partes do corpo e ainda não é tão compreendida e diagnosticada como deveria. 

Escrito pelo psiquiatra Bessel Van der Kolk, o livro O Corpo Guarda as Marcas (The Body Keeps the Score) joga luz no assunto que ainda não recebe a atenção devida dos profissionais de saúde mental, cujos sintomas podem ser confundidos com de outros transtornos e afetar não só os indivíduos, como seus relacionamentos. No Brasil, a obra foi traduzida por Donaldson M. Garschagen e publicada pela Editora Sextante, em 2020.

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O livro de Bessel Van der Kolk ajuda a entender porque pessoas podem reagir de forma completamente diferente ao mesmo evento traumático, bem como oferece melhor compreensão sobre a integração corpo-mente, muitas vezes, ignorada, fazendo com que muitas pessoas se foquem em sintomas físicos de forma separada e nunca chegando à raiz do problema, visto que como um mecanismo de defesa, algumas pessoas sequer se lembram das experiências de trauma que tiveram – enquanto outras podem ser atormentadas com frequência e viver em um constante estado de hipervigilância, passar por episódios de desregulação emocional, dificuldade de relaxar e confiar nos outros.

“Apagar a consciência e cultivar a negação são, muitas vezes, medidas essenciais para a sobrevivência, mas há um preço: perde-se o rastro de quem se é, do que se está sentindo e das pessoas em que se pode confiar” – Bessel Van der Kolk, O Corpo Guarda as Marcas 

Como acontece com inúmeros diagnósticos de transtornos mentais, dependendo do ângulo observado, um paciente pode ter um diagnóstico completamente diferente, que não necessariamente é uma comorbidade. O mesmo acontece com quem tem Transtorno de Estresse Pós-Traumático. O autor ressalta que o diagnóstico errado pode levar a tratamento errado e, consequentemente, ter resultados desastrosos na vida do paciente.

Embora seja psiquiatra, o livro passa longe de focar somente na questão de medicação para transtorno de estresse pós-traumático e até mesmo de terapia de fala – visto que, em muitos casos, algumas vítimas não tiveram base emocional sólida desde a infância e nem sempre a terapia proporciona melhoras. Bessel Van der Kolk parece ter a mente bem aberta na experimentação de práticas alternativas, como o yoga e o papel da arte (dança, teatro, entre outros) de forma geral para ajudar com a questão da autoestima e da autoimagem, muitas vezes, ambos elementos prejudicados em indivíduos que sofreram algum tipo de trauma.

“Compreender muitos dos processos fundamentais em que se baseia o estresse traumático abre as portas para um grande número de intervenções que podem reconectar as zonas cerebrais relacionadas à autorregulação, à autopercepção e à atenção. Sabemos não só tratar o trauma, mas, cada vez mais, preveni-lo” – Bessel Van der Kolk, O Corpo Guarda as Marcas

Mesmo que a intenção do autor seja das melhores, em alguns casos, ele costuma fazer comentários que podem entrar em choque com a visão neurocientífica, como a associação de alguns transtornos com o trauma, algo que já se sabe que nem sempre ocorre e até mesmo tem relação com genética. Por outro lado, seu puxão de orelha pode servir como um alerta para profissionais que fazem vista grossa sobre o histórico dos pacientes, especialmente quando os próprios pacientes reprimiram as memórias e elas provocam sintomas que podem se tornar recorrentes, pois o tratamento acaba sendo incompleto e focado em sintomas separados e não na raiz do problema. 

Para Bessel Van der Kolk, é impossível falar de trauma sem pensar nas questões sociais. Ele relembra, por exemplo, que muitos associam somente à guerra e se esquecem de questões como a violência doméstica e os incidentes com armas de fogo, questões cada vez mais comuns nos Estados Unidos. Apesar da influência de questões genéticas, ele ressalta que o lugar onde a pessoa mora e as questões sociais têm forte relação tanto com o desenvolvimento de estresse traumático, como com a possibilidade de obter diagnóstico e tratamento adequados.

“As pessoas podem aprender a se controlar e alterar comportamentos, mas apenas quando se sentem seguras para tentar novas soluções. O corpo guarda as marcas do trauma: se o trauma está codificado em sensações desoladoras e desesperadas, nossa prioridade é ajudar a pessoa a abandonar a reação de lutar ou fugir, ajudar a reorganizar sua percepção do perigo e administrar relacionamentos” – Bessel Van der Kolk, O Corpo Guarda as Marcas

O livro O Corpo Guarda as Marcas traz muitos insights sobre o estresse pós-traumático e relatos de profissionais e pacientes. Enquanto alguns profissionais correm o risco de desumanizar pessoas com determinados transtornos, Bessel Van der Kolk deixa bem claro o papel coletivo e a importância do entendimento para acolher e transformar relacionamentos. Se há coisas que só o indivíduo pode fazer por ele mesmo, muitas vezes, com o auxílio de profissionais de saúde mental, sem sombras de dúvidas, ter um olhar atento e empático pode fazer toda diferença e até mesmo auxiliar na identificação de traumas desde a infância e contribuir para o desenvolvimento de relações mais harmônicas. 

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*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

  1. Oi Ben, tudo bem?
    Acho muito interessante o assunto principalmente depois que comecei a ler à respeito. Eu também achava que o TEPT estava relacionado estritamente a grandes eventos traumáticos, mas então descobri sobre o transtorno de estresse pós-traumático complexo (TEPT-C) onde vários traumas suportados durante a vida, ao invés de tratados como se deve pode levar a sintomas semelhantes aos do primeiro tipo de transtorno.
    Gostei da sua indicação de leitura e acho que seria proveitosa para um aprofundamento no assunto.

    Até mais;
    Mente Hipercriativa | Universo Invisível

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  2. Olá Ben, parabéns pelo post.
    Eu também gostei da indicação de leitura. Vou pesquisar mais sobre o assunto.

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