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Destaques

Antraz: Documentário da Netflix revela investigações feitas pelo FBI durante anos

Um pouco após os atentados terroristas contra as torres gêmeas, em Nova Iorque, Estados Unidos, no 11 de setembro de 2001, uma ameaça de antraz colocou as autoridades, como o FBI em alerta, e espalhou pânico nos norte-americanos devido à facilidade de se espalhar sem as pessoas saberem.  Dirigido e roteirizado por Dan Krauss e produzido pela Netflix e pela BBC, 21 anos após o ataque e o primeiro caso de circulação do antraz, o documentário Antraz: EUA Sob Ataque (The Anthrax Attacks) leva o telespectador para as investigações do FBI que duraram anos. O que a princípio foi alvo de muita pressão para a solução do caso, principalmente pelo medo dos norte-americanos do esporo da bactéria continuar se espalhando pelas cartas e fazendo mais pessoas adoecerem e/ou morrerem, logo foi caindo no esquecimento conforme as investigações desenrolavam fora dos holofotes.  Com a proximidade do caso do ataque às torres gêmeas, à primeira vista, o pânico generalizado fez com quem os norte-americanos

O Corpo Guarda as Marcas: Livro de psiquiatra aborda o Transtorno de Estresse Pós-Traumático

Guerras, pandemia, violência, criminalidade, acidentes, desastres climáticos, terrorismo… Motivos não faltam para a população aprender mais sobre trauma e o possível desenvolvimento de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, uma condição que afeta não só a mente, mas também traz sintomas em diferentes partes do corpo e ainda não é tão compreendida e diagnosticada como deveria. 

Escrito pelo psiquiatra Bessel Van der Kolk, o livro O Corpo Guarda as Marcas (The Body Keeps the Score) joga luz no assunto que ainda não recebe a atenção devida dos profissionais de saúde mental, cujos sintomas podem ser confundidos com de outros transtornos e afetar não só os indivíduos, como seus relacionamentos. No Brasil, a obra foi traduzida por Donaldson M. Garschagen e publicada pela Editora Sextante, em 2020.

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O livro de Bessel Van der Kolk ajuda a entender porque pessoas podem reagir de forma completamente diferente ao mesmo evento traumático, bem como oferece melhor compreensão sobre a integração corpo-mente, muitas vezes, ignorada, fazendo com que muitas pessoas se foquem em sintomas físicos de forma separada e nunca chegando à raiz do problema, visto que como um mecanismo de defesa, algumas pessoas sequer se lembram das experiências de trauma que tiveram – enquanto outras podem ser atormentadas com frequência e viver em um constante estado de hipervigilância, passar por episódios de desregulação emocional, dificuldade de relaxar e confiar nos outros.

“Apagar a consciência e cultivar a negação são, muitas vezes, medidas essenciais para a sobrevivência, mas há um preço: perde-se o rastro de quem se é, do que se está sentindo e das pessoas em que se pode confiar” – Bessel Van der Kolk, O Corpo Guarda as Marcas 

Como acontece com inúmeros diagnósticos de transtornos mentais, dependendo do ângulo observado, um paciente pode ter um diagnóstico completamente diferente, que não necessariamente é uma comorbidade. O mesmo acontece com quem tem Transtorno de Estresse Pós-Traumático. O autor ressalta que o diagnóstico errado pode levar a tratamento errado e, consequentemente, ter resultados desastrosos na vida do paciente.

Embora seja psiquiatra, o livro passa longe de focar somente na questão de medicação para transtorno de estresse pós-traumático e até mesmo de terapia de fala – visto que, em muitos casos, algumas vítimas não tiveram base emocional sólida desde a infância e nem sempre a terapia proporciona melhoras. Bessel Van der Kolk parece ter a mente bem aberta na experimentação de práticas alternativas, como o yoga e o papel da arte (dança, teatro, entre outros) de forma geral para ajudar com a questão da autoestima e da autoimagem, muitas vezes, ambos elementos prejudicados em indivíduos que sofreram algum tipo de trauma.

“Compreender muitos dos processos fundamentais em que se baseia o estresse traumático abre as portas para um grande número de intervenções que podem reconectar as zonas cerebrais relacionadas à autorregulação, à autopercepção e à atenção. Sabemos não só tratar o trauma, mas, cada vez mais, preveni-lo” – Bessel Van der Kolk, O Corpo Guarda as Marcas

Mesmo que a intenção do autor seja das melhores, em alguns casos, ele costuma fazer comentários que podem entrar em choque com a visão neurocientífica, como a associação de alguns transtornos com o trauma, algo que já se sabe que nem sempre ocorre e até mesmo tem relação com genética. Por outro lado, seu puxão de orelha pode servir como um alerta para profissionais que fazem vista grossa sobre o histórico dos pacientes, especialmente quando os próprios pacientes reprimiram as memórias e elas provocam sintomas que podem se tornar recorrentes, pois o tratamento acaba sendo incompleto e focado em sintomas separados e não na raiz do problema. 

Para Bessel Van der Kolk, é impossível falar de trauma sem pensar nas questões sociais. Ele relembra, por exemplo, que muitos associam somente à guerra e se esquecem de questões como a violência doméstica e os incidentes com armas de fogo, questões cada vez mais comuns nos Estados Unidos. Apesar da influência de questões genéticas, ele ressalta que o lugar onde a pessoa mora e as questões sociais têm forte relação tanto com o desenvolvimento de estresse traumático, como com a possibilidade de obter diagnóstico e tratamento adequados.

“As pessoas podem aprender a se controlar e alterar comportamentos, mas apenas quando se sentem seguras para tentar novas soluções. O corpo guarda as marcas do trauma: se o trauma está codificado em sensações desoladoras e desesperadas, nossa prioridade é ajudar a pessoa a abandonar a reação de lutar ou fugir, ajudar a reorganizar sua percepção do perigo e administrar relacionamentos” – Bessel Van der Kolk, O Corpo Guarda as Marcas

O livro O Corpo Guarda as Marcas traz muitos insights sobre o estresse pós-traumático e relatos de profissionais e pacientes. Enquanto alguns profissionais correm o risco de desumanizar pessoas com determinados transtornos, Bessel Van der Kolk deixa bem claro o papel coletivo e a importância do entendimento para acolher e transformar relacionamentos. Se há coisas que só o indivíduo pode fazer por ele mesmo, muitas vezes, com o auxílio de profissionais de saúde mental, sem sombras de dúvidas, ter um olhar atento e empático pode fazer toda diferença e até mesmo auxiliar na identificação de traumas desde a infância e contribuir para o desenvolvimento de relações mais harmônicas. 

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*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

Comentários

  1. Oi Ben, tudo bem?
    Acho muito interessante o assunto principalmente depois que comecei a ler à respeito. Eu também achava que o TEPT estava relacionado estritamente a grandes eventos traumáticos, mas então descobri sobre o transtorno de estresse pós-traumático complexo (TEPT-C) onde vários traumas suportados durante a vida, ao invés de tratados como se deve pode levar a sintomas semelhantes aos do primeiro tipo de transtorno.
    Gostei da sua indicação de leitura e acho que seria proveitosa para um aprofundamento no assunto.

    Até mais;
    Mente Hipercriativa | Universo Invisível

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  2. Olá Ben, parabéns pelo post.
    Eu também gostei da indicação de leitura. Vou pesquisar mais sobre o assunto.

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