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Destaques

Dia frio para escrever

O dia frio era um convite para a escrita. O mesmo dia frio que o convidava a descansar. A verdade era que escrever não deixa de ser uma forma de descanso. Palavra após palavra, ia sentindo as emoções se movimentando pelo corpo, e dando novo sentido às coisas. A cada vez que escrevia um texto, uma pessoa ficava para trás e se tornava alguém novo. Era como magia. Escrevia para esquecer e para lembrar. Escrevia, pois era seu modo de deixar registrado no mundo seus pensamentos e emoções. Escrevia. O mesmo frio que era um convite para a coberta, hoje era um convite à escrita. E as palavras, elas também aqueciam corpos, mentes e corações.  *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror  Escritpa Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano:  O Círculo (Vol.1)  e  O Livro (Vol. 2) , disponíveis no  Wattpad  e na loja Kindle.

Jornalismo Literário é destaque do Em Foco

Publicado quase um ano após a sua produção, o Em Foco – Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), de Campo Grande (MS), do mês de Junho de 2013 – tem como tema o Jornalismo Literário e traz reportagens feitas por acadêmicos e ex estudantes que já estão atuando no mercado de trabalho.

A edição nº 157 do Em Foco foi orientada pelos professores de Jornalismo da instituição: Jacir Alfonso Zanatta e Cristina Ramos, com apoio do Coordenador do Curso de Jornalismo da UCDB, Oswaldo Ribeiro. As reportagens literárias foram produzidas pelos acadêmicos: Luane Morais, Luis Augusto Akasaki, Maria Izabel Costa, Mayara Bueno, Paula Gomes, Rafael Monge, Taryne Zottino e Thaiany Regina.

Após estudar com esses alunos e jornalistas, fiquei feliz em perceber o quanto os seus textos se desenvolveram durante os anos de graduação, principalmente quando eles se aventuraram no Jornalismo Literário. Enquanto alguns acadêmicos têm muita facilidade com as palavras e textos soltos, outros estão tão acostumados com o modelo padrão das redações jornalísticas que não conseguem se livrar das amarras dos manuais.

De textos engessados e pirâmide invertida, bastante comum no Jornalismo Impresso e Jornalismo Online, com foco nas informações, nesta edição do jornal laboratório é possível conferir reportagens mais humanizadas, explorando mais as sensações e detalhes, dando um toque de literatura, deixando a leitura mais agradável, saborosa e envolvente, sem se prender à correria das notícias do cotidiano.

Duas reportagens publicados têm como fundo o Pantanal de Mato Grosso do Sul, sendo um texto sobre o “minhocão” – uma criatura do imaginário das comunidades ribeirinhas que pode chegar de uma margem a outra do Rio Paraguai e naufragar embarcações – e o outro sobre a hospitalidade do povo pantaneiro, bastante acolhedor aos visitantes. As matérias foram escritas por quem já tem certa intimidade com a região pantaneira, demonstrando simpatia e paixão pela temática e vontade de tornar mais conhecida e valoriza uma comunidade, muitas vezes, negligenciada pelos grandes veículos de comunicação.

Exemplos de solidariedade também são resgatados nas reportagens, como a adoção de animais e sua transformação no comportamento dos humanos, pessoas que levam alegria para os hospitais, levando alto astral e esperança às crianças doentes e um vendedor de balas sorridente e carismático que deixa as pessoas felizes, mesmo após ter sofrido um acidente que o deixou na cadeira de rodas, tendo que mudar sua rotina para sobreviver, por ter perdido o outro emprego.

O lazer também está presente no jornal, com uma reportagem sobre o Escotismo, no qual um participante do movimento relata sua paixão pela aprendizagem e ajudar os outros e outra sobre a Dança do Ventre, como uma forma de expressar a alma e fascinar o público.

A última reportagem do jornal conta um pouco sobre a vida de um comerciante, dono de uma banca de jornais e revistas de Campo Grande (MS), e como ele faz para fidelizar seus clientes, pensando nos consumidores antes do lucro, com atendimento personalizado e simpatia.

Mais do que informar, as páginas do jornal convidam o leitor para vivenciar as histórias, conhecendo seus personagens e realidades. O jornalismo literário reforça a arte de contar histórias, função do jornalista que, às vezes, é deixada de lado, quando o profissional se preocupa somente com os dados e números, esquecendo-se do principal, do elemento humano. Mais fascinante do que ler uma narrativa de ficção e se encantar, é ficar maravilhado com histórias do cotidiano e viajar pelas páginas de um jornal, sem se tornar algo maçante e previsível.

Para quem estuda na UCDB, os jornais estão disponíveis em alguns corredores da instituição de Ensino Superior. Infelizmente a presente edição ainda não está presente na página do Em Foco, mas para quem tiver interesse, outras edições do jornal laboratório podem ser conferidas online: http://www3.ucdb.br/emfoco/index.php?menu=impresso_edicoes.

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