quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Resenha: Amityville – Jay Anson

O livro Amityville, previamente publicado com o título Horror em Amityville (The Amityville Horror), do escritor Jay Anson, explora um dos casos de casa mal-assombrada mais conhecidos dos Estados Unidos, que mesmo depois de todos esses anos – foi publicado pela primeira vez em 1977 –, ainda deixa alguns leitores intrigados e curiosos para saber o que realmente aconteceu e o que foi imaginado na casa em que a família Lutz morou. A obra de não ficção, que estava esgotada no Brasil, ganhou nova tradução de Eduardo Alves e foi republicada no país pela editora DarkSide Books.


Amityville traz um prefácio escrito pelo reverendo John Nicola, o que acaba dando um pouco de credibilidade para a narrativa, afinal, a proposta de Jay Anson foi a de relatar como foi a experiência de George Lutz e Kathy Lutz, durante o tempo em que moraram na casa localizada na Ocean Avenue, 112, que ficou popularmente conhecida pelo nome do livro. John Nicola fala sobre as diferentes perspectivas que as pessoas têm sobre os casos e lembra que investigadores de casos psíquicos podem atestar que casos como o da família Lutz não são atípicos. “O sábio sabe que ele não sabe – e o prudente respeita o que não controla”, lembra o religioso.

O caso de Amityville atraiu a atenção da mídia, mas de acordo com Jay Anson, foi para o escritor que a família Lutz decidiu revelar sua história completa. Desde o primeiro dia de George Lutz na casa, ele já sabia dos assassinatos que acontecera ali – Ronald DeFeo matou os pais e os irmãos. Com o histórico do imóvel, George conseguiu comprar a casa por um preço mais em conta do que realmente valia. Enquanto DeFeo tentou alegar insanidade e alegou que escutara vozes pedindo para que ele matasse a família, o psiquiatra da acusação provou que Ronald sofria de transtorno de personalidade antissocial, mais conhecido como sociopatia.

“Quando observou a imagem, seus olhos se arregalaram de terror. Estava sentindo ânsia de vômito por causa do cheiro podre, mas não conseguia desgrudar os olhos do crucifixo – agora pendurado de cabeça para baixo!”

Narrado em forma linear, o leitor acompanha o desenrolar da história da família Lutz. Não vou entrar em mérito de discutir se Horror em Amityville se trata de uma obra de não ficção mesmo, já que o próprio autor não se posicionou se acredita ou desacredita, mas ressalta que o trabalho dele foi de relatar como um repórter da forma mais precisa e que mesmo que ele quisesse, na época não existiam gravações ou documentações precisas do que acontecera e que ele julgava que independente dos acontecimentos, para a família parecia ser tudo real.


O que entra no segundo ponto: a linguagem. Para quem espera um texto mais literário, Amityville não é a leitura para isso, o que já é esperado pelo gênero, mas, ainda assim, deixou alguns leitores frustrados. Sabe quando vamos contar uma história para outra pessoa, mas não temos certeza de onde esta história vai nos levar? Em alguns pontos, o leitor é levado por muitas informações ordinárias, já em outras, as coisas acontecem de forma muito rápida e alguns parágrafos acabaram ficando desconexos, como se parágrafos e informações intermediárias tivessem sido extraídas. Toda essa normalidade do dia a dia da família é quebrada pelos supostos fenômenos sobrenaturais. Pessoas com a sensibilidade desenvolvida sabem que muitos dos acontecimentos podem ter acontecido. O próprio casal de investigadores Ed Warren (demonologista) e Lorraine Warren (clarividente) descreve em seus livros um pouco sobre o caso de Amityville e junto com outros investigadores paranormais, eles foram convidados a visitarem a casa e fazerem um levantamento – este episódio foi descrito no epílogo da obra.

“Kathy tentou abrir a boca para dizer alguma coisa para o marido. Não conseguiu. Não conseguiu afastar os olhos do demônio com chifres e capuz branco e pontiagudo sobre a cabeça. A criatura estava ficando maior, crescendo em sua direção. Depois de perceber que metade do rosto daquela coisa fora arrancado, como se atingido por um disparo de espingarda à queima-roupa, Kathy gritou”.

Acreditar ou não na história de Amityville é um dos fatores que influenciam a experiência da leitura. Só a curiosidade pode não ser suficiente. Para quem gosta de filmes de terror com a temática sobrenatural, fica muito óbvio como o livro de Jay Anson serviu como inspiração para muitos roteiristas e escritores, mesmo que essa intertextualidade não fique tão explícita. Por existirem várias razões pelas quais os Lutz poderiam ter mentido, principalmente relacionadas a questões financeiras, a credibilidade de Horror em Amityville ficou comprometida, mas ao mesmo tempo, por existirem outros casos com fenômenos semelhantes, ao se permitir entrar na história e deixar de lado os questionamentos sobre o que é ficção, realidade, imaginação, alucinação e fenômenos de parapsicologia ou demonologia – dependendo do que você acredita –, não deixa de ser impressionante como o ser humano é frágil diante de forças externas e que podem abalar a saúde física e mental.

Para quem gosta de relacionar leituras. A editora DarkSide Books é muita esperta na hora de elaborar seu catálogo de publicações. A leitura de Amityville pode ser complementada com o livro sobre Ed e Lorraine Warren: Demonologistas, do autor Gerald Brittle e com o livro Exorcismo, do jornalista Thomas B. Allen, pois as três obras se tratam de questões relacionadas ao universo sobrenatural e foram escritas com a proposta de levar as informações adiante, embora não deixem de servir como entretenimento para leitores que se interessam por narrativas sombrias.

“Gostaria de dar uma sugestão a vocês. Na maioria das vezes, as pessoas que descobrem como os espíritos são acabam gostando de conviver com eles. Elas não querem que eles se percam ou que partam. Mas neste caso acredito que a casa deva ser purificada ou exorcizada”. 

Levando em conta os diferentes estágios de atividades demoníacas, as experiências em Amityville só não ficaram mais intensas porque a família se mudou da casa, pois eles já estavam sofrendo com a opressão: segundo Ed e Lorraine Warren, quanto mais fragilizados, mais essas pessoas estão suscetíveis a serem possuídas por seres inumanos (demônios). Segundo Ed e Lorraine Warren, o padre Mancuso e uma vidente que visitou a casa, George Lutz e a família corriam perigo. O fato de eles terem deixado tudo para trás e se mudado é um dos argumentos usados por Jay Anson como 'prova' de que as vítimas não tinham interesses financeiros.

Fiquei curioso para ler o outro livro escrito por Jay Anson, 666, com a mesma temática de casa mal-assombrada. Como já comentei diversas vezes aqui no blog, independente de realmente ter acontecido ou de ser uma fraude, Amityville é uma dessas histórias que nos deixam inquietos. Para quem já vivenciou qualquer tipo de experiência paranormal/sobrenatural, sabe que para o cético, tudo acaba sendo visto como loucura, imaginação e quando ganham destaque nos jornais, são julgadas como tentativas de ganhar fama e dinheiro. Um dos filhos dos Lutz participou de um documentário e compartilhou suas experiências, no que ele alega ter ficado marcado como o garoto de Amityville e culpa o padrasto de se envolver com ocultismo. O que aconteceu na casa na Ocean Avenue, 112, permanece um desses mistérios que de tempos em tempos volta ao holofote e que continua inspirando adaptações cinematográficas e outras histórias de terror.

Confira o vídeo com curiosidades sobre o livro!



Quer saber como ficou a edição de Amityville publicada pela DarkSide Books? Confira o projeto gráfico do livro Amityville!



Sobre o autor – Jay Anson nasceu em 4 de novembro de 1921, em Nova York. Escritor e roteirista de diversos curtas de documentários, sua fama chegou ao ápice com Amityville, publicado originalmente em 1977. Após isso, chegou a escrever 666, livro que também lidava com a temática de casas mal-assombradas. Faleceu em 12 de março de 1980, aos 58 anos.



*Este livro foi enviado pela DarkSide Books, editora parceira do Blog do Ben Oliveira, para que eu pudesse ler e resenhar para os leitores.

Conheça também o livro sobre o caso do Poltergeist de Enfield, escrito por Guy Lyon Playfair! 

E você, já leu Amityville? O que achou?

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