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Destaques

5 Trechos do livro Cérebro e Meditação (Wolf Singer e Matthieu Ricard)

Um bate-papo entre um monge budista e um neurobiologista sobre mente, consciência, meditação e demais assuntos relacionados ao funcionamento cerebral e bem-estar. Essa é a proposta do livro Cérebro e Meditação: Diálogos entre o budismo e a neurociência, dos autores Wolf Singer e Matthieu Ricard, publicado no Brasil pela editora Alaúde, em 2018, com tradução de Fernando Santos.


Entre convergências e divergências, os dois estudiosos da mente discutem questões filosóficas e biológicas do funcionamento do pensamento. Somos naturalmente bons ou somos influenciados por nossos ambientes e pela formação cerebral? De um lado a ciência moderna e do outro a tradição oriental sobre como percebemos a realidade.

Resultado de conversas durante oito anos entre o neurocientista Wolf Singer e o monge Matthieu Ricard, longe de responder as perguntas de forma fechada, o livro abre possibilidades de pensamento e reflexão e através da ciência e do budismo, nos lembra que nosso funcionamento cerebral é mais…

O Exorcista: O livro, o medo e o sucesso não tão acidental

Quando pensamos em O Exorcista, logo associamos o livro ao filme que se tornou um clássico do terror. O que muita gente não faz ideia é de que o escritor e roteirista William Peter Blatty nunca teve a intenção de escrever um romance de terror, não gostava de assistir filmes do gênero e tampouco se interessou por outros livros contemporâneos de temáticas parecidas com a qual ele produziu, além de ter ficado com ranço de outras produções cinematográficas que tentaram captar a essência de sua obra e provavelmente odiaria a nova série televisiva da Fox, The Exorcist – embora a nova adaptação toque em muitas feridas e desdobramentos relacionados ao universo do exorcismo.


Escrever é um jogo de sorte, mas mesmo quando o autor acerta, nem sempre ele está disposto a pagar o preço da sua conquista. O que leva um escritor de comédia a se aventurar pelo universo de uma criança supostamente possuída por demônios? Para começar, não dá para ignorar a importância do dinheiro, embora muitos escritores ainda tenham receio e preconceito de admitir o quanto era, ainda é e será difícil para muitos contadores de histórias; com exceção de autores best-sellers e seus contratos de milhares de dólares. Só o amor pelo ofício nem sempre garante ao escritor profissional a possibilidade de fazer aquilo que gosta, especialmente aos que se dedicam em tempo integral à carreira.

O sucesso pode alavancar e também se tornar um peso. Da inquietação e curiosidade com um caso de exorcismo noticiado em um jornal, ele mergulhou neste universo para entender mais sobre o lado religioso e psicológico da possessão. Dá para imaginar que ele pudesse retomar sua carreira de textos comediantes depois do impacto de O Exorcista? Apesar de alguns leitores terem um medo terrível de O Exorcista e do filme ter feito muitas pessoas perderem o sono e passarem mal, William Peter Blatty descreve o seu romance como uma obra detetivesca paranormal ou um thriller teológico – que pode ser considerado uma trilogia junto com os livros A Nona Configuração e Legião. As entrelinhas trazem provocações existenciais e religiosas sobre o fenômeno da possessão, como o desconhecimento e a descrença dos próprios membros da igreja.

Inspirado em um acontecimento no qual os desdobramentos permanecem misteriosos e muitas vezes são analisados e aceitos pela ótica da fé ou negados pela ciência, O Exorcista é inquietante porque nos faz perceber o quanto estamos sujeitos a perder o controle, independente da razão ou crença. Mais preocupante é lembrar que muitos dos casos se tratam de autossugestão ou até mesmo de sugestão que acontecem em ambientes nos quais o medo e a opressão são estratégias de controle. Sabendo disso, na época de estreia do filme, o próprio autor demonstrou receio de que mais pessoas pudessem manifestar sintomas e achassem que precisavam de exorcistas, mas também lembrou que os delírios sempre estiveram presentes na sociedade.

Apesar de saber que vários casos eram fraudes ou distúrbios mentais, o escritor não duvidou de que alguns fenômenos paranormais eram reais e alegou ter tido suas próprias experiências. Independente do rótulo adotado pelo autor, a força de sua história aterrorizou milhares de pessoas de diferentes lugares do mundo. Aos que não se sentiram incomodados ou impactados, vale lembrar que a intenção do escritor nunca tinha sido a de provocar o medo, mas a de contar uma história investigativa e paranormal. As expectativas ficam por conta de quem lê, assim como as diferentes percepções da leitura.

O Exorcista é um desses livros que dificilmente esquecemos e de tempos em tempos, os leitores se surpreendem com os efeitos causados pela narrativa ao longo da leitura. Há quem tenha medo de ler na madrugada e escutar barulhos estranhos. Enquanto outros são levados a acreditar que algo ruim vai acontecer se lerem.



Mesmo lançado há mais de 45 anos, o legado de William Peter Blatty nos lembra da influência do medo em nossas vidas. Para alguns, o livro vai além do entretenimento e é visto como um conto caucionário sobre a importância da religião (a luta entre o bem e o mal), mas basta ler as entrelinhas para lembrar que diante do desconhecido e quando as coisas fogem de nosso controle, até mesmo os mais religiosos e os mais céticos têm suas estruturas abaladas. No final, intencionalmente ou não, mais do que um livro de terror, Blatty criou uma atmosfera sombria e confessional, na qual encaramos que a existência é circular e que a única certeza da vida humana é a incerteza.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.

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