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Destaques

Lugar Seguro

Um lugar seguro, às vezes, era tudo o que precisava para se proteger do excesso de ansiedade. Aprendera que a imaginação poderia ser poderosa e ajudar a criar uma distância segura e temporária. Já imaginava que sentiria ansiedade, mas não fazia ideia da intensidade. Nesses momentos era fácil lembrar quando o cigarro servia como uma válvula de escape, mas desta vez precisava aprender a lidar com isso livre de nicotina. Caminhar, ouvir música relaxante, música e ler livros eram coisas que também ajudavam, bem como assistir séries ou filmes para se distrair. Existia um limite de quanto era possível diminuir a ansiedade, mas cada pequena coisa fazia toda diferença. Ansiedade era algo que não desejava para ninguém.  Então, temporariamente se imaginar em um lugar seguro poderia fazer toda diferença. Era algo que muita gente já fazia de forma intuitiva, mas que ao reaprender ganha um novo significado. Após dias sem escrever, estava sentindo falta de brincar com as palavras. A verdade é qu...

Escrita Maldita: As escolhas dos nomes dos personagens principais do livro

Uma das dúvidas comuns em escritores iniciantes é sobre a escolha de nome para personagens. Há quem tente encontrar uma simbologia por trás e combine o nome à personalidade, do mesmo jeito que existem autores que não se importam tanto com isso. Alguns escritores como Stephen King, por exemplo, acabam adotando os mesmos nomes de personagens em livros diferentes, mesmo que suas personalidades sejam completamente diferentes. Não é algo tão estranho quando paramos para pensar, afinal, na vida real duas pessoas com o mesmo nome podem ter características físicas, psicológicas e sociais bem diversas.


No meu livro de terror, Escrita Maldita, brinco bastante com os nomes dos personagens. Não só os personagens principais, como os secundários. O romance está cheio de referências intencionais ou não do universo literário, possibilitando ao leitor tentar caçar suas relações nas entrelinhas e/ou ficar com aquela sensação de que deve haver um propósito nas escolhas. Para ser sincero, muitas vezes, o processo de criação literária é também misterioso para o próprio escritor de uma história. Existem elementos que vêm até o autor através do subconsciente. Entre coincidências e intenções, livros são obras vivas e a cada leitura e releitura, podemos encontrar novas experiências intertextuais.

O protagonista do romance é o escritor Daniel Luckman. Seu pseudônimo é um trocadilho. Daniel se considera um cara de sorte, pois com o seu livro de estreia, ele conquistou o título de best-seller e conseguiu se dedicar à escrita. Quantos autores têm essa mesma oportunidade? É preciso muita sorte. Muitas vezes, escrever um livro que entra para a lista de mais vendidos é como ganhar na loteria e abre muitas portas. Além da obra ganhar destaque em várias livrarias do país, geralmente ela também ganha traduções.

A sorte também pode ser efêmera e bilateral. Assim como existe sorte positiva, há quem acredite que ela pode ser negativa. A maré pode mudar a qualquer momento. A vida não é linear e quanto mais você ganha, mais você tem a perder.

A esposa de Daniel, Marissa é uma mulher mais misteriosa do que parece. À primeira vista, a impressão que se tem é de que ela é completamente devota ao marido e aceita muito mais coisas do que deveria. Como o mar, ela tem seus momentos de tranquilidade e de tormenta. Ela também não só movimenta Daniel, como serve como uma âncora.


Além do casamento e do relacionamento que em alguns momentos beira à codependência, sua figura também pode estar associada à musa. O escritor escolhe passar a vida a lado daquela que o encanta como uma sereia e teme que a qualquer momento ela pode querer voltar para o mar, ao se dar conta de que Daniel pode ser uma ilha solitária. O peso de Marissa está mais no não-dito do que na narrativa. Seu silêncio e sua presença têm uma força intrínseca no romance.

Laurence Loud, o escritor de terror veterano que é convidado a escrever um livro junto com Daniel, tem seu pseudônimo associado à intensidade de sua escrita, bem como à sua personalidade barulhenta. Se Daniel tirou a sorte grande, Laurence explodiu com seus livros. Sua carreira está repleta de livros best-sellers.

Deu para perceber que gosto da ambiguidade, né? Com uma mente tão barulhenta, Laurence Loud guarda seus segredos e sua presença na casa de Daniel não passa despercebida. O contraste das personalidades e a proximidade entre os três personagens cria uma mistura asfixiante, um triângulo de possibilidades. Impossível não pensar naquela frase do Benjamin Franklin: “Três pessoas podem manter um segredo, se duas delas estiverem mortas”.

Ainda não conhece Escrita Maldita? Assista ao teaser do livro:



*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do romance Escrita Maldita, que está entre os livros mais vendidos de terror na Amazon brasileira e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad.

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