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Destaques

Resenha: Ed e Lorraine Warren: Vidas Eternas – Robert Curran e Jack & Janet Smurl

Entre o ceticismo e a curiosidade, as histórias de Ed e Lorraine Warren conquistaram pessoas de vários países graças às adaptações para filmes de terror inspiradas em casos investigados pelo casal de investigadores paranormais. Levando em conta o interesse dos leitores, a editora DarkSide Books publicou o livro Ed e Lorraine Warren:Vidas Eternas, escrito por Robert Curran que conta a experiência vivida por Jack e Janet Smurl. A obra foi lançada em 2019, com tradução de Eduardo Alves.


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Histórias como a da família Smurl, ainda que sejam questionáveis sobre o que teria realmente acontecido, quais partes foram aumentadas e/ou inventadas pela família, pelo escritor e/ou pelos próprios investigadores paranormais, deixam um gosto de nostalgia e também nos fazem pensar no sucesso de adaptações com temáticas semelhantes para o cinema.

A humanidade sempre tenta explicar o que não consegue entender. Divididos entre ficar em negação e se acostum…

Educação e Neurociências: 10 Razões pelas quais o Brasil precisa investir mais

A educação é um assunto que desperta revolta no Brasil, seja pela desvalorização dos profissionais que atuam na área, pelos inúmeros problemas estruturais e falta de investimento, questões sociais e culturais, pela falha na inclusão e diversos motivos.


Creio que uma boa maneira de ajudar a tornar a educação mais eficiente seria investindo no reconhecimento das individualidades: potencialidades e limitações. Todos temos cérebros diferentes, mas o que muitos ambientes escolares fazem é tratar todos da mesma forma, afetando a autoestima do aluno, a saúde mental e o seu interesse pelos estudos.

Deveria ser obrigatória a Avaliação Neuropsicológica no Brasil. Desde a infância, usando triagens e diagnósticos (independente do medo das pessoas serem 'rotuladas'). Diagnóstico não é rótulo.

Muita gente tem um monte de limitações/pobre autopercepção e nem sabe que tem. A quantidade de pessoas no espectro autista e de TDAH sem diagnósticos no Brasil é gritante. Se for levar em conta Altas Habilidades/Superdotação e Transtornos de Aprendizagem, então... Temos um show de gerações sem diagnósticos de condições que têm forte influência genética.

O problema do Brasil é ter um monte de profissional despreparado da área de saúde de mental/neurológica que diagnostica tudo como OU depressão, OU ansiedade. Existem muito mais transtornos, meus queridos.

Falar de inclusão nunca é simples. No Brasil, ainda há a crença de que se o aluno for jogado na mesma sala e ser tratado de forma igual, ele será incluído. Que se der mais tempo na prova, a criança será excluída e se sentirá diferente das outras, por exemplo. Há muito a melhorar.

Muitas pessoas tratam a questão da inclusão de autistas como mera utopia: têm muito discurso e poucas soluções práticas. Investir na capacitação dos profissionais é importante. 

Pensando em uma área que deve crescer cada vez mais no Brasil e no resto do mundo, a Neuropedagogia, escrevi algumas razões pelas quais acredito que seria importante mais investimento no país. É claro que a lista não é definitiva e cada um pode deixar seu comentário, compartilhar suas experiências, concordar e/ou discordar.

Confira 10 Razões pelas quais o Brasil precisa investir mais em Educação e Neurociências:


1) Identificação de Transtornos de Aprendizagem e evasão escolar


Muitos brasileiros acabam abandonando os colégios porque têm transtornos de aprendizagem e não fazem ideia. Dificuldades de aprendizagem e transtornos de aprendizagem não são a mesma coisa. Enquanto um pode estar relacionado ao ambiente e problemas familiares e pessoais, o outro está relacionado aos aspectos neurobiológicos.

Como todas pessoas são diferentes, é importante que exista a avaliação, não só por meio de testes, mas também levando em conta a história de vida. Por isso, em muitos casos, o diagnóstico e o tratamento são, muitas vezes, multidisciplinar (envolvendo vários profissionais, como neuropsicopedagogo, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, neurologistas, neuropediatras, fisioterapeutas etc.). A Dislexia, a Discalculia e a Disgrafia são transtornos de aprendizagem que podem ser identificados e tratados.


Texto da imagem: Transtornos de Aprendizagem – O transtorno específico da aprendizagem permanece ao longo da vida, mas seu curso e expressão clínica variam, em parte, dependendo das interações entre as exigências ambientais, a variedade e a gravidade das dificuldades individuais de aprendizagem, as capacidades individuais de aprendizagem, comorbidades e sistemas de apoio e intervenção disponíveis (DSM-IV)


Texto da imagem: Dislexia – Dislexia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades de aprendizagem caracterizado por problemas no reconhecimento preciso ou fluente de palavras, problemas de decodificação e dificuldades de ortografia. (DSM-V)


Texto da imagem: Discalculia – Discalculia é um termo alternativo usado em referência a um padrão de dificuldades caracterizado por problemas no processamento de informações numéricas, aprendizagem de fatos aritméticos e realização de cálculos precisos ou fluentes. (DSM-V)



Texto da imagem: Prejuízo na Expressão Escrita – Precisão na ortografia (por exemplo, pode adicionar, omitir ou substituir vogais e consoantes); Precisão na gramática e na pontuação (por exemplo, comete múltiplos erros de gramática ou pontuação nas frases); Clareza ou organização da expressão escrita. (DSM-V)


2) Inclusão não é só estar matriculado na escola


Quando falamos de inclusão escolar, vemos muitas reclamações sobre escolas que não aceitam matrículas de determinadas crianças. Além da prática ser proibida, precisamos levar em conta outra questão: estar matriculado é só o pontapé inicial.

Alguns alunos podem precisar de apoio e materiais adaptados. Nem sempre é algo que acontece de forma adequada e os pais precisam entrar na justiça. Talvez todas essas confusões seriam resolvidas se toda a equipe fosse treinada para lidar com alunos diferentes, afinal, a inclusão é um direito garantido por lei.

3) Diversidade neurológica


Todo dia eu repito que não existem dois cérebros iguais. Muita gente acha que eu falo da boca para fora. Falta leitura para o brasileiro, falta interesse em aprender. Fazem comparações o tempo inteiro entre pessoas dentro ou fora do espectro autista e pessoas com outras condições neurológicas e/ou transtornos. Somos neurobiologicamente diferentes. Algumas comparações não são saudáveis.

“Não há a menor possibilidade de haver dois cérebros absolutamente iguais, nem do ponto de vista neuroanatômico, nem do ponto de vista neurofuncional” – Rudimar dos Santos Riesgo, Transtornos da Aprendizagem: Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar

A falta de reconhecimento da diversidade neurológica faz com que nem sempre as pessoas tenham os estímulos necessários para a aprendizagem, por exemplo. Não só na escola, mas dentro de casa, essa falta de consciência pode gerar conflitos familiares: a pessoa com depressão pode ser vista como egoísta, o com TDAH como bagunceiro, a pessoa no espectro autista como alguém que não sente empatia pelos outros, o disléxico como alguém que não gosta de estudar, entre inúmeros exemplos que acontecem diariamente não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

Comportamentos que são característicos de transtornos neurológicos, transtornos mentais e/ou neurogenerativos são mal-interpretados pelas pessoas. Mais conhecimento sobre questões neurobiológicas poderiam ser trabalhadas desde a infância, afinal, quanto mais entendemos sobre nosso funcionamento, mais oportunidades temos para fazer melhore escolhas. Muitas pessoas têm diagnósticos que nem fazem ideia e/ou não conhecem suas próprias alterações cognitivas.

4) Diagnósticos e intervenções mais eficientes


Muitas pessoas não sabem a importância de um diagnóstico na vida da pessoa. Para alguns, é só um rótulo, algo que pode atrapalhar. Isso inclusive é repetido por profissionais desatualizados no Brasil, que dizem para os pais que a criança ficará marcada e isso atrapalhará o desenvolvimento.

“O intenso desenvolvimento neuronal durante a idade pré-escolar e o importante papel do ambiente nesse período confirmam a necessidade de identificação e intervenção em possíveis dificuldades encontradas. Ao mesmo tempo, a variação interdividual deve ser levada em conta. A atenção a possíveis atrasos nos marcos desenvolvimentais motores e da linguagem é crucial nos primeiros anos de vida. A partir dos 3 anos, torna-se mais fácil realizar a avaliação comportamental e cognitiva graças à maturidade alcançada pela criança nessas áreas” – Carim, Sallum, Dias, Badin e Barbirato, Avaliação Neuropsicológica

O que muita gente não sabe é que o diagnóstico fornece ferramentas para que a pessoa possa melhorar sua qualidade de vida, alterando sua autopercepção e a maneira que ela é percebida pelos outros. Alguns comportamentos podem ser trabalhados e intervenções podem acontecer desde a infância.

5) Autoconhecimento


O quão bem você se conhece? Você sabe por qual motivo tem facilidade e dificuldade com as habilidades cognitivas? Você sabe quais são as habilidades cognitivas? Você sabe por qual motivo as comparações podem afetar a autoestima de crianças, adolescentes e adultos e nem sempre o desempenho dos indivíduos tem relação com a força de vontade e com o pensamento positivo, como é tão difundido nos dias atuais?


Entender como funciona o próprio cérebro e sua relação com nosso funcionamento diário deveria ser estimulado desde a infância, bem como a compreensão sobre como somos influenciados não só por questões genéticas e biológicas, como pelos transtornos, por exemplo.

De que forma a depressão afeta o funcionamento diário? Por que alguns profissionais confundem autismo e TDAH e o que acontece quando a pessoa tem as duas condições? De que forma as altas habilidades mascaram os traços de autismo? Por que vários transtornos podem ser confundidos e uma pessoa pode ter vários subdiagnósticos e diagnósticos errados ao longo da vida?

“O TDAH em adultos não é apenas um problema trivial relacionado à atenção! Ao contrário, é um problema de longo alcance, que afeta as habilidades humanas mais importantes: é uma condição que o priva da capacidade de ignorar os impulsos. É um déficit no funcionamento executivo do cérebro que dificulta muito regular e organizar seu comportamento no decorrer do tempo para melhor prepará-lo para o futuro” – Russell A. Barkley e Christine M. Benton, Vencendo o TDAH Adulto

São muitas perguntas e poucas pessoas buscando respostas que nem sempre vão encontrar em consultórios, afinal, cada profissional tem sua vivência e sua bagagem de conhecimento, e quem melhor do que nós mesmo para conhecer o próprio funcionamento?

6) Atendimento multidisciplinar


Estamos em uma época cada vez mais multidisciplinar, mas muita gente ainda não se deu conta disso. Quando falamos de desenvolvimento, por exemplo, cada pessoa tem suas necessidades e isso vai levar em conta desde as estruturas anatômicas e funcionais do cérebro até a cognição, contexto social, cultural, econômico e político.

Vou dar como exemplo o mundo do autismo. Muitas crianças e adolescentes autistas, independente do grau, podem precisar de intervenções multidisciplinares, porém, só o conhecimento disso não faz tanta diferença, se a família não tiver condições de oferecer nem acesso aos profissionais e recursos.

Então, seja na parte da educação e do aprendizado ou do desenvolvimento e a importância dos estímulos, entender melhor sobre a necessidade do trabalho com vários profissionais e sua relação com as neurociências pode ajudar no desenvolvimento de melhores políticas públicas e mais respeito à lei da inclusão – já que como dito no texto, não basta estar no ambiente, é preciso que o indivíduo tenha condições de aprender e, muitas vezes, isso envolve a adaptação do conteúdo e acompanhante especializado em sala de aula.

7) Melhores escolhas para o futuro


No Brasil, há uma falha muito grande de diagnósticos de pessoas com altas habilidades/superdotação. Isso faz com que muito potencial criativo seja desperdiçado. As neurociências podem ajudar não só as pessoas com habilidades geniais, mas todo indivíduo a conhecer melhor quais são suas habilidades e como direcioná-las.

“Assim como os indivíduos com danos cerebrais desempenham bem funções em certas áreas e não em outras, também uma pessoa com deficiências específicas de aprendizagem costuma ter problemas de aprendizagem restritos a apenas algumas habilidades ou tarefas específicas. Uma pessoa pode saber ler, mas não escrever. Outra consegue escrever bem, mas possui dificuldade com matemática. Outra ainda pode ser eficaz na maioria das matérias escolares, mas ter problema para reconhecer o rosto de um conhecido (prosopagnosia) ou para aprender um novo passo de dança (dispraxia)” Thomas Armstrong, 7 Tipos de Inteligência

Imagine a diferença que a compreensão das próprias cognições faz na vida da pessoa? Sabe-se, por exemplo, que as pessoas consideradas gênios variam muito de acordo com o contexto social e cultural em que elas vivem, e que só ter a inteligência nem sempre basta, se não há o marketing (se ninguém sabe que a pessoa é genial). Além de tudo, a genialidade é relativa. O que poderia ser visto como genial em outro país e período, atualmente, pode ser visto como comum.

Não é só o aluno com dificuldades de aprendizagem e transtornos de aprendizagem que podem abandonar os estudos; o mesmo pode acontecer com alunos com altas habilidades/superdotação, se eles não se sentirem estimulados/desafiados o suficiente.

8) Diferentes formas de aprender


A forma que eu aprendo com mais facilidade pode ser diferente da forma que você aprende. Aliás, como alguém diagnosticado com síndrome de Asperger e possível altas habilidades, eu passei a vida inteira indo além do que era oferecido em sala de aula para aprender. Enquanto muitos colegas se limitavam aos livros e materiais sugeridos pelos professores, eu sempre ia além e encontrava formas alternativas de absorver o conteúdo (por meio de outros livros, artigos, aulas de cursos ministrados online e disponibilizado por outras instituições e até mesmo filmes, podcasts e documentários).

Isso nem sempre era algo positivo quando havia um conflito entre posicionamentos teóricos e abordagens, por exemplo, mas existiam professores que eram mais flexíveis, já outros que queriam exatamente o que tinham ensinado em sala de aula, o que a me ver, era um desperdício de aprendizado.

“O diagnóstico também serve para sensibilizar a escola, seu estafe e seus alunos de que, na realidade, eles estão lidando com uma pessoa com autismo, e, assim, os cuidados e a abordagem pedagógica deverão assumir outras direções [...] os alunos com autismo são mais expostos a sofrerem bullying e crises de fobia social, e a escola deve protegê-los de tais ocorrências, além de preveni-las” – Luciana Brites e Clay Brites, Mentes Únicas

Então, se para um aluno o aprendizado pode ser melhor com texto, para outro, pode ser com imagens, entre inúmeras variações. Entender as particularidades do aprendizado de cada pessoa pode ajudar a maximizar o processo educativo e até mesmo torná-lo mais prazeroso.

Eu, por exemplo, acho muito gostosa a experiência de aprender coisas novas e diariamente busco informações e conhecimentos, seja de algo que descobri recentemente ou de áreas de conhecimento que já gostava, afinal, nós não sabemos tudo e há sempre algo a aprender.

9) Fora da sala de aula


O aprendizado não deve ser limitado ao ambiente escolar. O desenvolvimento humano acontece não só nas disciplinas escolares, mas também nas outras atividades e acontecimentos. Balancear os aprendizados e estímulos com a saúde mental, é algo importante.

Cada vez mais observamos casos de crianças que são hiperestimuladas intelectualmente, mas não tem tanto tempo para cuidar do emocional, por exemplo. O aprendizado não pode ser visto somente como uma obrigação, mas como algo parte do cotidiano.

O nível de energia de cada um pode variar completamente. O excesso de tempo para atividades pode levar à exaustão e somos todos humanos, então, ter um direcionamento pode fazer toda diferença. O tempo de descanso e diversão também são importantes para um desenvolvimento saudável.

10) Pessoas com mais consciência e autoestima


O ambiente familiar pode estimular ou desestimular um indivíduo a ir atrás da educação e das coisas que acredita. A autoestima é construída desde a infância, mas quando pessoas próximas não entendem suas individualidades, isso pode afetar como você se percebe no mundo.

Não só a família, mas os amigos, colegas e professores desempenham um papel significativo na saúde mental, autoestima e realização de objetivos. É por esse motivo que, muitas vezes, pessoas com condições, como Autismo (Síndrome de Asperger) e TDAH podem acabar desenvolvendo problemas de autoestima e até mesmo comorbidades, como ansiedade e depressão.

“O ato de aprender é um ato de plasticidade cerebral, modulado por fatores intrínsecos (genéticos) e extrínsecos (experiência” – Newra Tellechea Rotta, Transtornos da Aprendizagem: Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar

Imagina como a percepção muda quando sabemos coisas que não sabíamos antes? Um diagnóstico por si só não é garantia de uma boa intervenção, mas é uma orientação para ferramentas. Em vez de se culpar ou ser culpado por questões que fazem parte de um transtorno, por exemplo, a pessoa pode se focar no desenvolvimento de estratégias de compensação para lidar com a dificuldade de comunicação/interação social (no caso de autistas) e com o foco/impulsividade (no caso de pessoas com problemas de atenção e hiperatividade), entre inúmeros outros exemplos focados em outras condições e/ou até mesmo em pessoas sem os transtornos. Afinal, cérebros são como digitais e quanto mais personalizamos e adequamos a experiência, mais rica ela pode ser.

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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