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Destaques

Antraz: Documentário da Netflix revela investigações feitas pelo FBI durante anos

Um pouco após os atentados terroristas contra as torres gêmeas, em Nova Iorque, Estados Unidos, no 11 de setembro de 2001, uma ameaça de antraz colocou as autoridades, como o FBI em alerta, e espalhou pânico nos norte-americanos devido à facilidade de se espalhar sem as pessoas saberem.  Dirigido e roteirizado por Dan Krauss e produzido pela Netflix e pela BBC, 21 anos após o ataque e o primeiro caso de circulação do antraz, o documentário Antraz: EUA Sob Ataque (The Anthrax Attacks) leva o telespectador para as investigações do FBI que duraram anos. O que a princípio foi alvo de muita pressão para a solução do caso, principalmente pelo medo dos norte-americanos do esporo da bactéria continuar se espalhando pelas cartas e fazendo mais pessoas adoecerem e/ou morrerem, logo foi caindo no esquecimento conforme as investigações desenrolavam fora dos holofotes.  Com a proximidade do caso do ataque às torres gêmeas, à primeira vista, o pânico generalizado fez com quem os norte-americanos

Resenha: Talvez Você Deva Conversar com Alguém – Lori Gottlieb

O livro Talvez Você Deva Conversar com Alguém traz várias histórias de bastidores sobre o universo da terapia, tanto sobre pacientes, como sobre a própria terapeuta que, à mesma medida que auxilia, também enfrenta suas próprias questões e desafios diariamente. Escrito por Lori Gottlieb, a obra foi traduzida por Elisa Nazarim e publicada pela Editora Vestígio, em 2021.

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Essa é uma daquelas leituras indicadas para pessoas curiosas. Muita gente tem ideias preconcebidas sobre profissionais de saúde mental, quase como se o simples fato de trabalharem ajudando outras pessoas a lidarem com suas questões da mente significasse que eles não passem por caminhos tortuosos em suas vidas pessoais – bem como, na hora de lidar com pacientes difíceis.

“A maioria das grandes transformações resulta de centenas de pequenos passos, quase imperceptíveis, que damos ao longo do caminho” – Lori Gottlieb, Talvez Você Deva Conversar com Alguém 

Se a terapia ainda é um tabu para uma boa parcela da população, Lori Gottlieb compartilha os seus próprios receios na hora de escolher um psicólogo que possa atendê-la, na tentativa de ajudá-la a passar pelo episódio de ter seu coração partido por um homem que decide deixá-la depois de anos, pois quer uma vida sem crianças e ela já tinha um filho. Ela revela a importância de encontrar um profissional com o qual possa se conectar, já que os estudos esclarecem que quanto melhor essa conexão entre paciente e terapeuta, independente da abordagem, melhores são as possibilidades de bons resultados terapêuticos.

É, no mínimo, interessante acompanhar as percepções de uma psicóloga sendo atendida por outro profissional. Lori Gottlieb compartilha informações que são comuns para quem trabalha na área, mas que podem estar repletas de curiosidades para leigos, como a disposição dos móveis no consultório e as estratégias adotadas de relação interpessoal. Ela também cita o caso de um paciente difícil que reclama de todos ao seu redor e que mesmo durante a sessão de terapia tem comportamentos problemáticos, como ficar mexendo no celular, o que exige uma dose extra de compaixão e paciência, até que ela consiga enxergá-lo como realmente é e o que ele tenta esconder por trás de sua maneira de agir.

“[…] Os terapeutas não dispõem de uma cura imediata, porque essas pessoas são totalmente desconhecidas para nós. Precisamos de tempo para familiarizar com suas esperanças e seus sonhos, com seus sentimentos e padrões de comportamento, às vezes até mais profundamente do que elas mesmas” – Lori Gottlieb, Talvez Você Deva Conversar com Alguém 

O livro intercala histórias de pacientes com as vivências de Lori. É uma ótima leitura para quebrar pensamentos com viés: muita gente tem a crença errada de que por ter conhecimento de psicologia, um psicólogo agiria de determinada maneira diante dos seus próprios desafios, mas somos todos humanos e, muitas vezes, as partes emocional e subconsciente falam mais alto do que o lado racional. 

Mesmo sabendo técnicas para evitar remoer pensamentos, por exemplo, a própria autora se vê em uma espiral de ansiedade e depressão após um término, fazendo coisas que ela supostamente saberia a solução, já que é algo que ela dá orientação para os pacientes – o próprio terapeuta com quem ela se consulta a alerta sobre a diferença entre a dor e o sofrimento e como parece que ela se apegou a ideia de sofrer.

“Na terapia, o requisito é que você seja tanto responsável, quanto vulnerável. Em vez de encaminharmos a pessoa diretamente para o cerne do problema, cutucamos para que ela chegue lá sozinha, porque as verdades mais poderosas, aquelas que as pessoas levam mais a sério, são as que elas descobrem pouco a pouco, por conta própria. No contrato terapêutico está implícita a disposição do paciente para tolerar desconforto, porque, para que o processo funcione, é inevitável que haja algum desconforto” – Lori Gottlieb, Talvez Você Deva Conversar com Alguém

Outra parte interessante e curiosa do livro é como terapeutas trocam indicações de profissionais, seja para eles mesmos ou para pacientes, bem como a troca de informações sobre casos como uma forma de obter diferentes perspectivas sobre as possibilidades, como situações em que a conexão entre terapeuta e paciente não parece avançar e o ideal seria indicá-lo para outro profissional. Como muitas pessoas, no papel de paciente, Lori não esconde sua curiosidade em tentar descobrir mais informações sobre o seu próprio terapeuta e essa frequente experiência de ocupar o outro lado da terapia a faz refletir mais sobre sua relação com as pessoas atendidas por ela. 

Logo, embora alguém possa deduzir de forma errada que se trata de um livro com explicações teóricas, técnicas e objetivas sobre os benefícios da psicoterapia, na verdade, gira ao redor das memórias de uma psicóloga revelando o seu lado humano e seus constantes malabarismos para equilibrar sua vida pessoal com a profissional, bem como sobre a importância de reconhecer a necessidade de buscar apoio e de deixar o paciente ir no momento certo, analisando suas motivações e transformações ao longo do processo terapêutico.

“Sei que a terapia não fará com que todos os meus problemas desapareçam, não impedirá o desenvolvimento de outros, nem garantirá que eu sempre agirei partindo de um lugar de iluminação. Os terapeutas não realizam transplantes de personalidade, apenas ajudam a aparar as arestas. Um paciente pode se tornar menos reativo ou crítico, mais aberto e apto a deixar as pessoas se aproximarem. Em outras palavras, a terapia tem a ver com entender o indivíduo que você é. Mas parte de entender a si mesmo é desconhecer a si mesmo, abrir mão das histórias limitantes que você vem se contando sobre quem você é, de modo a não ficar aprisionado por elas, podendo viver sua vida” – Lori Gottlieb, Talvez Você Deva Conversar com Alguém

Lori Gottlieb é aberta a ponto de expor questões de suas vidas e criar uma conexão com o leitor, em vez de se focar no que poderiam pensar dela, embora seja uma questão legítima. Ao desmistificar a terapia e seus pensamentos antes, durante e após suas consultas, ela recupera o lado humano do psicólogo, muitas vezes, colocado em um pedestal, como se o profissional não tivesse o direito de lidar com suas próprias dores e desafios universais, questões que fazem parte da nossa existência.

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*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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