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Destaques

Dias de silêncio

Nos dias de silêncio estava dividido entre a fadiga e a ansiedade. Amava escrever, mas sentia como se não tivesse energia suficiente. Não poderia negar: gostava da sensação de estudar. Porém, os conteúdos difíceis eram como pedras: sabia que para algumas coisas precisava de um tempo a mais.  Entre aulas mais calmas, intermediárias e complexas, tentava fazer o melhor possível para aprender, sem se comparar com os outros, sabendo que cada um era único e todos tinham suas facilidades e dificuldades. A verdade era que mesmo coisas que gostávamos poderiam nos deixar cansados e tínhamos que tomar cuidado para não entrar em estado de esgotamento. Estava fazendo o possível para deixar a rotina equilibrada, de forma que não tivesse mais sobrecarga mental. O excesso de estudo poderia ser pior do que não estudar. Escrevia para registrar como os dias estavam sendo. Escrevia para matar a saudade de escrever. Escrevia para estudar. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Auto...

Teorias do Jornalismo: Teoria da Nova História

A Teoria da Nova História surgiu na França. De acordo com o jornalista Felipe Pena, em seu livro ‘Teorias do Jornalismo’, os teóricos da Nova História, reunidos na Escola dos Anais, defendem uma nova atitude dos historiadores diante dos acontecimentos. É preciso questionar fontes, arquivos e até documentos considerados oficiais.

Teórico da Nova História, Michael de Certeau debate sobre a necessidade de refletir a produção dos fatos e de se pensar na construção do discurso. O teórico acredita que a história é a arte da encenação e que esta pode-se relacionar com o lugar social, a análise científica e a forma do texto construída.

Para o autor, a história e o jornalismo não reconstituem a verdade, somente tentam interpretá-la. Ainda de acordo com Certeau, além de escrever para o público, os historiadores e jornalistas escrevem para os profissionais do seu próprio grupo, seguindo preceitos e padronizações estabelecidas. Felipe Pena dá como exemplo a história sobre a Grécia e conta que não é possível preencher todas as lacunas do passado. “A história da Grécia, por exemplo, não é a história da Grécia, mas apenas o que conseguimos saber sobre a história da Grécia”, aponta. História e jornalismo estão relacionados, logo os jornalistas seguem a mesma lógica dos historiadores e também não conseguem revelar todos os fatos acontecidos.

Segundo os historiadores, os jornalistas por estarem envolvidos com a temporalidade dos acontecimentos tornam-se praticante e reflexo destes, aproximando-se dos problemas ‘imediatistas’. “O desconhecimento do final da história, o excesso de informações, a falta de confiabilidade das fontes e a impossibilidade de acesso a alguns arquivos”, exemplifica Felipe Pena. A influência da sociedade também é um reflexo do imediatismo da mídia, como por exemplo, o suicídio de Marilyn Monroe, em que a atriz tornou-se um acontecimento.

O autor comenta sobre a linha do jornalismo entre o real e a ficção e explica que é preciso repensar as questões éticas e estéticas que envolvem a produção de conteúdos para evitar o sensacionalismo. Todavia, a culpa do sensacionalismo não é atribuída somente aos jornalistas, tampouco à sociedade. “... o consumo determina o produto e o produto determina o consumo, em um ciclo vicioso interminável”, justifica Pena.

Refletir é fundamental para o jornalismo, porém na rotina dentro das redações os jornalistas têm o mínimo espaço e tempo para isto. Os teóricos da Nova História criticam o imediatismo, a superficiliadade e a forma de abordagem dos historiadores e jornalistas e acreditam que é necessário manter uma postura de análise e reflexão por meio de um fazer crítico.

Pela abordagem da Teoria da Nova História e segundo Felipe Pena, cabe ao jornalista ter uma nova atitude em frente aos eventos: não basta abordar suas realizações, deve-se refletir os pressupostos de suas formações.

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