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Destaques

O outro

O outro dominava o love bombing como se fosse seu primeiro idioma. Eu sei que o termo relacionamento tóxico foi banalizado, mas também sei que quando estamos diante de um real temos dificuldade de aceitar. Então, como poderia descrever o outro se não como alguém que primeiro me fazia sentir como se estivesse tocando o paraíso, para depois me fazer mergulhar na dor e no caos? Começava com uma história cheia de idealização, tamanho era o pedestal que me fazia ignorar todas bandeiras vermelhas. A verdade é que isso não as fazia desaparecer e cobravam um preço depois.  Tudo se iniciava com um foco na nostalgia, nas memórias, mas a verdade era que aquela versão que ele conhecia de mim não existia mais há mais de uma década. E, então, assim como era bom mergulhar no passado, era no presente que as coisas importavam e era até saudável frisar que todos tínhamos uma versão que já não existia mais. As músicas românticas misturadas à nostalgia criavam um clima especial, mas tudo não se susten...

Teorias do Jornalismo: Teoria da Nova História

A Teoria da Nova História surgiu na França. De acordo com o jornalista Felipe Pena, em seu livro ‘Teorias do Jornalismo’, os teóricos da Nova História, reunidos na Escola dos Anais, defendem uma nova atitude dos historiadores diante dos acontecimentos. É preciso questionar fontes, arquivos e até documentos considerados oficiais.

Teórico da Nova História, Michael de Certeau debate sobre a necessidade de refletir a produção dos fatos e de se pensar na construção do discurso. O teórico acredita que a história é a arte da encenação e que esta pode-se relacionar com o lugar social, a análise científica e a forma do texto construída.

Para o autor, a história e o jornalismo não reconstituem a verdade, somente tentam interpretá-la. Ainda de acordo com Certeau, além de escrever para o público, os historiadores e jornalistas escrevem para os profissionais do seu próprio grupo, seguindo preceitos e padronizações estabelecidas. Felipe Pena dá como exemplo a história sobre a Grécia e conta que não é possível preencher todas as lacunas do passado. “A história da Grécia, por exemplo, não é a história da Grécia, mas apenas o que conseguimos saber sobre a história da Grécia”, aponta. História e jornalismo estão relacionados, logo os jornalistas seguem a mesma lógica dos historiadores e também não conseguem revelar todos os fatos acontecidos.

Segundo os historiadores, os jornalistas por estarem envolvidos com a temporalidade dos acontecimentos tornam-se praticante e reflexo destes, aproximando-se dos problemas ‘imediatistas’. “O desconhecimento do final da história, o excesso de informações, a falta de confiabilidade das fontes e a impossibilidade de acesso a alguns arquivos”, exemplifica Felipe Pena. A influência da sociedade também é um reflexo do imediatismo da mídia, como por exemplo, o suicídio de Marilyn Monroe, em que a atriz tornou-se um acontecimento.

O autor comenta sobre a linha do jornalismo entre o real e a ficção e explica que é preciso repensar as questões éticas e estéticas que envolvem a produção de conteúdos para evitar o sensacionalismo. Todavia, a culpa do sensacionalismo não é atribuída somente aos jornalistas, tampouco à sociedade. “... o consumo determina o produto e o produto determina o consumo, em um ciclo vicioso interminável”, justifica Pena.

Refletir é fundamental para o jornalismo, porém na rotina dentro das redações os jornalistas têm o mínimo espaço e tempo para isto. Os teóricos da Nova História criticam o imediatismo, a superficiliadade e a forma de abordagem dos historiadores e jornalistas e acreditam que é necessário manter uma postura de análise e reflexão por meio de um fazer crítico.

Pela abordagem da Teoria da Nova História e segundo Felipe Pena, cabe ao jornalista ter uma nova atitude em frente aos eventos: não basta abordar suas realizações, deve-se refletir os pressupostos de suas formações.

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