terça-feira, 14 de junho de 2011

Teorias do Jornalismo: Teoria Organizacional

Hierarquização
A Teoria Organizacional teve origem na administração e na psicologia, adaptada para o jornalismo somente em 1995, pelo sociólogo norte-americano Warren-Breed. Segundo a administração, a Teoria Organizacional surgiu com a mudança de valores dentro das empresas e comunicação organizacional, formação de bons líderes e a aplicação da psicologia organizacional. Esta teoria de modelo funcionalista pode ser observada no jornalismo dentro das redações, onde as notícias são produzidas. O jornalismo é um mercado e as notícias são seus produtos, por tanto é necessária a organização das empresas, situação evidente no livro de Cremilda Medina, ‘Notícia: um produto à venda’. “As notícias são como são porque as empresas e organizações jornalísticas assim as determinam”. A Teoria Organizacional tem uma visão mercadológica: quanto mais organizado o processo jornalístico, mais lucrativo.

Dentro das empresas jornalísticas pode-se observar comumente a seguinte hierarquização, no caso dos jornais impressos: Proprietário, Diretor-Executivo ou Diretor Administrativo, Diretor Comercial, Diretor de circulação, Diretor de Jornalismo ou de Redação, Editor-Chefe, Editores, Editor de Fotografia, Chefe de Reportagem, Repórteres, Redatores, Revisores, Diagramadores, Ilustradores, Fotógrafos, Correspondentes e Secretário de Redação. A hierarquização das empresas jornalísticas acontece também nos outros meios de comunicação, de forma a organizar, como o próprio nome da teoria diz.

Existem dois tipos níveis que influenciam na produção de notícias de acordo esta teoria: ao nível organizacional com fatores como o desejo do lucro, a escolha de fontes, o acontecimento, a competição entre editores e editorias, recursos humanos e materiais, a hierarquia, organização e burocracia interna e interação com as fontes interferem na produção da matéria; Ao nível extra-organizacional as notícias sofrem influência sobre fatores como audiência e mercado, a relação estabelecida entre jornalista e fonte assim como a preferência aos canais de rotina.

De forma sociológica, é possível refletir que o jornalista torna-se um membro da redação, portanto, dependente das influências políticas do meio editorial e empresarial do veículo de comunicação. De acordo com o jornalista Heitor Costa Lima da Rocha, seis fatores são apontados pela Teoria Organizacional como relevantes na promoção do conformismo do jornalista com a política editorial da organização: (1) a autoridade institucional e as sanções; (2) os sentimentos de obrigações e de estima para com os superiores; (3) as aspirações de mobilidade; (4) a ausência de grupos de lealdade em conflito; (5) o prazer da atividade; (6) as notícias como valores.

Como as autoridades podem influenciar o fazer jornalístico? Basta saber que o jornalista está sempre respondendo a algum superior hierárquico e ao próprio dono da empresa. Se ele não seguir as orientações editoriais pode sofrer sanções, além de perder o próprio emprego, devido à falta de regulação da área por algum órgão, como os conselhos profissionais, não há muito o quê se fazer pelo jornalista.

O sensacionalismo está vinculado ao aumento do interesse da população pelo assunto, que envolve a produção de sensações nos receptores das informações e conseqüente aumento do número de vendas. O sensacionalismo e o imediatismo criticados pela Nova História são praticados na Teoria Organizacional, devido à competição entre diferentes empresas de comunicação, visando maior destaque, maior lucro, o furo jornalístico e maior quantidade de informações. Acaba perdendo-se a qualidade da informação segundo critérios jornalísticos e pensando nos critérios mercadológicos.

Pensando pelo lado de vista de que a competição entre empresas jornalísticas gera a publicação de notícias com enfoques diferentes e por meio da investigação de diferentes fontes, a Teoria Organizacional pode ser positiva para o jornalismo. Todavia, a competição extrapola os níveis jornalísticos e acaba tornando-se pessoal entre os profissionais da área. Influenciados por estas competições, o jornalismo novamente é afetado pela subjetividade. A Teoria Organizacional dá importância para a cultura organizacional, e não para a cultura profissional.

Um conflito bastante claro entre diferentes empresas jornalísticas acontece no meio televisivo entre a Rede Globo e a Rede Record. A divulgação de informações, ora verdadeiras, ora especulativas e até mesmo, agressivas, está presente nas duas emissoras televisivas brasileiras. Além da competição jornalística, influenciados pela hierarquia e pela própria identidade como uma equipe, os jornalistas acabam se colocando em situações constrangedoras. Por meio dessa concorrência entre empresas, os jornalistas podem inclusive publicar informações superficiais, sem o devido apuramento, o que relacionaria esta teoria com a Teoria da Nova História.

Acredito que mesmo existindo diferenças e proximidades entre as Teorias da Nova História e Organizacional é importante que se entenda cada uma das teorias jornalísticas. O modelo reprodutivo é evidente na Organizacional, modelo este criticado na Nova História, que acredita que o jornalista deve ir além da reprodução das notícias, entender e refletir os seus contextos e pré-formações dos acontecimentos. Conhecer as duas teorias e estudá-las é melhor do que conhecer somente uma das duas. O que uma teoria tem de incompleta, uma outra teoria pode vir para complementar, mas acredito que nenhuma das teorias é completa o suficiente para explicar o jornalismo, já que as notícias e suas origens são mais complexas do que são tratadas em nosso cotidiano e na prática jornalística.

Não podemos desconsiderar a importância da organização das redações jornalísticas. Assemelhando-se às indústrias, as redações estão divididas em diferentes cargos e funções, mas a preocupação permanece na facilidade de reprodução de informações, que se mal apuradas podem causar uma série de prejuízos a sociedade. É preciso deixar de lado a competição pelo furo jornalístico, e começar a se preocupar mais com a qualidade das informações.

Deixo a seguinte reflexão aos leitores: é melhor ter a notícia em primeira mão e mal apurada, por causa da ineficiência dos jornais e jornalistas, que estão preocupados com a quantidade de informações oferecidas e competição ou ter uma notícia que levou mais tempo para chegar até o receptor, mas que possa ser confiada, pois sabe que a mesma foi apurada, de forma a garantir que esteja o mais próximo possível da verdade?

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