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Destaques

Documentário da Netflix aborda caso Elisa Lam e histórico mórbido do Cecil Hotel

Dependendo da sua idade e do quanto você é ligado às notícias e ao mundo online, é bem provável que você tenha ouvido falar sobre o caso da Elisa Lam , uma canadense descendente de chineses que  viajou para os Estados Unidos e morreu em um hotel de Los Angeles . O caso polêmico na época foi explorado na série documental Cena do Crime – Mistério e Morte no Hotel Cecil (Crime Scene: The Vanishing at the Cecil Hotel) , dirigido pelo norte-americano Joe Berlinger e distribuído pela Netflix , em 2021. Em quatro episódios, de forma linear, é contada a história de como Elisa Lam foi parar no Cecil Hotel e um pouco de sua personalidade no mundo digital e afinidade com o Tumblr. Importante mencionar que o documentário não traz entrevistas com os familiares de Elisa Lam. Se nem os próprios familiares conhecem a fundo uma pessoa, me pergunto por que há tantas pessoas aleatórias na internet e fãs de teorias da conspiração que se sentem no direito de dizer que algo poderia ou não ter acontecido. 

Teorias do Jornalismo: Teoria do Espelho

Influenciada pela invenção da fotografia, a Teoria do Espelho relatava que a realidade é reproduzida por meio da imagem, sem intervenções subjetivas. Seguindo o modelo positivista, a teoria é a favor da racionalidade. A falta de subjetividade nas fotografias também é um assunto bastante criticado, inclusive pelo filósofo e semiólogo francês Roland Barthes. A fotografia tenta retratar a realidade, assim como a notícia, mas não é a realidade em si. De acordo com a Teoria do Espelho, o fotojornalismo deve, assim como o jornalismo, representar a realidade, mas na prática não é o que acontece. Por exemplo, por meio dos critérios de noticiabilidade do fotojornalismo, algumas fotografias são publicadas e outras não, além das fotomontagens, das fotos posadas e atualmente, por meio das manipulações digitais, que muitas vezes são tão bem produzidas que é impossível discernir o que foi ou não manipulado.

A subjetividade é ora implícita, ora explícita, presente nas notícias. A falta de uma leitura crítica faz com que os receptores acabem sendo influenciados pela opinião do jornalista. Um bom exercício para refutar a Teoria do Espelho pode ser feito diariamente por meio da leitura crítica de diferentes veículos de comunicação, principalmente quando são notícias sobre política. Se a teoria prega a representação da realidade, de forma imparcial, por que diferentes publicações jornalísticas dão diferentes enfoques para suas notícias, muitas vezes, deixando claro com suas ideologias se são contra ou a favor de determinado acontecimento.

Questiona-se o atual papel do jornalista. Com os avanços tecnológicos e a enorme quantidade de informações disponíveis na rede, muitos jornais além de publicarem os releases, acabam reproduzindo notícias de outros jornais. Nos debates da área sobre o jornalismo aborda-se que se o jornalista antes era um mero reprodutor da realidade, agora este poderá tornar-se um mero gatekeeper. A seleção de notícias é fundamental, mas será que o papel do jornalista será cumprido somente na função de editor?


Reproduzir as informações e selecioná-las, premissas de teorias que poderiam ser mais completas se relacionadas entre si e com outras teorias jornalísticas, mas que separadas parecem ser insuficientes para descrever uma atividade tão importante para a sociedade e para a democracia, como o jornalismo.

Mais debates e reflexões na área das teorias jornalísticas são necessários. Entender a importância da elaboração de teorias, como as do Espelho e do Gatekeeper, que são as mais antigas e estão com seus conceitos limitados, fará com que o jornalismo deixe de ser pensado somente como um modelo reprodutivo e seletivo, características marcantes das duas teorias abordadas. A maioria dos jornalistas acaba fazendo parte de um sistema que não têm a mínima idéia de suas origens e funcionalidades, um sistema que futuramente poderá até ser substituído por máquinas, já que em grande parte do tempo está isento da reflexão e pensamento crítico. Em uma época em que o jornalismo é uma indústria, o que diferencia os jornalistas de máquinas, quando estes se comportam como seres robóticos, automatizados, com funções óbvias e “pré-definidas”?

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Comentários

  1. Sou estudante do 3º semestre de jornalismo. Seu blog me ajudou muito.

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