sábado, 16 de julho de 2011

Teorias do Jornalismo: Newsmaking

A Teoria do Newsmaking se opõe a Teoria do Espelho, ao rejeitar que as notícias não são reflexos da realidade, e defende que o jornalismo é uma construção da realidade. De acordo com os principais teóricos desta teoria, como Halloran, Berger, Luckman, Cohen, Young, Tuchman, este novo paradigma surgido nos anos 70 rejeita a Teoria do Espelho por três razoes principais: “É impossível estabelecer uma distinção radical entre a realidade e os media noticiosos que devem mostrar por que as notícias ajudam a construir a própria realidade; Defende a idéia que a própria linguagem não pode funcionar como comunicadora direta do significado inerente aos acontecimentos, por que a linguagem neutral é impossível; É da opinião de que os media noticiosos constroem de forma inevitável a sua representação dos acontecimentos”.

Newsmakers

Jornalista e publicitária, a Doutora em Ciências Políticas Maria Tereza Garcia conta em seu artigo “Violência e Medo, elementos extintos no newsmaking do jornalismo público”, que o Newsmaking leva em consideração o jornalista por meio de seu repertório, vivência e experiência no momento em que vai definir qual será o tema e a construção da notícia, preocupando-se também com os interesses do veículo em que trabalha, mas desconsiderando o público.

De acordo com a Teoria do Newsmaking, as notícias não são distorções da realidade e não cabe ao jornalista com suas atitudes políticas o papel de determinante no processo de produção das notícias. A socióloga Gaye Tuchman ressalta alguns pontos que devem ser levado em consideração, como considerar a notícia como uma estória, é admitir que esta tem uma realidade construída e uma própria realidade interna, não que esta seja fictícia. Ainda de acordo com Tuchman, por mais que o jornalista tente participar ativamente na construção da realidade, este profissional ausente da autonomia estará sempre submisso a um planejamento produtivo. O jornalista Felipe Pena dá como exemplo uma situação em que um repórter televisivo tem uma boa história sobre o Governo para contar e de alta relevância para a população, mas acaba esbarrando em fatores como a falta de tempo para editar a matéria. Seguindo a lógica de produção, a prioridade acaba sendo a de abordar a figura mais representativa, o que não indica necessariamente que o conteúdo esteja sendo manipulado a favor do Governo. Esta situação me faz refletir no sentido de quê se o tempo é um dos fatores limitantes, por que não aguardar uma próxima edição para abordar o que aconteceu com diferentes enfoques, procurando mostrar fontes que não sejam somente as oficiais. Se o assunto é de relevância para a população, nada mais justo que a informação seja tratada com seriedade e aprofundamento necessários.

Por que alguns fatos têm mais chances de tornarem notícias do que outros? Na Teoria do Newsmaking, o que define o que poderá ser noticiado ou não, dentre diversos assuntos, já que existe uma limitação, são os critérios de noticiabilidade. Enquanto algumas informações são de importância para a sociedade e deveriam ser assuntos pautados em diversos veículos de comunicação, mas não se tornam notícias, existem aqueles casos em que envolvido a um acontecimento está um personagem famoso e acaba tornando-se destaque nacional ou até mesmo, internacional. Um exemplo bastante atual foi o casamento real britânico entre o príncipe William e Kate Middleton. Alguns jornais televisivos, publicações impressas, jornais online e radiojornais abordaram com bastante frequência informações sobre o acontecimento, além da transformação em notícias de assuntos pouco relevantes relacionados ao casamento.

Com tantas informações mais importantes para se transmitirem, por que optar por uma sensacionalista? O envolvimento de pessoas famosas implica uma maior possibilidade de se transformar o acontecimento em notícia e como a mídia de massa supostamente divulga o que é de interesse público, esta consegue influenciar a população.

É importante diferenciar o quê o público quer como informação e o quê a mídia deve informar para o público. Muitas vezes, preocupados com a audiência, os veículos jornalísticos acabam perdendo o propósito de suas funções.

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