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Destaques

Espectro Autista: Reflexão sobre conscientização do autismo

Vez ou outra eu recebo mensagens de pessoas pedindo ajuda sobre como trazer mais conscientização em lugares nos quais pouco se sabe sobre autismo. Nem toda cidade tem especialista em autismo, isso é um fato que todo mundo que já precisou de um, sabe como é. Minha dica é: compre/arrecade livros ATUALIZADOS sobre o assunto e/ou livros de ficção (com personagens autistas) e/ou livros escritos por autistas. Recomendo firmemente a literatura, já que a leitura trabalha a empatia e fica mais fácil dos neurotípicos entenderem como é estar 'na nossa pele', mesmo que por alguns minutos.


Não vai dar livro desatualizado, que é um desserviço. Já tem muita desinformação no Brasil. Eu poderia fazer uma lista sobre todos absurdos que leio, mas não vou.

Enfim, não dá para fugir da leitura. Infelizmente, muitos conteúdos brasileiros estão defasados, outros logo vão estar por causa das alterações do CID11 do Espectro Autista [só entra em vigor em 2022]. Tem muita coisa boa produzida pela comunid…

Teorias do Jornalismo: Teoria Estruturalista

Inovações metodológicas e novas interrogações foram fatores responsáveis pelo surgimento das Teorias Estruturalista e Interacionista, a partir dos anos 60 e 70. Traquina argumenta que as duas teorias são complementares, mas divergem em alguns pontos. É preciso lembrar que essas duas teorias tiveram como base a Teoria Construcionista. As duas teorias têm em comum a crença de que a notícia é resultado de processos complexos de interação social entre agentes sociais: “os jornalistas e fontes de informação; os jornalistas e a sociedade; os membros da comunidade profissional, dentro e fora da sua organização”, argumenta Traquina. Todas as argumentações apresentadas pelas outras teorias, como por exemplo, de que o jornalista sozinho decidia o que seria notícia ou não ou que a responsabilidade era só da organização, são criticadas por estas teorias, mas não são ignoradas, pois são complementares. Os teóricos dessas teorias acreditam que as interações sociais são complexas. Traquina diz que é importante a identidade das fontes de informação e é preciso refletir sobre as conseqüências sociais resultantes dos processos e procedimentos utilizados pelos jornalistas.


Traquina explica que Stuart Hall e outros autores defendem que as notícias são um produto social resultante de vários fatores: a organização burocrática da mídia; a estrutura dos valores-notícia, a prática e a ideologia profissional dos jornalistas; o próprio momento de construção da notícia – identificação e contextualização.

Ambas teorias são construcionistas e ressaltam a importância de se analisar o jornalista como um construtor da realidade, não somente um reprodutor. Entender este conceito é fundamental para reforçar a importância do jornalista e do jornalismo, pois deixa de relacionar este campo profissional somente à técnica. Sem os devidos conhecimentos e capacidades de reflexão e análise, o jornalista torna-se um reprodutor, parte de um processo que poderia ser substituída e automatizada. Ser jornalista é muito mais do que relatar, é construir, contextualizar, vivenciar. As influências das teorias não estão somente na construção das notícias, mas em como as pessoas as recebem. Os jornalistas, por mais que tentem buscar a neutralidade, acabam incluindo suas ideologias e experiências nas notícias, que podem influenciar o receptor desprovido de uma leitura mais crítica. Atualmente, os veículos e as próprias instituições de ensino do jornalismo utilizam-se do pretexto de neutralidade e objetividade no jornalismo, mas basta analisar dois veículos diferentes e os diferentes enfoques ou construções dados à notícia podem ser observados, ou seja, existe subjetividade no jornalismo, por mais que esta tente ser camuflada ou ignorada.

A reprodução de uma ideologia dominante, um dos princípios da Teoria Estruturalista aplicada no jornalismo, de acordo com a filósofa Marilena Chaui, implica em um “mascaramento da realidade social que permite a legitimação da exploração e da dominação”. Ou seja, como explica Chaui, o falso pode tornar-se verdadeiro, o injusto por justo. Os contrários à ideologia dominante são minorias, portanto muitas vezes, o jornalismo mesmo sendo uma construção da realidade, não constrói necessariamente a realidade da sociedade.
 
Construir notícias implica em uma proximidade entre jornalista e sociedade, caso contrário este estará construindo algo que difere da maioria da população e certamente não é uma realidade. Os conceitos apresentados por essas duas teorias são interessantes, pois admitem a influência do jornalista na produção das notícias.

Contrárias à visão instrumental do jornalismo, as teorias reforçam que o jornalista é um ser dotado de opiniões e experiências que podem fazer parte das notícias, um jornalismo mais humano e menos técnico. A técnica pode ser aprendida, mas a essência é o que diferencia e faz parte de cada indivíduo, algo que nem mesmo as máquinas poderão substituir um dia.

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