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Destaques

Resenha: Ed e Lorraine Warren: Vidas Eternas – Robert Curran e Jack & Janet Smurl

Entre o ceticismo e a curiosidade, as histórias de Ed e Lorraine Warren conquistaram pessoas de vários países graças às adaptações para filmes de terror inspiradas em casos investigados pelo casal de investigadores paranormais. Levando em conta o interesse dos leitores, a editora DarkSide Books publicou o livro Ed e Lorraine Warren:Vidas Eternas, escrito por Robert Curran que conta a experiência vivida por Jack e Janet Smurl. A obra foi lançada em 2019, com tradução de Eduardo Alves.


Compre o livro Vidas Eternas: https://amzn.to/2nwUw5A

Histórias como a da família Smurl, ainda que sejam questionáveis sobre o que teria realmente acontecido, quais partes foram aumentadas e/ou inventadas pela família, pelo escritor e/ou pelos próprios investigadores paranormais, deixam um gosto de nostalgia e também nos fazem pensar no sucesso de adaptações com temáticas semelhantes para o cinema.

A humanidade sempre tenta explicar o que não consegue entender. Divididos entre ficar em negação e se acostum…

Espectro Autista: Diagnóstico de Adultos com Síndrome de Asperger

Levando em conta que há pouca informação sobre o assunto no YouTube, decidi gravar um vídeo com algumas questões relacionadas ao diagnóstico de adultos com Síndrome de Asperger (espectro autista) no Brasil.


Assista ao vídeo Espectro Autista: Diagnóstico de Adultos com Síndrome de Asperger:




Para quem não gosta de assistir vídeos e prefere conteúdo escrito, eu vou abordar abaixo um pouco do que foi discutido no vídeo.

Adultos no espectro autista de vários países têm dificuldades com o acesso aos serviços. Quando falamos de autismo, ainda há uma visão muito centrada nas crianças; aos poucos, estão dando mais destaque para os adolescentes, mas quando se tratam de adultos, ainda não se discute tanto o assunto e existem vários problemas que são abafados.

Ter um diagnóstico de autismo/Síndrome de Asperger na vida adulta ainda é considerado um privilégio em vários países, especialmente no Brasil. Isso acontece por uma série de motivos, entre eles a falta de profissionais capacitados e a distribuição pelo país: existem cidades que não tem profissionais que entendem de adultos no espectro autista.

Muitos profissionais têm conhecimento técnico e teórico sobre o autismo, mas não tem vivência clínica. A falta de experiências com adultos no espectro autista atrapalha ainda mais o diagnóstico, seja por causa de alguns mitos do autismo ou pela dificuldade de ir além da cartilha. Para que o diagnóstico aconteça, a pessoa precisa ter limitações desde a infância: afinal, a pessoa nasce com o cérebro autista, porém, ao longo da vida, muitas pessoas desenvolvem mecanismos de adaptação e compensação para lidar com problemas sensoriais e dificuldades de interação social.


Texto da imagem:

“Quando adultos com síndrome de Asperger imitaram e atuaram para alcançar competência social superficial, eles podem ter dificuldade considerável em convencer as pessoas que eles têm um problema real com compreensão social e empatia” – Tony Attwood, especialista em Síndrome de Asperger/Autismo*

*Livro do Attwood nunca foi lançado no Brasil. Resultado: um monte de profissionais e 'especialistas' desatualizados. Dá até vergonha.

O diagnóstico de Síndrome de Asperger na vida adulta ainda é complicado no Brasil. O espectro autista é muito diversos; não existem dois autistas iguais, ainda assim, muitos médicos acabam comparando pessoas à procura de diagnóstico com outros pacientes, sem levar em conta de que duas pessoas com Síndrome de Asperger podem ser bem diferentes.

Quanto menos dinheiro uma pessoa tem, menos acesso aos profissionais de qualidade. O diagnóstico de autismo ainda não é acessível no Brasil. Muitas pessoas ficam em filas durante anos para serem atendidas e poucos são os profissionais que diagnosticam adultos, mesmo quando outros profissionais identificaram, como psicólogos/neuropsicólogos.

Para alguns profissionais desatualizados, ainda há a crença de que se a pessoa tem um diagnóstico, ela não pode ter outro. As comorbidades de autismo são bem comuns. Além da Síndrome de Asperger, a pessoa pode ter outras condições, como TDAH, Transtorno de Ansiedade, Depressão, Transtorno Bipolar, TOC, Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD), Transtorno de Conduta, distúrbios alimentares, distúrbios do sono, Transtornos de Aprendizagem (relacionados à leitura, escrita e matemática), epilepsia etc.

Mesmo que uma pessoa com Síndrome de Asperger/Autismo não pareça ter dificuldades, isso não significa que ela não tenha. Alguns aspies têm mais facilidade do que outros nas interações, mas isso tem um preço: o esgotamento mental e físico.


Texto da imagem: “Duvido que alguém perceba o quanto eu luto todo santo dia simplesmente com situações sociais normais. Isso exige um gasto enorme de energia mental” – Alex Plank, cineasta, ator e criador do Wrong Planet (um dos maiores fóruns de autismo da internet)

Atualmente, acredita-se que as estratégias compensatórias sejam uma das principais razões para a dificuldade de diagnóstico em adultos: https://www.spectrumnews.org/news/how-autistic-people-use-compensatory-strategies-to-cope-with-daily-life/

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Quer aprender autismo dependendo só de conteúdos brasileiros? Você não vai tão longe. Tudo chega atrasado no Brasil.

Já recomendei várias vezes: aprendam inglês e leiam conteúdos internacionais. O que chega no Brasil não é nem 1/3 das discussões que acontecem fora.

"Você é 'antinacionalista'". Parabéns por dizer o óbvio.

Recomendo o livro A Diferença Invisível: https://amzn.to/2SdErNj

Para quem gosta de ler livros em inglês, recomendo The Complete Guide to Asperger's Syndrome: https://amzn.to/2lme8b8
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Pessoas que estão resmungando da subnotificação de autismo. Isso acontece no mundo INTEIRO por uma série de fatores. Não achem que o Brasil é exclusivo na questão do subdiagnóstico. Não somos estão especiais assim :)

Fatores sociais (desigualdade social), culturais (quando as pessoas não sabem distinguir o que é personalidade e o que é autismo), falta de capacitação profissional (profissionais que entendem o básico de autismo e não têm experiência clínica com a diversidade do espectro autista), tentativa de nivelar por baixo os números do autismo para tirar a responsabilidade do governo, entre tantos outros problemas.

O Brasil está atrasadíssimo na questão do autismo. Coisas que aconteceram há 10-20 anos em outros países, só agora estão acontecendo por aqui.

Cobrem profissionais melhores, conteúdos atualizados em cursos da área de saúde e educação e por aí vai. Não adianta cobrar notificação de algo que nem foi diagnosticado. São problemas diferentes.

Aqui no Brasil, ainda tem a forte influência da religião/espiritualidade, que faz muitas pessoas interpretarem comportamentos autistas como fenômenos religiosos/paranormais e a forte influência da psicanálise, que não combina nem um pouco com autismo.

Para quem quer conhecer a história do autismo, recomendo ler o livro Outra Sintonia.

Quem não conhece a história, não faz ideia de quantos problemas atuais não são tão diferentes dos passados, como a dificuldade de consenso com diagnósticos e como isso poderia afetar o futuro da pessoa, sem o apoio necessário ou a questão dos tratamentos duvidosos.


Texto da imagem: 

“O debate sobre quem considerar autista não era só acadêmico; tinha um efeito profundo sobre a vida dos indivíduos. Afinal, a pessoa precisava ser diagnosticada com autismo para ter acesso aos serviços de apoio” – John Donvan e Caren Zucker, Outra Sintonia: A História do Autismo

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Palestra com a autista Julie Dachez, autora do livro A Diferença Invisível e Doutora em Psicologia Social

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Síndrome de Asperger: Guia do especialista mundial em autismo, Tony Attwood

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro, jornalista por formação e Asperger. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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