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Destaques

Série documental da Netflix explora caso em aberto de assassinato de francesa na Irlanda

Para quem gosta de histórias criminais internacionais e investigações problemáticas, o documentário Sophie: A Murder in West Cork apresenta o caso intrigante de Sophie Toscan du Plantier , uma francesa que foi assassinada em uma região da Irlanda e devido a inúmeras situações, pairam dúvidas sobre omissões e responsabilização do culpado pelo crime. A série documental está disponível na Netflix e foi lançada em 2021. Dependendo do país de onde vive o telespectador, a princípio não fica tão perceptível como as diferenças culturais dos envolvidos em um crime, dos comportamentos regionais das testemunhas, da polícia e do sistema judiciário podem influenciar na resolução de um caso, mas vai se tornando mais evidente ao longo dos episódios da série documental. De 1996, ano em que Sophie foi assassinada em West Cork, até 2021, ano em que foi lançada a série documental, muita coisa mudou, mas outras permaneceram iguais. Ao longo dos três episódios, é impossível não gerar ansiedade de que al

Fascistas e Comunistas: Termos políticos foram banalizados nas mídias sociais

Conforme se aproximam as Eleições 2022, a polarização política no Brasil também aumenta e alguns termos são usados fora de contexto nas mídias sociais para atacar quem discorda de posicionamentos políticos e ideológicos. Entre os favoritos estão: fascistas e comunistas, esvaziando o sentido dos termos e, muitas vezes, usado completamente fora de contexto.

Desde que o presidente Jair Bolsonaro foi eleito, diferentes redes sociais que foram usadas para fazer campanha, também serviram para espalhar desinformação. É importante apontar que além das fake news, bots foram usados para ataques coordenados aos jornalistas e demais pessoas que são contra o governo Bolsonaro.

O que se observa em excesso nas mídias sociais é a ignorância política e essa não escolhe lados. É fácil apontar os erros de um lado e fazer pouco caso para o do outro. Um exemplo clássico e de amplo conhecimento é o da TV Globo, que fica no fogo cruzado. Alguns apoiadores do Bolsonaro chamam a empresa de esquerdista e comunista, já alguns apoiadores de Lula, insatisfeitos com o apoio que a empresa deu no impeachment de Dilma Rousseff, criticam como direitista e até mesmo de fascista. 

Além de não levar em conta as divergências ideológicas dos próprios funcionários, esses termos são tão usados fora de contexto que se esvaziam. A tática da extrema-direita não é desconhecida, qualquer pessoa que se posicione contra Bolsonaro é chamado de comunista no Brasil – mesmo pessoas que se identificam com a Direita ou Centro.

Só hoje, 07 de julho de 2021, dois exemplos de controvérsias envolvendo jornalistas passaram pela minha linha do tempo no Twitter. Em uma delas, o jornalista e escritor Pedro Doria contou que foi chamado de fascista. “Fascista? É só mostra de que gente demais não leva o termo com a seriedade que devia”, escreveu Pedro Doria.

O que mais me chamou a atenção nesse caso foi que Pedro Doria é pesquisador de história e é autor do livro Fascismo à Brasileira, no qual comentou as origens do fascismo de Mussolini na Itália, a formação do integralismo no Brasil e teceu breves comentários sobre as discussões se o bolsonarismo pode ser classificado como fascismo ou não. Ou seja, é alguém com propriedade para discutir o assunto.

O outro caso foi da jornalista Amanda Klein que participava do programa 3 em 1 da Jovem Pan. Hoje ela usou o Twitter para anunciar que pediu para sair e acrescentou: “Em ambiente tóxico e com ataques pessoais não se faz jornalismo”. Se você pesquisar o nome dela, vai ver que os ataques extrapolam o programa, e além de várias ofensas, vai ver que muita gente a chama de comunista e até mesmo pedem para ela se mudar para a Venezuela.

Nesse período de pandemia, Amanda Klein chegou a ser atacada por se posicionar a favor das orientações científicas. Políticos como Jair Bolsonaro e Donald Trump nunca esconderam o desprezo pela imprensa, mas conforme eles discursam, os ataques contra os profissionais da mídia se tornam mais virulentos.

Se todo mundo é esquerdista, ninguém é. Se todo mundo é fascista, ninguém é. Se todo mundo é comunista, ninguém é. De tanto usar termos fora de contexto, muitas pessoas se sentem acuadas e se afastam mais ainda das discussões políticas. Isso atrapalha e muito, especialmente nos tempos preocupantes em que estamos vivendo, onde há constantes ameaças à democracia e muitas pessoas têm receio de posicionar a favor do impeachment de Bolsonaro.

Desde pessoas que morrem de um medo imaginário do comunismo no Brasil, até pessoas que não se deram conta da gravidade de apoiar alguém com traços autoritários e fascistas, o país se vê mergulhado em um caos e vozes que fariam a diferença, acabam se silenciando. Uma das frases de quem é contra o Bolsonaro, mas não é de esquerda é a “Olha, eu quero o impeachment, mas não significa que sou lulista”. 

Será mesmo que é preciso se justificar o tempo inteiro? Quantas mais pessoas têm medo de serem associadas falsamente ao comunismo por serem contra Bolsonaro? Quantas pessoas foram enganadas pelo sistema de pós-verdade, alimentado por desinformação e fake news e não necessariamente apoiam Bolsonaro?

Existem muitas perguntas que precisam ser feitas antes de esvaziar termos. Algumas pessoas são chamadas de esquerdistas e direitistas e de comunistas e fascistas no mesmo dia. Essa confusão política, além de influenciar os resultados eleitorais – Bolsonaro, por exemplo, atualmente sem partido e considerado de Extrema-Direita se elegeu com uma falsa bandeira distanciada da política, dizendo que seria diferente de outros políticos –, também revela a necessidade do brasileiro refletir e se educar mais.

A luta contra o autoritarismo e tentativas de obstruir a democracia, por exemplo, é uma pauta que deve unir todos, independente de partidarismos ou ideologias.

Leia também: Prometo Pausar: Campanha da ONU incentiva o combate à desinformação e compartilhamento responsável 

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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