Página virada
Eu e você, página virada de um livro que não existe mais. Um livro que passou por quatro estações e queimou até virar cinzas no verão seguinte. Assim era a história que parecia a mesma de sempre, mas eram nos detalhes que tudo se tornava diferente. Em um terreno de indefinições, algo havia se definido quer fosse capaz de reconhecer em voz alta ou não. Com o fim do livro, também chegara ao fim os diálogos e parecia que tudo havia se tornado um grande monólogo, onde o outro estava invisível, só não sabia quanto tempo. Quanto tempo até se dar conta. Minutos, horas? Dias, semanas? Então vieram os meses. E se havia uma parte que acreditava na importância de ir atrás, também havia aquela que respeitava a decisão do outro. Em um período em que encerramentos de ciclos estavam em todos lugares, pensava que um ciclo ia se manter. Estava errado. No início talvez via como uma nostalgia agridoce. Agora sabia que era só questão de tempo até isto acontecer. E, então, nas diferenças e indiferenças, fo...