segunda-feira, 17 de abril de 2017

10 Livros de Ficção para Ler em 2017

2017 tem sido um ano marcado por muitas crises políticas, econômicas, sociais e existenciais. Não somos imunes ao que acontece pelo país e pelo mundo e estamos dançando no meio do caos, seja diante da ansiedade, do medo e demais angústias que nos atormentam diariamente. A leitura entra com um papel importante, seja para nos proporcionar uma válvula de escape e permitir escapar um pouco das tensões ou para nos faz refletir sobre nossas próprias vidas e como nossos destinos estão entrelaçados.


Decidi montar essa lista eclética de livros que gostaria que mais leitores conhecessem. Alguns deles são bem populares, outros nem tanto, mas recomendo a leitura de cada um deles para quem deseja sair da própria zona de conforto. A boa leitura vai além do entretenimento e nem sempre é culpa do livro quando o leitor não consegue captar as mensagens nas entrelinhas, muitas vezes, é preciso mergulhar mais fundo para saber que cada escritor não está só nos envolvendo em sua mágica arte de contar histórias, como está nos alertando sobre as inúmeras possibilidades que a vida nos apresenta e o papel de cada um de nós diante dos conflitos.

Em suma, toda obra literária tem algo importante para contar, não importa o período em que tenha sido escrita. Cabe a cada um se desapegar dos próprios preconceitos e ousar se colocar na pele dos personagens. De alguma forma, todos os livros desta lista estão relacionadas a muitos conflitos nos quais estamos envolvidos direta ou indiretamente e nada melhor do que a leitura para nos proporcionar a ambiguidade da inquietação e catarse. Toda leitura nos transforma e nos faz conhecer realidades que muitos fecham os olhos ou evitam pensar, mas nem por isso elas deixam de existir e nos influenciar.

Confira a lista de 10 Livros de Ficção para Ler em 2017


1) Promessa de Liberdade, Evelyn Postali


Evelyn Postali é o tipo de escritora cuja principal marca é a versatilidade artística. Apaixonada pela educação, fotografia, arte e literatura, a autora já se aventurou por vários gêneros literários e temáticas. Promessa de Liberdade é o seu romance com uma pegada de distopia e toca em algumas feridas da sociedade brasileira, nos fazendo questionar como seriam os dias atuais se a escravidão de negros não tivesse sido abolida e outras minorias são oprimidas. A trama leva o leitor a refletir sobre os seus próprios preconceitos, bem como a se imaginar em um país polarizado – não tão diferente do qual estamos vivendo nos dias atuais. A relação entre o filho de uma família poderosa importante e de um escravo movimenta a trama.

A linguagem do romance é bem direta. A premissa deste universo repressor acaba se espelhando na narrativa. Em um mundo em que artistas são silenciados, pessoas são condenadas por causa do tom de sua pele, livros são proibidos, homossexuais são considerados invertidos, mulheres são submissas e os homens no poder são os únicos que têm voz, falta, propositalmente, espaço para a sensibilidade poética e as múltiplas faces da arte tão bem exploradas pela autora em seu outro romance. Promessa de Liberdade é aquele tipo de leitura que nos dá um aperto no peito, nos tranca a garganta e soca a alma. Plantar esperança em um campo de flores cinzentas e destruídas pode ser a salvação de alguns personagens, mas é a condenação de outros. O que esperar de uma sociedade que silencia dores, amores e vozes?



2) Todo Dia, David Levithan

Imagine como seria se todos os dias você acordasse em um corpo diferente. Assim é a premissa de Todo Dia, o romance de David Levithan que nos proporciona uma experiência de empatia com o que nem sempre estamos acostumados. O protagonista e narrador da história é um personagem chamado A. Incapaz de controlar o seu destino, ele acaba se apaixonando por uma das pessoas que conhece, tornando a narrativa mais envolvente.



Cada capítulo descreve um dia na vida de A. É interessante como David Levithan explorou diferentes personalidades e características corporais, e como as vidas dos personagens acabam sendo influenciadas pelos seus corpos, mentes, identidades e desejos, possibilitando entender um pouco sobre as diferentes perspectivas e como elas moldam nossos relacionamentos internos e externos.


3) A Livraria Mágica de Paris, Nina George

Sabe aquele livro que te prende logo pelo título? A Livraria Mágica de Paris é um romance sobre as fragilidades humanas e como as vidas de muitas pessoas são influenciadas pelos livros que elas leem. Um protagonista que consegue ajudar a todos, mas se esconde do mundo. A vida de Jean, um farmacêutico literário se transforma conforme ele e os outros personagens deixam de ser tocados somente pelas obras literárias e passam a usar as cartas, rabiscos e memórias como remédio para suas almas e corações.

Nina George escreveu um livro encantador, rico em referências literárias. Para quem gosta de leituras, não dá para não se sentir envolvido com as indicações. Depois de sermos lançados em um mar de reflexões, somos salvos pelas palavras que não nos deixam afogar na apatia. Um sopro de vida!


4) Não Me Abandone Jamais, Kazuo Ishiguro

Sabe aquela história emocionante que esmaga o seu peito, mas você quer continuar lendo mesmo assim? Não Me Abandone Jamais é um desses livros que nos joga nos rios de nossas vidas e, paralelamente, aos personagens que relembram suas próprias memórias, somos direcionados a olhar para trás. O romance é narrado por Kathy H., uma cuidadora de doadores de órgãos e o seu relacionamento com Tommy e Ruth.

Kazuo Ishiguro nos faz imaginar como seria a existência desses clones humanos, criados meramente com o propósito de servir e faz o leitor simpatizar com suas histórias e experiências, para, então, nos fazer encarar os seus inevitáveis destinos. O livro nos faz refletir pontos da clonagem que vão além da questão da alma, mas também dos sonhos, amores e emoções de criaturas que nascem com uma jornada selada por propósitos científicos.



5) Um Lugar Para Todos, Thrity Umrigar

Thrity Umrigar é uma escritora indiana que nos leva a mergulhar mais na cultura de um povo marcada por suas tradições. Em Um Lugar Para Todos, a autora nos proporciona a oportunidade de conhecer personagens de diferentes castas. Seus personagens não poderiam ser mais humanos, nos mostrando que nem toda pessoa é conivente com as convenções de sua época e país.

O livro aumenta mais a curiosidade sobre a cultura indiana e nos faz perceber que independente do lugar em que vivemos, todas pessoas têm seus próprios desejos e insatisfações, o que faz muitos daqueles que não encontram conforto em suas cidades natais buscarem um recomeço em outros países. A realização de um casamento une os personagens principais da história, bem como um prédio onde muitos moram ou já moraram. Uma trama que nos leva a perceber a transformação das pessoas e a força dos contrastes sociais. Algumas das histórias são de cortar o coração, enquanto outras arrancam sorrisos.


6) Tempo é Dinheiro, Lionel Shriver


Lionel Shriver explora a força do capitalismo em nossas vidas e como em busca de uma vida bem-sucedida e confortável, muitas vezes ficamos presos no ciclo do trabalho e dívidas. Em Tempo é Dinheiro, o leitor conhece a história de Shep, um homem que passou a vida inteira guardando dinheiro para mudar de país, mas imprevistos acontecem e toda vez ele vê que está cada vez mais longe da tão sonhada estabilidade financeira.

Quando ele descobre que sua esposa está com um câncer raro, Shep passa a usar todas suas economias para ajudá-la a manter viva e cobrir as despesas com a saúde. Shep coloca os próprios desejos de lado para cuidar da mulher, está sempre faltando ao trabalho, embora ela permaneça inflexível e por vezes, cruel com ele, não só por causa da doença, mas por causa de sua personalidade forte. Os valores que o dinheiro e o tempo possuem em nossas vidas, mesmo que a tentação de ignorá-los seja grande, os dois sempre dão um jeito de mostrarem suas forças; Como estamos condenados por um sistema e dificilmente conseguimos sair de nossos próprios ciclos de autodestruição, muitas vezes, nos apoiando em situações drásticas para finalmente obter a coragem de fazer e dizer o que sempre tivemos vontade. Você conclui a leitura com aquela pergunta assombrosa: "Quanto custa a vida de uma pessoa?".


7) Memórias de uma Gueixa, Arthur Golden

O romance é a única obra-prima de Arthur Golden. O escritor não se aventurou a publicar nenhum livro após o sucesso estrondoso sobre uma menina japonesa que é forçada a se tornar uma gueixa, seja pelas questões culturais ou pela necessidade de sobreviver. O livro Memórias de uma Gueixa chama a atenção para a força das tradições e como elas acabam se tornando um modo de autodestruição para muitos.

Com uma atmosfera marcada pela melancolia e nostalgia, Sayuri nos faz pensar sobre a liberdade, escolhas e o destino. Para sobreviver, uma garota destinada a ser gueixa precisa ser bem treinada, mas o sucesso do seu futuro envolve tantas variáveis, como o leitor pode acompanhar: nada é certo, apenas o sofrimento. A cada vez que Sayuri recebe um nome diferente é como se ela estivesse se reinventando, desde a garotinha Chiyo que precisou deixar a vida com a família, mesmo que contra a sua vontade, até a gueixa que impressionou centenas de homens com seu olhar, sua dança, sua aparência.


8) O Livreiro de Cabul, Asne Seierstad


O Livreiro de Cabul foi escrito pela jornalista norueguesa Åsne Seierstad e nos leva a conhecer a vida de um homem que foi preso e torturado e teve sua livraria invadida e livros queimados. Como muitos livros sobre culturas ocidentais, a autora nos faz sentir a dor de ser mulher, jovem e de quem tenta promover a circulação de conhecimento em sociedades opressoras.

A jornalistas mergulhou na vida de um homem que mesmo defendendo a importância dos livros também faz parte de um sistema cheio de preconceitos, onde o machismo, a exploração sexual e as rixas entre clãs são naturalizadas. Åsne Seierstad mostra que mesmo entre aqueles que tentam remover alguns véus, existem tantos outros e a força do radicalismo.



9) As Rosas e a Revolução, Karina Dias


Quem pede pela intervenção militar, sem dúvidas, não deve lembrar dos tempos caóticos no Brasil. Censura, violência e assassinatos. A jornalista Karina Dias escreveu um romance ambientado no período da ditadura militar e conta a história da filha de um coronel que era contra as ideias do pai e passa por inúmeros processos de redescobertas, como a questão da sua própria sexualidade. Vilma se descobre lésbica e acaba se envolvendo com outras mulheres, bem como tentando sobreviver diante dos dias turbulentos de repressão, silenciamento e agressões.

A boa ficção aliada aos fatos históricos ocorridos no Brasil, misturados ao debate das ideias sobre o preconceito contra lésbicas e gays e amores clandestinos tornam a leitura mais prazerosa. Uma mensagem bonita transmitida no livro As Rosas e a Revolução é a de que não podemos escolher nossas orientações sexuais, mas também temos direito de amar e lutar pelo que acreditamos.

10) Veronika Decide Morrer, Paulo Coelho


Paulo Coelho se inspirou em alguns momentos de sua biografia ao escrever Veronika Decide Morrer. Ele que foi internado compulsoriamente mais de uma vez ao longo da vida, acabou escrevendo um romance para mostrar a história de Veronika, uma mulher que passa por uma crise e tenta o suicídio. Após sobreviver, ela é internada e acaba descobrindo que tem poucos dias de vida. Um livro inspirador!

Ao seguir os caminhos traçados pelos outros, Veronika acabou se deixando de lado. Formada em Direito por orientação de sua mãe, a mulher trabalhava em uma biblioteca e morava num lar de freiras, no qual alugava um quarto. Deixando seus desejos de lado durante toda a sua existência, ela começou a sentir que sua vida não tinha mais sentido, pois todos os dias eram iguais e decidiu que queria morrer. O livro nos faz refletir sobre a vida, morte, loucura, justiça, prazer e sexo, elementos que dão sentido às nossa existências pessoais e em sociedade. Nascemos sabendo que vamos morrer um dia, mas deixar de viver torna-se um dilema quando já não temos esta opção e temos uma data definida para acontecer.



E você, já leu algum dos livros da lista? Quer deixar alguma indicação de leitura? Comente!

*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e do livro de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1), disponível no Wattpad.

4 comentários:

  1. Já acrescentei outros na minha lista, Ben! Ela cresce. Vamos ter que ver se consigo dar conta das leituras. Obrigada pela indicação de Promessa de Liberdade. É sempre bom saber que algo que se escreve faça sentido para outros. Obrigada!

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    Respostas
    1. Oi, Evelyn! Gratidão pelo comentário. Fico feliz em indicar Promessa de Liberdade. Estamos passando por períodos turbulentos e vemos que os pensamentos obscuros ainda são fortes. Nada como a literatura para fazer o leitor refletir sobre o preço das escolhas e da liberdade.
      Beijos

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  2. Olá!
    Não sou muito de ler livros do gênero, mas estou bem curiosa pra ler Todo Dia! Espero gostar bastante. :D

    Abraços
    Leitora Cretina

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    1. Oi, Mônica!
      Acho que você vai gostar bastante de Todo Dia. O livro te dá muitos insights sobre a vida e faz perceber que no fundo, todos nós queremos ser felizes, independente do 'corpo em que estamos' e das identidades que construímos ou são construídas para nós.
      Abraços e muito obrigado pelo comentário!

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