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Destaques

Revolutionary Love: Série coreana de drama explora o abismo que divide as classes sociais

Embora muitos dramas coreanos pequem na representatividade de diversidade racial e deem pouquíssimo espaço para estrangeiros e imigrantes, a série Revolutionary Love (2017) da tvN e no Brasil disponível temporariamente pela Netflix , acaba indo além dos elementos de comédia e romance, mostrando o drama das diferenças de classes sociais , os preconceitos e a possibilidade de imersão nesse mundo desconhecido pelo filho do dono de um dos maiores conglomerados de empresas da Coreia do Sul . A ingenuidade e a ignorância da realidade das classes trabalhadoras tornam o protagonista um tanto embaraçoso, lembrando de forma vaga a jornada de Buda quando conheceu a realidade fora do palácio e foi confrontado com a fome, a doença, a pobreza e a morte. Longe de ser uma série com alguma alegoria espiritual, mas do ponto de vista do comportamento é interessante acompanhar como Byun Hyuk (Choi Si-won) se torna mais empático e humanizado quando seu caminho cruza com o de Baek Joon (Kang So-ra) . E

CPI da Pandemia: Do sucesso entre milhares de brasileiros às sessões suspensas no recesso

Criada com a proposta de investigar as ações e omissões do governo federal, a CPI da Pandemia começou tímida com o depoimento do ex-Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, no dia 04 de maio de 2021 e com o passar das semanas, se tornou um sucesso entre os brasileiros, que acompanham as transmissões pelas diferentes mídias sociais da TV Senado e outros canais de retransmissão. Prorrogada por mais 90 dias, a Comissão entrou em recesso nesta quinta-feira, 15 de julho de 2021 e deve retornar no dia 3 de agosto de 2021.

Muita gente subestimou a importância e o impacto que a CPI da Pandemia teria no Brasil. Para quem achava que ela terminaria em pizza, em menos de três meses, a pressão das investigações ajudou a acelerar a vacinação no país e expor o descaso do governo na aquisição das vacinas, ignorando a chance de tornar o país uma das vitrines de imunização em massa e expondo hipóteses adotadas pelo governo, como a Imunidade do Rebanho que faria o país perder centenas de milhares de vidas, promoção de tratamentos sem comprovação científica e o mais grave, envolvimento em negociações irregulares de vacinas.

O trio de senadores Omar Aziz (Presidente da CPI da Pandemia), Randolfe Rodrigues (Vice-Presidente da CPI da Pandemia) e Renan Calheiros (Relator da CPI da Pandemia) conseguiu formar uma sinergia para conduzir as sessões. Entre os senadores que contribuem bastante para as investigações estão: Alessandro Vieira, Rogério Carvalho, Humberto CostaFabiano Contarato e Otto Alencar

Com senadores titulares homens, as senadoras se destacaram e foram conquistando o espaço, entre elas: Eliziane Gama, Simone Tebet, Soraya Thronicke e Zenaide Maia e eventualmente, Leila Barros e Kátia Abreu. Além de terem posicionamentos que fizeram muita diferença à CPI da Pandemia, ficou muito claro que as investigações renderiam mais se tivessem mais senadoras integrantes como titulares, já que dependendo da duração da sessão, nem sempre sobra tempo suficiente para uma participação mais ativa.

Até o momento, mais de 30 pessoas já foram convidadas e/ou convocadas, sejam como testemunhas ou investigadas: desde depoentes que não foram muito colaborativos, passando pelos que usaram a CPI da Pandemia como um espaço para espalhar suas crenças e desinformação sobre a Covid-19, até aqueles que usaram o direito ao silêncio e os que trouxeram revelações sobre irregularidades e crimes cometidos pelo governo Bolsonaro, entre eles, o de corrupção. Diante de várias situações de flagrantes, um dos depoentes chegou a ser preso pela polícia legislativa, Roberto Dias, ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde.

Com quatro trocas de ministros da saúde no período da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro afastou dois médicos, colocou um general que não tinha qualquer conhecimento sobre o funcionamento do SUS ou da área de saúde e se envolveu em escândalos e só em março de 2021, Marcelo Queiroga que também é médico virou ministro da saúde. 

Bolsonaro contrariou recomendações sobre restrições e a importância do lockdown. Além disso, quando Pazuello era ministro e as vacinas surgiram, vários contratos foram ignorados, atrasando a vacinação no Brasil, apostando em tratamento precoce que não funciona e não levando em conta como isso sobrecarregaria o sistema de saúde. 

O resultado chocou não só brasileiros, mas pessoas de diferentes países: até o momento do texto, quase 540 mil mortos por Covid-19, mais de 45 mil crianças e adolescentes órfãos e milhares de brasileiros com sequelas do vírus que necessitam de reabilitação.

Foi na CPI da Pandemia, que milhares de brasileiros acompanharam junto com os resultados das investigações, depoimentos e quebras de sigilos, que muitos descobriram também que além das estranhas apostas no negacionismo, também se escondia o negocionismo: tentativas de contratos irregulares, indícios de corrupção e até mesmo propostas de comissões (propinas) por venda de vacina.

Após as descobertas ganharem destaque na imprensa, aconteceram algumas exonerações no governo, especialmente de figuras envolvidas nos escândalos das vacinas. É provável que até o final da CPI da Pandemia, mais informações venham à tona e a imagem anticorrupção que Bolsonaro tentou levantar nas eleições de 2018 fique mais arranhada ainda. 

Segundo pesquisa do Datafolha realiza nos dias 7 a 8 de julho de 2021, para 70% dos brasileiros há corrupção no governo Bolsonaro. A pesquisa foi realizada após o início da CPI da Pandemia, revelando que, sim, os brasileiros estão atentos e mesmo quando não conseguem assistir a transmissão ao vivo por causa dos horários das sessões, muitos obtêm informações pelos jornais (rádio, televisão e online), mídias sociais e diferentes produtores de conteúdo.

Outro fato interessante é que informações obtidas por investigações de fake news e antidemocráticos também servirão como material para a CPI da Pandemia, já que entre os envolvidos apoiadores do Bolsonaro, há também indivíduos que produziram conteúdos de desinformação sobre a Covid-19 e as vacinas – ações que podem ter atrapalhado os esforços de imunização, minimizado os riscos da pandemia e colocado a vida de muitos em perigo, sem falar na ironia de criticar algo que estava comercializando escondido.

Em entrevista coletiva, o senador Randolfe Rodrigues disse que a fase nova da CPI da Pandemia se focará no papel das fake news no agravamento da pandemia no Brasil. “As quebras de sigilo bancário, fiscal, telemático, é uma das prioridades de análise nos próximos dias. Nós vamos dedicar essas duas semanas a isso”, afirmou Randolfe Rodrigues.

Ao lado do senador Rogério Carvalho, Randolfe disse que entre os possíveis próximos depoimentos estão o do sócio-administrador da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, deputado Ricardo Barros, ex-secretário-executivo da saúde Elcio Franco e ex-ministro de saúde Eduardo Pazuello.

“O que frustra todos nós é o Brasil ser um dos países que mais mata por Covid do planeta. É o segundo que mais mata. Enquanto o Brasil era um dos países que mais matavam por Covid do planeta, enquanto famílias eram despedaçadas, um balcão de negócios tinha no Ministério da Saúde”, declarou o senador Randolfe Rodrigues.

“Enquanto milhões, milhares de brasileiros se infectavam, enquanto ao longo do ano de 2020, a Pfizer tentou vender milhões de doses de vacinas, o Instituto Butantan tentou vender milhões de doses de vacinas, o Governo negava as vacinas. E no momento em que ele se viu obrigado a comprar vacinas, abriu o balcão de negócios. Isso é o que entristece a todos os brasileiros, porque isso indica uma prática corrupta de se relacionar com o mercado, com os produtores e para adquirir o insumo mais essencial neste momento... Ele está usando a emergência para usar vantagem indevida que é a compra de vacinas”, concluiu o senador Rogério Carvalho.

Para quem gosta de vídeos, só no canal do YouTube da TV Senado, estão disponíveis mais de 550 vídeos relacionados à CPI da Pandemia. Se for procurar em canais jornalísticos e de comentadores políticos, há muito conteúdo, mas acho interessante assistir as sessões na íntegra e tirar as próprias conclusões. Nos sites de notícias e nas mídias sociais também é possível encontrar conteúdos complementares – o papel da imprensa e de quem faz curadoria de conteúdo têm sido tão importante, que serviram de apoio para muitos senadores.

Confira vídeo da TV Senado com a linha do tempo da primeira fase da CPI da Pandemia:

Enquanto o primeiro depoimento, o do ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta foi assistido por mais de 238 mil pessoas pelo canal do YouTube da TV Senado. O vídeo da sessão mais recente, da oitiva do representante da empresa Davati Medical Supply, Cristiano Alberto Carvalho tem mais de 660 mil visualizações. Isso sem levar em conta os vídeos publicados em outros canais do YouTube. A diferença de visualizações revela o crescente interesse da população brasileira.

Os vídeos com mais polêmicas estão entre os que tem mais visualizações, ultrapassando mais de um milhão de visualizações. Embora os depoimentos sejam importantes para as investigações – vale lembrar que como muitos depoentes foram com habeas corpus e mesmo os que juraram a contar a verdade, podem não ter contado – e ao relatório da CPI da Pandemia, a comissão já recebeu muitos documentos que serão importantes tanto para o andamento, cruzamento de dados e para fins de transparência pública.

É importante lembrar que foi uma CPI que contribuiu para a renúncia e impeachment do ex-presidente do Brasil, Fernando Collor, em 1992. Seja pela derrota nas Eleições 2022 ou a tempestade perfeita para o impeachment de Bolsonaro, que já tem mais de 120 pedidos protocolados, as chances são de que conforme as investigações avançam e os escândalos são expostos, mais eleitores abram os olhos sobre as omissões e crimes cometidos pelo governo Bolsonaro.

Uma pesquisa realizada pelo DataSenado apontou que 73% dos brasileiros avaliam que as vacinas foram compradas mais tarde do que deveriam. O senador e presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz afirmou que a Comissão Parlamentar de Inquérito investiga as razões desta demora e vai apurar as responsabilidades. Ele lembrou que mesmo com o recesso das sessões, a CPI não vai parar. 

Um dia após o escândalo da Davati, a Folha de São Paulo publicou uma reportagem sobre outro negócio irregular de vacinas no governo Bolsonaro. Este já é o quarto contrato irregular de vacina descoberto com envolvimento de funcionários do ministério da saúde na gestão bolsonarista. “Conseguimos um vídeo exclusivo do ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello prometendo comprar vacinas Coronavac, fora da agenda, com empresários intermediários e pelo triplo do preço, no Ministério da Saúde”, disse a jornalista Constança Rezende.

Sobre as descobertas da CPI da Pandemia e tentativas de negociar vacinas com propina (comissão) com empresas duvidosas que ofereceram doses que nem mesmo tinham, o senador Omar Aziz afirmou: “Não se pode passar a mão em cima de uma pessoa que brincou com a vida das pessoas negociando vacina fantasma”.

*Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo. Autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.

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