Uma pausa dentro da pausa, às vezes, é tudo o que precisamos para recarregar as energias. Estava aproveitando de forma consciente maneiras de reduzir a quantidade de estímulos e relaxar. Relaxava não só por relaxar, mas por saber que isso ajudaria mesmo nos estudos. Tirar um tempo para si mesmo e não fazer nada, em alguns casos, é tudo o que a gente precisa. E está tudo bem estranhar no começo. Pensar que deveria estar fazendo alguma coisa. Mas não fazer alguma coisa também é fazer algo e, às vezes, para ajudar com o esgotamento, era necessário. Dias de silêncio também eram importantes. Às vezes, o corpo e a mente pedem. Às vezes, o que você mais precisa é saber separar um tempo do seu dia para se focar em relaxar e evitar uma sobrecarga mental. Ia escrevendo pensando nos dias de silêncio. Ia escrevendo para se lembrar de que era importante este tempo para si mesmo. Ia escrevendo para lembrar que estava tudo bem e a diferença que tirar um tempo para si fazia melhor do que esperava...
O universo do autismo está repleto de mentiras, estereótipos, mitos e preconceitos. Nessas horas, além de sempre recomendar questionar as informações (nenhum autista é igual ao outro, ainda que no mesmo ‘grau’ – o espectro não é linear, por exemplo, dois Aspergers podem ser completamente diferentes; os sistemas classificatórios estão ultrapassados, pois não levam em conta que as habilidades e deficiências podem ser completamente diferentes e deixam milhares de diagnósticos passarem batidos; milhares de autistas que não sabem que são autistas), também recomendo a leitura. Temple Grandin tem uma mente genial e seu pensamento visual é fascinante.
Para contextualizar um pouco, as diferenças entre autistas também influenciam nas diferenças de associações. Durante muitos anos, a cor azul e o quebra-cabeça foram adotados para falar de autismo; as novas associações (formadas por autistas e simpatizantes) adotaram o vermelho e o espectro colorido.
“Pessoas autistas não vivem em 'outro mundo' Este é o problema. Elas vivem NESTE mundo Um mundo que as silencia Um mundo que fala sobre elas Um mundo pouco disposto a acomodar suas necessidades. Um mundo que não os aceita como são”– Autistic (Twitter)
Muitos mitos já foram derrubados há anos, mas continuam sendo espalhados... vacina não causa autismo! Ninguém se torna autista por falta de cuidado dos pais; autismo não é doença (logo, não existe cura) – o que não quer dizer que o autista não possa desenvolver habilidades; temos voz e podemos usá-la (quantas vezes você leu um texto escrito por um autista?).
Mesmo autistas não-verbais, em alguns países, encontram formas de comunicação alternativas para terem seus direitos respeitados; Tratamentos sem comprovação científica podem ser perigosos, afinal, cada autista é diferente e acontecem muitos casos de envenenamento e/ou desenvolvimento de doenças por causa disso.
Coisas que as pessoas não sabem sobre o preconceito: antigamente, autistas eram internados contra a vontade e afastados dos pais; pelo componente genético, alguns autistas escutam que é melhor não ter filho (Eugenia) e, diariamente, coisas que fazem mal para autistas (que podem variar completamente) são vistas como frescura ou birra por não-autistas, como barulho e luz.
Enfim, estudar autismo se tornou um hiperfoco temporário, poderia falar e falar e ainda não seria suficiente para descrever os absurdos que leio diariamente.
*No momento, estou lendo O Cérebro Autista, escrito por Temple Grandin e Richard Panek. No Brasil, o livro foi publicado pela Editora Record, com tradução de Cristina Cavalcanti. Dependendo da minha experiência de leitura, em breve devo indicar o livro no blog. Para quem quiser comprar o livro: https://amzn.to/2xZGUUU
*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.