Estava aprendendo a cada dia mais a importância dos limites. Era ao usar as redes sociais quando via limites sendo ultrapassados o tempo todo e muitos comentários desrespeitosos, que levavam à importância de bloquear. Bloquear alguém no início poderia ser desconfortável, mas depois era libertador. Por que damos tanta importância para as opiniões dos outros? Por que abrimos a porta para que entrem e bagunçam nossas mentes? Não sabia porquê, mas havia um intervalo de tempo em que as coisas começavam a fazer sentido. “Eu não preciso passar por isso... Opiniões de estranhos não deveriam importar tanto assim”. Então, ia percebendo um padrão nesses comentários, mas preferia bloquear silenciosamente. A verdade era que nós ensinavámos aos outros como poderiam nos tratar. Escrevia como um lembrete e uma forma de autovalidação, de se confortar de que estava fazendo o certo. Escrevia para lembrar aos outros que seus limites também importavam. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jo...
Síndrome de Asperger: Estereótipos do autismo e a dificuldade de identificação
A Síndrome de Asperger foi descrita em 1944 por Hans Asperger. Embora formalmente o termo não será mais usado, é importante pontuar que muitos profissionais têm dificuldade de identificar autistas com esse grau.
Basta lembrar que há mais de 20 anos (1994) a Síndrome de Asperger foi incluída nos manuais de diagnósticos formais e até os dias atuais muita gente nem sabe o que é (incluo aí pessoas da área de saúde: profissionais e estudantes). Pessoas que não são boas de matemática: é só conferir sua idade. Se você nasceu antes dessa época, há uma chance bem alta de nunca ter sido diagnosticado.
Não preciso dizer o óbvio? Preciso. Levando em conta a desatualização profissional e a dificuldade de identificação, especialmente de autistas com Superdotação que camuflam o autismo, muitas pessoas passaram a vida inteira sem diagnóstico.
Durante muitos anos, se focaram no diagnóstico de garotos e homens. Lentamente, de garotas. E os diagnósticos de mulheres ainda estão em desenvolvimento. Muitas pessoas com dupla excepcionalidade também facilmente ficaram sem diagnósticos (Aspergers com superdotação). Nem vou entrar na questão de pessoas com várias sobreposições de condições... Dilema maior ainda.
Embora algumas pessoas tenham a ilusão de que o autismo é algo recente, produto da vida moderna, precisamos lembrar que só porque algo não era conhecido, não quer dizer que não existia.
Vou desenhar para vocês mais uma coisa óbvia: não culpem pessoas por diagnósticos tardios; elas não devem sentir vergonha de algo que antigamente as pessoas tinham dificuldade de identificar e ainda têm nos dias atuais. Se não entendem a dificuldade de encontrar bons profissionais, pesquisem a realidade antes de julgar. O autismo e a síndrome de Asperger vão muito além dos estereótipos, do que as pessoas acham que entendem do que é autismo. Dois autistas (mesmo Aspergers) podem ser MUITO diferentes. Dizer que alguém “não parece autista” é só uma visão preconceituosa.
A dificuldade de diagnóstico é tanta que muitos profissionais e pessoas não entendem alguns mitos: alguns autistas conseguem olhar nos olhos, têm relacionamentos pessoais e aprendem a se adaptar ao longo da vida; o que não quer dizer que eles deixaram de ser autistas, é uma condição neurobiológica diversa para a vida (não é doença, afinal, não tem cura).
Se não vive na nossa pele e não sabe nossas dificuldades, não tem direito de julgar nossa realidade.
Para quem tem vergonha, autistas sem diagnóstico formal (ou que não fazem ideia de que são autistas, mesmo com identificação informal) estão mais suscetíveis a crises e sobrecarga sensorial por causa do excesso de exposição a estímulos sensoriais e gasto de energia com socialização porque não entendem o que pode fazer mal a eles. Menos preconceito e mais informações.
A nova classificação de Aspergers deixará mais claro para pessoas com dificuldade de entender o autismo: Transtorno do Espectro Autista SEM transtorno do desenvolvimento intelectual e com LEVE ou NENHUM prejuízo de linguagem funcional.
*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.