Impor limites nem sempre era fácil, mas às vezes fundamental para preservar a própria saúde mental. Então, ia aos poucos se fechando, permitindo ficar mais tempo offline do que online. Negociar limites talvez fosse o melhor termo. De todo modo, nem sempre as pessoas iriam entender. Às vezes, o silêncio era a melhor resposta. Escrevia para se lembrar. Escrevia para que as coisas fizessem sentido. Escrevia. Ia se soltando aos poucos. O que havia começado com empolgação, havia se tornado uma frustração. Aos poucos tentava diminuir o acesso às redes sociais, na esperança de voltar a respirar em paz. Ia impondo limites, pois era mais fácil se recuperar antes de se sobrecarregar do que depois. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror Escrita Maldita , p ublicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2) , disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.
Síndrome de Asperger: Camuflagem social não é cura
O que é autismo para você? Aprender a camuflar o autismo não é um sinal de cura. Autistas são diferentes. O autismo é um espectro. Autistas se movem neste espectro. Alguns Aspergers aprendem naturalmente a se camuflar, é um sinal de inteligência. Autistas que nunca passaram por intervenções, nunca tiveram atenção especial. que nem mesmo tinham ouvido ou se tinham ouvido sobre Síndrome de Asperger, acharam que não eram, pois 'são diferentes dos outros aspies'.
Autistas aprendem a observar comportamentos e raciocinam como as pessoas querem que eles reajam em determinadas situações. Ao negar a identidade autista de uma pessoa, só porque ela 'melhorou os comportamentos', ela pode facilmente desenvolver problemas de ansiedade e depressão e esse desamparo pode levar ao suicídio.
“Crescer foi um solitário e doloroso caminho. A Síndrome de Asperger não é uma doença, é uma maneira de ser. Não há nenhuma cura, nem é preciso. Há, no entanto, a necessidade de conhecimento e de adaptação por parte das crianças com Asperger, de suas famílias e de seus amigos. (...) Levou bastante tempo para que chegasse a este ponto, para saber quem eu sou. Meus dias de clandestinidade acabaram. Orgulho-me de ser um Asperger”–John Elder Robison, Olhe Nos Meus Olhos
Não parecer autista não é a mesma coisa que não ser autista. O cérebro dessa pessoa continua funcionando de forma diferente. Um autista ser camuflado e ainda assim ter dificuldade de se comunicar com os outros, só o tornará mais desconectado do mundo.
“Você não parece autista” é uma frase bem preconceituosa. Não carrega nada de bom. O autismo é uma condição nem sempre visível aos olhos de quem não entende do assunto e de pessoas que precisam se atualizar; Pessoas que não entendem quais são os mitos do autismo.
“Eu precisava parar de me forçar a me encaixar em algo que eu nunca poderia fazer parte” –John Elder Robison, Olhe Nos Meus Olhos
Um Asperger naturalmente tem chance de sofrer com bullying. Um Asperger com superdotação aprende a se camuflar, pois sofre bullying em dobro, seja por ser um 'estranho' ou porque sabe mais do que seus colegas de turma e parece desafiar a autoridade de professores. Então, intencionalmente ou não, alguns aspergers vão se fechando do mundo e se 'normalizando'; eles entram em uma concha e tentam trancar uma parte deles lá, deixando visível só o personagem social que criaram. São autistas que só podem ser eles mesmos quando estão entre quatro paredes.
Os problemas da camuflagem são: autistas mais suscetíveis à sobrecarga. Em um mundo ideal, autistas não precisariam esconder suas altas habilidades, seus comportamentos autísticos e suas diferenças só para agradar não-autistas.
*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.