Estava aprendendo a cada dia mais a importância dos limites. Era ao usar as redes sociais quando via limites sendo ultrapassados o tempo todo e muitos comentários desrespeitosos, que levavam à importância de bloquear. Bloquear alguém no início poderia ser desconfortável, mas depois era libertador. Por que damos tanta importância para as opiniões dos outros? Por que abrimos a porta para que entrem e bagunçam nossas mentes? Não sabia porquê, mas havia um intervalo de tempo em que as coisas começavam a fazer sentido. “Eu não preciso passar por isso... Opiniões de estranhos não deveriam importar tanto assim”. Então, ia percebendo um padrão nesses comentários, mas preferia bloquear silenciosamente. A verdade era que nós ensinavámos aos outros como poderiam nos tratar. Escrevia como um lembrete e uma forma de autovalidação, de se confortar de que estava fazendo o certo. Escrevia para lembrar aos outros que seus limites também importavam. Escrevia. *Ben Oliveira é escritor, formado em jo...
Síndrome de Asperger: Camuflagem social não é cura
O que é autismo para você? Aprender a camuflar o autismo não é um sinal de cura. Autistas são diferentes. O autismo é um espectro. Autistas se movem neste espectro. Alguns Aspergers aprendem naturalmente a se camuflar, é um sinal de inteligência. Autistas que nunca passaram por intervenções, nunca tiveram atenção especial. que nem mesmo tinham ouvido ou se tinham ouvido sobre Síndrome de Asperger, acharam que não eram, pois 'são diferentes dos outros aspies'.
Autistas aprendem a observar comportamentos e raciocinam como as pessoas querem que eles reajam em determinadas situações. Ao negar a identidade autista de uma pessoa, só porque ela 'melhorou os comportamentos', ela pode facilmente desenvolver problemas de ansiedade e depressão e esse desamparo pode levar ao suicídio.
“Crescer foi um solitário e doloroso caminho. A Síndrome de Asperger não é uma doença, é uma maneira de ser. Não há nenhuma cura, nem é preciso. Há, no entanto, a necessidade de conhecimento e de adaptação por parte das crianças com Asperger, de suas famílias e de seus amigos. (...) Levou bastante tempo para que chegasse a este ponto, para saber quem eu sou. Meus dias de clandestinidade acabaram. Orgulho-me de ser um Asperger”–John Elder Robison, Olhe Nos Meus Olhos
Não parecer autista não é a mesma coisa que não ser autista. O cérebro dessa pessoa continua funcionando de forma diferente. Um autista ser camuflado e ainda assim ter dificuldade de se comunicar com os outros, só o tornará mais desconectado do mundo.
“Você não parece autista” é uma frase bem preconceituosa. Não carrega nada de bom. O autismo é uma condição nem sempre visível aos olhos de quem não entende do assunto e de pessoas que precisam se atualizar; Pessoas que não entendem quais são os mitos do autismo.
“Eu precisava parar de me forçar a me encaixar em algo que eu nunca poderia fazer parte” –John Elder Robison, Olhe Nos Meus Olhos
Um Asperger naturalmente tem chance de sofrer com bullying. Um Asperger com superdotação aprende a se camuflar, pois sofre bullying em dobro, seja por ser um 'estranho' ou porque sabe mais do que seus colegas de turma e parece desafiar a autoridade de professores. Então, intencionalmente ou não, alguns aspergers vão se fechando do mundo e se 'normalizando'; eles entram em uma concha e tentam trancar uma parte deles lá, deixando visível só o personagem social que criaram. São autistas que só podem ser eles mesmos quando estão entre quatro paredes.
Os problemas da camuflagem são: autistas mais suscetíveis à sobrecarga. Em um mundo ideal, autistas não precisariam esconder suas altas habilidades, seus comportamentos autísticos e suas diferenças só para agradar não-autistas.
*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.