Nada como travar diante das aulas de matemática. Pensava que com o passar dos anos as coisas seriam diferentes, mas estava enganado. Ainda travava a cada aula, como se tivesse aprendendo um idioma desconhecido, uma linguagem difícil de decifrar. Sabia que não era impossível aprender a disciplina, mesmo que não fosse sua preferência, mas também sabia que não seria fácil como imaginava. Mesmo com as aulas gravadas ainda era difícil aprender Matemática. Para algumas pessoas, mais difícil do que para outras. Poderia parecer uma tarefa impossível, mas essa crença só piorava ainda mais as coisas. Então, ia dando uma nova chance, consciente de que as coisas não poderiam ser otimistas como esperava, mas que também não poderiam ser tão ruins. Eram dias que gravaria na memória. Dias em que se desafiava ainda que fosse fora da sua zona de conforto de estudos. Dias para travar e destravar. *Ben Oliveira é escritor, formado em jornalismo . Autor do livro de terror Escritpa Maldita , p ublicado...
A Diferença Invisível: Tirinha sobre Síndrome de Asperger e o preconceito
A descoberta tardia da Síndrome de Asperger envolve quebrar uma série de preconceitos, especialmente da classe médica, psicólogos e profissionais da saúde desatualizados. Embora a história seja ambientada na França, país com histórico de problemas em relação ao autismo, a realidade do Brasil não fica tão atrás.
No livro A Diferença Invisível, inspirado na história real de Julie Dachez, a personagem Marguerite lida com o preconceito de todos cantos e encontra aceitação dentro da comunidade Aspie.
Embora a inclusão de Síndrome de Asperger no Transtorno do Espectro Autista possa ter facilitado na garantia de direitos, do ponto de vista de diagnósticos o problema ainda permanece. Profissionais que esquecem que autistas podem ser completamente diferentes e dois Aspergers podem ser distintos.
Imagem da graphic novel A Diferença Invisível, das autoras Julie Dachez e Mademoiselle Caroline, publicada no Brasil pela Editora Nemo.
Indicação de leitura para quem quiser entender sobre os desafios do diagnóstico tardio na fase adulta, o despreparo da área da saúde e como as pessoas se revelam preconceituosas sobre o que elas desconhecem.
Sinopse: Marguerite tem 27 anos, e aparentemente nada a diferencia das outras pessoas. É bonita, vivaz e inteligente. Trabalha numa grande empresa e vive com o namorado. No entanto, ela é diferente. Marguerite se sente deslocada e luta todos os dias para manter as aparências. Seus movimentos são repetitivos e seu universo precisa ser um casulo. Ela se sente assolada pelos ruídos e pelo falatório incessante dos colegas. Cansada dessa situação, ela irá ao encontro de si mesma e descobrirá que é autista – tem a Síndrome de Asperger . Sua vida a partir daí se transformará profundamente.
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Já indiquei várias vezes. É uma das melhoras leituras sobre descoberta tardia de autismo (fase adulta). Mostra os perrengues e os preconceitos de todos lados: amigos, médicos e profissionais de saúde, namoro etc. Poucos materiais abordam o autismo na fase adulta, especialmente a dificuldade de conseguir diagnóstico formal. Muitos aspies do mundo inteiro se contentam com o autodiagnóstico por causa da falha e despreparo profissional sobre Transtorno do Espectro Autista.
*Ben Oliveira é escritor, blogueiro e jornalista por formação. É autor do livro de terror Escrita Maldita, publicado na Amazon e dos livros de fantasia jovem Os Bruxos de São Cipriano: O Círculo (Vol.1) e O Livro (Vol. 2), disponíveis no Wattpad e na loja Kindle.