quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Crônica - Sobre Livros e Pessoas

Texto: Ben Oliveira

Começar este texto com a frase: “Não julgue um livro pela capa” seria um clichê, porém que não deixa de ser verdadeiro. Ao longo dos anos li mais de 300 livros e me envolvi com tantas pessoas, que para ser sincero seria mais fácil lembrar o nome de cada obra lida – algo impossível – do que saber sobre cada um que passou pela minha vida. Uma coisa todos eles têm em comum, foram histórias que não deram certo.

Pessoas são como livros e quem tiver algo contra minha afirmação, diga agora, pois depois do amor ter se transformado em um produto, nada mais justo que sejamos comparados a livros, celulares, calças jeans e o que mais servir como exemplo de um relacionamento na sociedade pós-moderna.

A capa é uma das principais maneiras de atrair a atenção de quem nunca ouviu falar nada sobre um livro – é mais ou menos como paixão à primeira vista. Por meio da capa, você imagina como a história será, cria expectativas e desperta a curiosidade. Ele pode ser alto, baixo, magro, gordo, musculoso – ainda estamos falando sobre livros? 

De qualquer forma, só a capa não é suficiente , então, você vira o livro para ler sua sinopse e é como um primeiro encontro – você encontra informações básicas e motivos pelos quais você deveria se envolver com ele. O texto é atraente, chamativo, resumido e desperta a vontade de saber mais. Leitores mais maduros sabem que só a capa e a sinopse não são suficientes para que o livro seja seu, enquanto os inexperientes já o teria comprado. 

Leitores espertos teriam folheado o livro antes de comprar e buscado mais informações do autor, leia-se descobrir mais motivos antes de realmente mergulhar naquela viagem. Todo obra tem seu valor por ser resultado do trabalho, imaginação, vivências de outra pessoa. Assim como nos relacionamentos, com os livros sempre aprendemos algo, mais, menos, mas sempre há uma troca, às vezes podendo transformar sua vida e às vezes te lembrando que a vida é curta para perde-la ao lado de quem não vale a pena – lendo um livro ruim, enquanto há milhões de obras mais interessantes.

As pessoas criaram maneiras de destacar um livro por meio da divulgação em diferentes meios de comunicação e das famosas listas de best sellers. Você ficaria surpreso com quantos livros são comprados só porque são os mais vendidos, o que não necessariamente garante sua qualidade. Alguns compram movidos à curiosidade do sucesso, seja para ficar por dentro do que está sendo comentado ou para criticar, outros entendem que existe um oceano de escritores desconhecidos e que possuem obras mais significativas, e quando estão na dúvida, best seller por best seller, optam pelos clássicos consagrados.

“Nem sempre o que você quer é o melhor para sua alma” – esta frase me marcou; a interprete como quiser, sou ateu e alma para mim é mais do que espiritualidade, é a sua essência. De todos os livros e relacionamentos que já conheci, não me arrependo de nenhum deles, porém chega uma hora em que é preciso colocar em prática tudo o que você aprendeu, de bom ou ruim, para fazer melhores escolhas. Às vezes, é preciso dizer não para aquele livro, por mais bonito e bem-sucedido, como, às vezes, é preciso fechar os olhos para ignorar a capa e se focar no seu conteúdo.

A verdade é que sempre pensamos nos diferentes extremos e nos contentamos com pouco – achando que é muito. Por que escolher um livro considerado ótimo, quando sabe que ele não passa de lixo camuflado ou um livro estranho e interessante, quando você poderia andar entre diferentes estantes e encontrar o livro perfeito para você? Um livro que te faça suspirar do começo ao fim e que você sabe que gostará de lê-lo mais vezes, não importa quanto tempo passe, ele sempre será o seu livro favorito.

Algumas viagens literárias são inesquecíveis, enquanto outras são só mais do mesmo. Leva tempo para entender que você não escolhe um bom livro, e, na verdade, é escolhido por ele.

Leia mais crônicas minhas: 

Finais de estórias e relacionamentos

Preso no Mundo dos Livros

O Teatro dos Relacionamentos
Crônica Vida Encarcerada

Somos Narradores de nossas próprias histórias


Crônicas do Príncipe de Gelo - O Amor

A Realidade e os Contos de Fada

Quando borboletas ganham vida

O Hitler dos Relacionamentos

Sobre Relacionamentos e Identidades

Somos nossos piores inimigos

Sobre Despedidas

O Amor e os Contos de Fada

Química, Tempo e Pessoas

Sobre Relacionamentos e Problemas

Crônica de um Coração Podre

Reflexões de um Solteiro no Dia dos Namorados


Desligar: Uma questão de sobrevivência

Sobre a Esperança, os Contos de Fada e o Amor

Tempestade Interior

Entropia da Vida

Sobre Celulares e Amores Líquidos

Engolindo sangue, vomitando palavras

Relacionamentos em tempos pós-modernos

Relógios de fogo - Parte 1

Sobre Amores e Calças Jeans

Amores de Plástico

3 comentários:

  1. Curti muito o texto. Eu, na verdade, não costumo ler muitos livros. Mas os que leio sempre foram, como você citou no texto acima, comprados e julgados pela capa, não pelo seu conteudo.
    http://simplismentemenina.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Nos comparar a livros foi uma 'sacada' verdadeiramente ótima, linda! Gostei tanto que queria eu ter tido essa ideia antes de você! hahahaha Continue a ler, Ben. A leitura nos enriquece, amadurece, prepara, alimenta e, de quebra, melhora nossa compreensão acerca da língua portuguesa. Devoremos! =)

    Parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado, querida! Fico muito feliz que o texto tenha te tocado de alguma forma. A leitura faz parte do meu dia-a-dia... Já não consigo viver sem ela.
      Beijos

      Excluir

Obrigado pelo comentário. Volte sempre!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Comentários Recentes

Me acompanhe no Instagram